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Índia pode cortar imposto e mexer com o mercado

Maior importadora mundial de óleos vegetais estuda reduzir tributos para conter inflação dos alimentos; medida pode dar suporte aos preços do óleo de palma e da soja

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você produz soja ou acompanha o mercado de óleos vegetais, uma notícia da Índia merece sua atenção. O país, que é o maior importador mundial de óleos vegetais, está considerando reduzir os impostos de importação sobre esses produtos. A informação é da Reuters.

O objetivo é tentar conter a inflação dos alimentos. A medida chega em um momento estratégico: começa a temporada de festivais, período de pico da demanda.

Por que a Índia quer reduzir impostos

Os preços dos óleos vegetais na Índia subiram quase 20% no último ano. Uma medida que reduza esses preços provavelmente aumentará o consumo, já que as famílias celebram as festas de setembro a novembro com doces, lanches e petiscos fritos.

A inflação anual no varejo do país acelerou ainda mais em agosto, impulsionada pelos preços mais altos dos alimentos.

Em vez de fazer um corte drástico nos impostos de importação, o governo poderia reduzir o imposto básico de importação em 5%. A informação é de uma autoridade de alto escalão do setor.

Outra opção seria manter os preços locais da soja acima dos níveis de apoio estabelecidos pelo governo. Isso ajudaria os produtores de oleaginosas do país.

O impacto no mercado internacional

Segundo analistas, o aumento da demanda indiana daria suporte aos preços de referência do óleo de palma da Malásia e aos futuros de óleo de soja dos EUA.

A Índia atende quase dois terços de sua demanda por óleo vegetal por meio de importações. Os principais produtos são óleo de palma, óleo de soja e óleo de girassol, vindos de países como Malásia, Indonésia, Argentina, Brasil, Rússia e Ucrânia.

Os preços internacionais subiram devido a perturbações relacionadas à guerra da Rússia contra a Ucrânia e a condições climáticas extremas associadas ao El Niño e ao aquecimento global.

O precedente de 2025

Em maio de 2025, a Índia reduziu pela metade o imposto básico de importação sobre óleos comestíveis brutos, para 10%. Isso efetivamente reduziu o imposto total de importação sobre óleo de palma bruto, óleo de soja bruto e óleo de girassol bruto para 16,5%.

Após a redução dos impostos, os preços globais do óleo de palma e do óleo de soja subiram. Ou seja, a história mostra que cortes de imposto na Índia tendem a aquecer o mercado internacional.

Por que isso importa para você

Se você produz soja no Brasil, a Índia é um comprador relevante no mercado global de óleos vegetais. Qualquer movimento que aumente a demanda indiana tende a dar suporte aos preços internacionais — e isso pode se refletir no mercado brasileiro.

Por outro lado, existe um risco. Segundo um representante do setor, cortar os impostos de importação não é uma forma eficaz de controlar os preços. Se a demanda indiana crescer muito, os preços nos países exportadores podem subir, anulando o efeito da redução tributária.

O que você pode fazer agora

O primeiro passo é acompanhar as notícias sobre a decisão do governo indiano. A medida ainda está em estudo e pode sair nas próximas semanas.

O segundo é observar os preços do óleo de soja em Chicago e do óleo de palma na Malásia. Esses são os termômetros do mercado internacional e ajudam a entender para onde os preços podem ir.

O terceiro é avaliar o seu posicionamento. Se você tem soja armazenada ou contratos a fixar, entender o cenário internacional ajuda a decidir o melhor momento de vender.

Nos próximos dias, acompanhe os boletins do Cepea e as cotações internacionais do óleo de soja. Se a Índia confirmar a redução de impostos, é provável que os preços internacionais reajam para cima. Nesse caso, avalie se vale a pena segurar parte da produção ou fixar contratos com base nas expectativas de alta. Mas atenção: o mercado é volátil e nenhuma decisão deve ser tomada com base em um único fator. Converse com seu corretor ou cooperativa e acompanhe o noticiário internacional — em um mercado globalizado, o que acontece na Índia chega rápido ao Brasil.

Fonte: Forbes.

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