Pecuária

Boi gordo desafia a sazonalidade

O cenário chama atenção porque foge ao padrão histórico.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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O mercado pecuário brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com um comportamento diferente do habitual. Segundo o Cepea, a combinação entre oferta reduzida de boi gordo, valorização do bezerro, elevado abate de fêmeas e forte demanda internacional pela carne bovina, especialmente da China, sustentou os preços em todos os segmentos da cadeia produtiva.

Em junho, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ, referência para o estado de São Paulo, registrou média de R$ 347,59 por arroba, valor 4,6% superior ao observado em janeiro, quando a arroba estava cotada em R$ 332,14, considerando valores corrigidos pela inflação. O maior preço do semestre foi registrado em abril, com média de R$ 365,93 por arroba, período marcado pela transição da safra para a entressafra.

O cenário chama atenção porque foge ao padrão histórico. Desde o início da série do Cepea, em 1997, o mais comum é que os preços da arroba recuem entre janeiro e junho, devido ao aumento da oferta de animais para abate. Em 2026, no entanto, a menor disponibilidade de bovinos prontos para o mercado e o aquecimento das exportações impediram esse movimento de queda.

🔧 O que isso significa para o pecuarista? O mercado segue sustentado por uma oferta restrita, mas fatores como o ritmo das exportações, a reposição do rebanho e a disponibilidade de animais para o segundo semestre continuarão sendo decisivos para a formação dos preços. Acompanhar esses indicadores pode ajudar na definição do melhor momento para negociar os animais.

Fonte: Cepea/Esalq-USP.

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