Agricultura

Microrganismos liberam fósforo preso no solo

Isso acontece porque o nutriente reage com elementos presentes no solo, como ferro, alumínio e cálcio, formando compostos pouco solúveis.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O fósforo é um dos nutrientes mais importantes para a agricultura. Ele participa do desenvolvimento das raízes, da formação de grãos, da transferência de energia dentro da planta e da produtividade das lavouras. O problema é que, em grande parte dos solos tropicais brasileiros, boa parte do fósforo aplicado via fertilizantes rapidamente fica indisponível para as plantas.

Isso acontece porque o nutriente reage com elementos presentes no solo, como ferro, alumínio e cálcio, formando compostos pouco solúveis. Na prática, o produtor aplica fósforo, mas apenas uma parte fica imediatamente acessível às culturas.

É nesse cenário que entram os microrganismos solubilizadores de fósforo, organismos capazes de transformar formas indisponíveis do nutriente em fósforo que pode ser absorvido pelas plantas.

Esses microrganismos atuam principalmente por dois mecanismos naturais.

O primeiro é a solubilização do fósforo inorgânico. Bactérias e fungos presentes no solo produzem ácidos orgânicos que alteram o ambiente ao redor das raízes. Esses compostos reduzem o pH local, quebram ligações químicas e liberam o fósforo que estava preso a partículas do solo.

Entre os ácidos mais eficientes estão o glucônico, cítrico, oxálico e málico. Diversos microrganismos possuem essa capacidade, com destaque para bactérias dos gêneros Bacillus e Pseudomonas, além de fungos como Trichoderma, Aspergillus e Penicillium.

O segundo mecanismo ocorre por meio da mineralização do fósforo orgânico. Parte significativa do fósforo do solo está armazenada em resíduos vegetais, matéria orgânica e compostos complexos. Para acessar esse nutriente, os microrganismos produzem enzimas especializadas, como fosfatases e fitases, que quebram essas moléculas e liberam o fósforo para as plantas.

Pesquisas científicas realizadas em diversas partes do mundo confirmam que a produção de ácidos orgânicos é o principal mecanismo responsável pela solubilização do fósforo inorgânico, enquanto as enzimas desempenham papel fundamental na liberação do fósforo orgânico.

Estudos conduzidos pela Embrapa e por instituições de pesquisa brasileiras mostram que esses microrganismos possuem grande potencial em solos tropicais, justamente onde a fixação de fósforo costuma ser mais intensa.

Na prática, isso significa maior eficiência no aproveitamento do fósforo já existente no solo e melhor retorno dos fertilizantes aplicados.

Atualmente, o mercado já oferece inoculantes biológicos contendo bactérias e fungos solubilizadores de fósforo. Produtos à base de Bacillus, Pseudomonas e Trichoderma vêm sendo utilizados em culturas como soja, milho, café e hortaliças.

Os melhores resultados costumam ocorrer quando esses microrganismos são associados a outras práticas conservacionistas, como o uso de cobertura permanente do solo, manutenção da matéria orgânica, redução do revolvimento e presença de fungos micorrízicos.

A aplicação pode ser feita no tratamento de sementes, no sulco de plantio ou por sistemas de fertirrigação, dependendo da cultura e da tecnologia utilizada.

É importante destacar que a solubilização biológica não elimina completamente a necessidade de fertilizantes fosfatados, especialmente em áreas muito deficientes em fósforo. No entanto, ela pode aumentar significativamente a eficiência de uso do nutriente, reduzir perdas e contribuir para a construção da fertilidade do solo ao longo dos anos.

O que isso significa para você?

Com o fósforo entre os fertilizantes mais caros da agricultura, aumentar sua eficiência é uma das formas mais inteligentes de reduzir custos sem comprometer a produtividade. Quanto mais fósforo o sistema consegue reciclar e disponibilizar naturalmente, menor tende a ser a dependência de reposições elevadas no futuro.

🔧 Orientação prática

Se você pretende investir em biológicos, procure associar os inoculantes solubilizadores de fósforo com sistemas que mantenham o solo vivo e coberto. A presença de matéria orgânica, raízes ativas e diversidade biológica é o que permite que esses microrganismos expressem todo o seu potencial no campo.

Fontes: Embrapa; revisões científicas sobre microrganismos solubilizadores de fósforo (PSM); pesquisas com Bacillus, Pseudomonas e Trichoderma em solos tropicais.

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