Mercado

Preços do cacau volta a disparar e café recua no mercado

O movimento reflete mudanças no cenário climático, expectativas de oferta e comportamento dos fundos de investimento no mercado global de commodities agrícolas.

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
café cacau
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Os preços internacionais do cacau voltaram a subir com força nesta semana, enquanto o café arábica registrou forte queda nas bolsas internacionais. O movimento reflete mudanças no cenário climático, expectativas de oferta e comportamento dos fundos de investimento no mercado global de commodities agrícolas.

O cacau negociado em Nova York encerrou o pregão com alta de 7,1%, atingindo US$ 4.427 por tonelada, após alcançar a máxima de três meses e meio. Em Londres, o avanço foi de 6,1%, com o produto chegando a 3.294 libras por tonelada.

Segundo operadores do mercado, a valorização do cacau foi impulsionada principalmente pela recompra de posições vendidas por fundos de investimento, movimento técnico que ganhou força após o mercado romper uma faixa de preços que vinha se mantendo há cerca de dois meses.

Além dos fatores financeiros, também aumentaram as preocupações com possíveis impactos climáticos provocados pelo fenômeno El Niño, que pode limitar a produção mundial nos próximos meses. Outro fator que ajudou a sustentar os preços foi a recuperação gradual da demanda, favorecida pela acomodação das cotações após os recordes registrados no fim de 2024.

Enquanto isso, o mercado do café arábica seguiu caminho oposto. Os contratos recuaram 3,7%, fechando a US$ 2,7325 por libra-peso, após atingirem a menor cotação em um ano e meio.

A pressão sobre os preços do café vem principalmente da expectativa de uma safra maior no Brasil em 2026, o que reduz parte da preocupação com a oferta global do produto. O mercado também acompanha o aumento das áreas plantadas nos últimos anos, impulsionado pelos preços historicamente elevados registrados recentemente.

Durante evento em São Paulo, Andrea Illy, presidente da torrefadora italiana illycaffè, afirmou que observou expansão significativa de novas lavouras de café no Brasil. Segundo ele, o aumento acelerado da produção pode gerar excesso de oferta e provocar novas oscilações de preços nos próximos anos.

No caso do café robusta, as cotações tiveram leve alta de 0,6%, sustentadas pelo bom ritmo das exportações do Vietnã, maior produtor mundial da variedade.

Já o açúcar bruto voltou a cair no mercado internacional. Os preços foram pressionados pela queda do petróleo, que reduz o interesse das usinas pela produção de etanol. Com menor atratividade do biocombustível, aumenta a tendência de destinação da cana para fabricação de açúcar, ampliando a oferta global do produto.

🔧 Orientação:
Se você produz café ou cacau, acompanhe não apenas o clima, mas também os movimentos das bolsas internacionais e do petróleo. Hoje, fatores financeiros e energéticos influenciam diretamente a formação dos preços agrícolas no mercado global.

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