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Novo CEO da Corteva defende uso de químicos na lavoura

Sob novo comando, empresa se separa do negócio de sementes, aposta em biológicos e diz que pressão contra defensivos pode reduzir a oferta de alimentos

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você depende de defensivos para tocar a lavoura, uma movimentação importante está acontecendo na indústria. A Corteva — uma das maiores empresas de proteção de culturas do mundo — está se reorganizando e mudando o discurso.

A informação é da Bloomberg.

Luther C. Kissam IV é o novo CEO da Corteva. Aos 62 anos, ele já foi CEO da produtora de lítio Albemarle e volta ao cargo executivo depois de uma batalha contra o câncer, que o forçou a se aposentar em 2020.

Kissam assume em um momento decisivo. A empresa se separa do negócio de sementes e genética, que agora se chama Vylor. A separação oficial está prevista para 1º de outubro.

Por que a separação da Corteva acontece?

A Corteva foi formada em 2017, a partir da fusão da Dow Chemical com a DuPont. A decisão de separar o negócio de sementes do de proteção de culturas foi tomada para dar mais flexibilidade às duas unidades.

O setor de proteção de culturas enfrentava uma concorrência mais acirrada. Quando a cisão foi anunciada, em outubro do ano passado, as ações da Corteva caíram inicialmente. Analistas do Barclays chegaram a afirmar que viam "um possível cisão resultando na deterioração de ambos os negócios".

Desde então, as ações se recuperaram. Subiram até 2,1% na terça-feira e registram alta de cerca de 25% no acumulado do ano. Ainda assim, analistas seguem cautelosos.

O cenário que preocupa

A indústria de defensivos vive um momento de pressão em várias frentes.

Produtos de marca enfrentam maior concorrência de genéricos mais baratos. Agricultores em dificuldades financeiras no mundo todo buscam economizar custos.

Segundo relatório da McKinsey, mais de 30% dos produtores entrevistados na América do Norte, Europa e América Latina afirmam que esperam migrar para produtos genéricos de proteção de culturas nos próximos dois anos.

"Os produtores buscam gerenciar a volatilidade nos custos dos insumos de forma mais agressiva", afirmou David Fiocco, sócio sênior da McKinsey. Segundo ele, como a qualidade e a disponibilidade dos genéricos melhoraram, os produtores "não precisam mais comprar os de marca para garantir o abastecimento".

Pressão política e regulatória

O governo Trump investiga há meses os fornecedores de insumos agrícolas por possíveis violações das leis antitruste. A alegação é que a consolidação no setor prejudicou a concorrência e elevou os preços de tudo, desde sementes até fertilizantes.

Tarifas, conflitos geopolíticos e inflação também elevam os preços e pressionam os agricultores.

Além disso, há o movimento "Make America Healthy Again" (MAHA), que se opõe ao uso de pesticidas por preocupações com possíveis ligações a doenças.

Kissam é claro na defesa do setor. Segundo ele, os rendimentos simplesmente cairiam porque haveria mais pressão das ervas daninhas, mais pressão dos insetos e mais doenças.

"Não seria possível alimentar nem abastecer o mundo", disse ele.

Ele afirma que qualquer análise da proteção de culturas deve levar em conta não apenas os preços dos produtos, mas também o tipo de rendimento que esses produtos ajudam os agricultores a alcançar.

"Não é diferente de analisar a dívida pública sem levar em conta o PIB", comparou. "O setor agrícola está se esforçando ao máximo para ajudar o agricultor a aumentar a produtividade por acre."

A aposta em tecnologia e biológicos

Kissam reconhece os desafios, mas aposta em inovação. Ele cita avanços tecnológicos que ajudam os agricultores a aplicar pesticidas e outros produtos químicos com maior precisão, resultando em menor uso.

"Nos anos 80, eram pulverizados grandes volumes", lembrou ele. "Hoje, é surpreendente para mim a pequena quantidade de produtos químicos que é realmente aplicada."

A empresa também aposta no crescimento do segmento de biológicos. A Corteva espera lançar cinco novos produtos biológicos na próxima década.

Além disso, planeja usar inteligência artificial para ajudar a prever padrões climáticos e de doenças, separar as boas ideias das ruins mais cedo e identificar obstáculos regulatórios antes que um produto fique preso no processo de aprovação.

O portfólio de produtos em desenvolvimento está avaliado em US$ 11 bilhões até 2040, com 12 novos produtos a serem lançados na próxima década.

O que muda no mercado de defensivos?

A separação da Corteva em duas empresas — uma de proteção de culturas e outra de sementes — pode alterar a dinâmica do mercado de insumos.

Para o produtor, isso pode significar mais concorrência entre fornecedores e, em tese, mais opções de compra. Por outro lado, a pressão regulatória e o avanço dos genéricos podem mudar o portfólio disponível.

Se você compra defensivos, vale acompanhar essa reorganização. A entrada de genéricos mais baratos é uma tendência global e pode chegar mais forte ao Brasil.

Ao mesmo tempo, a aposta em biológicos e em aplicação de precisão mostra para onde o mercado está indo: menos produto químico, mais eficiência e mais tecnologia.

O que você pode fazer agora

O primeiro passo é avaliar o custo-benefício dos produtos que você usa. Compare preços de marcas e genéricos, sempre verificando registro e qualidade.

O segundo é testar, em pequena escala, produtos biológicos e alternativas de manejo integrado. A tendência é que essas soluções ganhem espaço.

O terceiro é ficar atento às mudanças regulatórias. O que acontece nos Estados Unidos e na Europa costuma influenciar o mercado brasileiro.

Antes da próxima safra, faça uma lista dos defensivos que você mais usa e compare os preços de pelo menos dois fornecedores diferentes, incluindo opções genéricas registradas. Verifique também se há produtos biológicos disponíveis para as pragas e doenças que mais atacam a sua lavoura. Comece com uma área de teste e acompanhe os resultados. Em um mercado em transformação, quem testa antes sai na frente — e quem fica preso a um único fornecedor ou a uma única solução pode pagar mais caro.

Fonte: Bloomberg.

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