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Xangai vira capital mundial do café

Metrópole chinesa passa de 10 mil cafeterias, consome 106 xícaras por habitante ao ano e vira hub de importação e torrefação de café verde

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você produz café, precisa conhecer o que está acontecendo em Xangai. A cidade chinesa foi coroada "capital mundial do café" há quatro anos, quando atingiu 7.857 cafeterias e superou Nova York, Londres e Tóquio.

No ano passado, Xangai passou da marca de 10 mil lojas, gerando receita superior a US$ 51 bilhões. Numa cidade com mais de 20 milhões de habitantes, isso equivale a uma cafeteria para cada 2 mil moradores.

O consumo por habitante impressiona

Segundo o Relatório de Desenvolvimento do Café Urbano da China, o consumo per capita em Xangai é de 106 xícaras por ano. A média nacional chinesa é de 29 xícaras.

As cafeterias de café especial representam atualmente 18% de todas as lojas da cidade — bem acima do padrão de outras grandes cidades chinesas. O relatório também destaca a competitividade do ecossistema, com inúmeras marcas locais fazendo de Xangai a cidade mais diversificada em marcas de café da China.

Quatro tendências de consumo

Um relatório recente do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) identificou quatro tendências comuns na cena cafeeira de Xangai.

A primeira é a entrega instantânea e os "check-ins" em cafeterias. A entrega é um grande motor para as lojas, gerando US$ 260 milhões em vendas só em Xangai no ano passado — mais de duas vezes e meia o valor registrado em Pequim. Quarenta e dois por cento dos pedidos são feitos na hora do almoço.

As cafeterias também se firmaram como "terceiros lugares", espaços de encontro e socialização. Segundo o Relatório de Tendências de Consumo de Café de Xangai, 75% dos consumidores visitam cafeterias regularmente para comprar café, mas 62% vão para encontrar amigos e socializar.

A segunda tendência é a transição da guerra de preços para a competição por qualidade. Em 2023–2024, grandes redes como Luckin Coffee e Cotti Coffee praticaram descontos agressivos, com preços em torno de 9,9 renminbi (US$ 1,48). A partir de 2025, os indicadores apontam para uma redução dessa estratégia.

Marcas de alto padrão — como Starbucks, Peet's e M Stand — mantiveram suas estruturas de preços sem ajustar às flutuações do mercado. Enquanto isso, cafeterias exclusivas surgiram, mirando clientes dispostos a gastar milhares de renminbi em bebidas artesanais feitas com grãos de origem única leiloados.

A terceira tendência é a mistura da cultura global do café com sabores locais. Ingredientes como osmanthus, ameixa em conserva, leite de arroz e elementos de ervas chinesas estão cada vez mais presentes nas receitas. A fronteira entre chá e café está ficando cada vez mais borrada. Gigantes do chá, como Mixue, agora vendem café torrado na hora, enquanto redes de café como a Luckin incluem leite com chá leve em seus menus.

A quarta tendência é o "café+". O consumo está cada vez mais ligado a eventos e experiências de estilo de vida — desde festivais dedicados ao café até colaborações com eventos de ciência. Marcas de prestígio como Tiffany, Ralph Lauren e Brompton estão abrindo cantos dedicados ou cafeterias completas dentro de suas lojas.

Xangai como hub de café verde

O porto de Xangai responde por 28% das importações chinesas de café verde em valor. O Shanghai Hongqiao International Coffee Harbour é o mais importante hub de importação e distribuição dedicado ao produto na China.

Toda uma economia do café gira em torno da cidade: traders, corretores, prestadores de serviços logísticos, fabricantes de máquinas e, claro, torrefadores.

A cidade de Kunshan, na província de Jiangsu, a cerca de 40 km de Xangai, se firmou como importante polo de torrefação e processamento de café para a região leste da China, com capacidade de produção superior a 180 mil toneladas por ano — mais de 3 milhões de sacas.

O Centro de Distribuição de Grãos Verdes da Ásia-Pacífico, concluído em 2023, é o primeiro armazém especializado do país com controle de temperatura e umidade para café verde. Mais de 40 empresas internacionais de café se instalaram em Kunshan, incluindo Starbucks e Luckin Coffee.

A China é um mercado em expansão para o café brasileiro. O crescimento do consumo em Xangai e a estrutura de importação montada na região mostram que há demanda e infraestrutura para receber café verde do Brasil.

Se você produz café, entender o que o consumidor chinês valoriza — qualidade, origem, características sensoriais e métodos de preparo — ajuda a posicionar o seu produto num mercado disposto a pagar mais por café especial.

O que você pode fazer agora

O primeiro passo é conhecer o perfil do consumidor chinês. Diferente do mercado tradicional, lá o café divide espaço com o chá e incorpora sabores locais. Cafés com notas sensoriais marcantes e origem rastreada têm espaço.

O segundo é buscar informações sobre exportação para a China. Converse com a cooperativa, a exportadora ou a ApexBrasil sobre exigências sanitárias e documentação necessária.

O terceiro é investir em qualidade e consistência. O mercado chinês de café especial está crescendo e paga prêmio por grão bem preparado.

Se você tem interesse em exportar para a China, comece documentando a origem e o perfil sensorial do seu café. Faça análise de qualidade e mantenha registros de safra, variedade e processo de pós-colheita. Esses dados são exigidos por compradores de café especial e ajudam a negociar prêmio. Procure também o Sebrae ou a ApexBrasil para orientação sobre exportação. O mercado chinês está crescendo rápido — e o café brasileiro tem espaço para ocupar.

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