Solo do futuro em debate no Vale do São Francisco
Reunião Nordestina de Ciência do Solo e Simpósio de Mudança Climática e Desertificação reúnem 917 participantes e 731 trabalhos em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA)
Se você trabalha com agricultura no Nordeste, vale ficar de olho no que está sendo discutido esta semana em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). Dois eventos científicos importantes estão acontecendo na região e superaram todas as expectativas.
A IX Reunião Nordestina de Ciência do Solo (RNCS) e o VII Simpósio de Mudança Climática e Desertificação (SMUD) reúnem 917 participantes e 731 trabalhos inscritos. A programação vai de 14 a 17 de setembro.
O tema deste ano é "Solos do futuro: bioinsumos, inteligência artificial e eficiência produtiva".
A programação inclui discussões sobre novas tecnologias, alternativas aos insumos convencionais, conservação dos solos, uso eficiente dos recursos e impactos das mudanças climáticas na produção agrícola.
O que foi dito na abertura
Durante a abertura, na segunda-feira (14), o pesquisador da Embrapa Semiárido Paulo Ivan Fernandes Júnior, presidente da comissão organizadora, destacou os números do evento.
"Estamos com um público recorde, o que demonstra a dimensão alcançada pela reunião e reforça a capacidade da região de sediar eventos científicos de maior porte, inclusive, no futuro, o Congresso Brasileiro de Ciência do Solo", afirmou.
Para ele, a participação também reflete a integração entre profissionais de diferentes instituições e áreas de atuação. "O que faz um evento científico ser um sucesso? São as pessoas."
O chefe-geral da Embrapa Semiárido, Carlos Alberto Tuão Gava, ressaltou a necessidade de conservar os solos. "O solo é um recurso finito, embora nem sempre nos lembremos disso. Dependemos dele para produzir alimentos e para sustentar a vida."
A presidente da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS), Maria Eugênia Ortiz Escobar, destacou a realização da reunião no Vale do São Francisco, região de importância agrícola para o Nordeste.
Homenagem a pesquisador
A abertura foi marcada pela entrega do Prêmio Nordeste de Ciência do Solo a Davi José Silva, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido.
Davi atuou na Embrapa Semiárido desde 1994 e desenvolveu pesquisas em manejo de fertilizantes, fertirrigação, nutrição de plantas e fertilidade do solo. Seus estudos contribuíram para o manejo nutricional de culturas importantes para o Vale do São Francisco, como uva, manga, melão, banana e coco.
Estudantes competem em campo
Outro destaque foi a competição de solos, realizada pela segunda vez no Nordeste e, pela primeira vez, integrada à Reunião Nordestina de Ciência do Solo.
Quatro equipes participaram das atividades, que levaram estudantes ao campo para descrever e classificar perfis de solo a partir de trincheiras abertas especialmente para a competição. A equipe vencedora foi a Carbon Fruit, da Univasf.
Troca de conhecimento
Para os participantes, a reunião também é uma oportunidade de acompanhar as pesquisas e reencontrar colegas.
A professora da UFRPE, Maria Dantas, ressalta a troca entre os pesquisadores. "A Reunião Nordestina está fantástica. É um evento muito bem organizado, com compartilhamento de conhecimentos de excelência."
Para a doutoranda Cíntia Carolina da Silva, da UFRPE, o encontro acompanha sua própria trajetória acadêmica. "Já participei como aluna de graduação, depois como pós-graduanda e, agora, como doutoranda. É muito prazeroso retornar seis anos depois."
Por que isso importa para você
Os temas discutidos nesses eventos têm impacto direto na agricultura do futuro. Bioinsumos, inteligência artificial e eficiência produtiva são ferramentas que podem ajudar o produtor a produzir mais com menos, enfrentando os desafios das mudanças climáticas.
A conservação do solo é um ponto central. O solo é um recurso finito, e o manejo adequado é essencial para manter a produtividade ao longo dos anos.
O que você pode fazer agora
Fique atento às publicações e aos resultados apresentados nesses eventos. Muitas das tecnologias discutidas chegam ao campo por meio de assistência técnica e de programas de extensão rural.
Procure o escritório da Emater ou da Embrapa na sua região e pergunte sobre bioinsumos e práticas de conservação do solo adaptadas à sua realidade. A informação está disponível — basta buscar.
Nos próximos 30 dias, avalie uma área da sua propriedade e verifique se há sinais de degradação do solo, como compactação, erosão ou perda de matéria orgânica. Se identificar problemas, procure assistência técnica para conhecer práticas de conservação e alternativas aos insumos convencionais, como bioinsumos. Eventos como a Reunião Nordestina de Ciência do Solo mostram que a pesquisa está avançando — e o produtor que se antecipar sai na frente.