Clima

Milho safrinha sente falta de chuva

Mesmo com precipitações registradas nos últimos dias, especialmente no sul do Mato Grosso do Sul e em parte do Paraná, a recuperação das lavouras ainda é parcial.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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As lavouras de milho de segunda safra seguem sob pressão em parte do Centro-Sul do Brasil. Em regiões do Paraná e do Mato Grosso do Sul, o clima irregular vem limitando o potencial produtivo, principalmente em áreas que atravessaram períodos longos de calor e pouca chuva.

Mesmo com precipitações registradas nos últimos dias, especialmente no sul do Mato Grosso do Sul e em parte do Paraná, a recuperação das lavouras ainda é parcial. O problema é que muitos talhões passaram por estresse hídrico justamente nas fases mais sensíveis do milho, como florescimento e enchimento de grãos.

No campo, isso significa perdas que dificilmente são totalmente revertidas, mesmo com a volta das chuvas.

No sudoeste paranaense, uma das regiões mais afetadas, a situação preocupa. Dados do sistema SISDAGRO apontam déficit hídrico persistente desde o fim de fevereiro em áreas como Francisco Beltrão. A irregularidade das chuvas ao longo do ciclo não foi suficiente para recuperar a umidade do solo.

Como consequência, já há estimativa de perda acumulada próxima de 60% no potencial produtivo em algumas áreas do município.

Entre os principais reflexos observados nas lavouras estão espigas mal formadas, enchimento incompleto de grãos, maturação antecipada e desuniformidade entre plantas. Em solos rasos ou com baixa retenção de água, os danos tendem a ser ainda maiores.

No Mato Grosso do Sul, o cenário é parecido. Municípios como Ponta Porã enfrentaram março com baixa frequência de chuvas e temperaturas elevadas. Em abril, algumas precipitações ajudaram parcialmente, mas ainda insuficientes para suprir a demanda hídrica do milho em fase crítica.

Além da chuva abaixo do necessário, o calor continua elevando a evaporação e acelerando a perda de água do solo.

A previsão para os próximos dias não indica mudança significativa. No Paraná, os maiores acumulados devem se concentrar em áreas do leste e sudeste, com volumes próximos de 40 mm. Já em grande parte do estado, a chuva deve ficar abaixo de 20 mm.

No Mato Grosso do Sul, a tendência é de volumes baixos ou ausência de precipitação em muitas regiões até o início da próxima semana.

As temperaturas também seguem elevadas. No Paraná, os termômetros devem variar entre 20°C e 30°C. No Mato Grosso do Sul, máximas entre 28°C e 32°C podem aumentar ainda mais o consumo de água pelas plantas.

Outro ponto de atenção é a baixa umidade do ar, prevista abaixo de 40% em várias áreas, condição que favorece o avanço do déficit hídrico.

Para quem ainda tem lavouras em enchimento de grãos, o momento exige monitoramento constante.

🔧 Orientação: acompanhar a umidade do solo e o estágio das plantas ajuda a identificar áreas mais críticas e ajustar decisões de manejo, principalmente em lavouras com maior risco de quebra produtiva.

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