Pecuária

Manejo do solo define vida útil da pastagem?

Por outro lado, algumas práticas associadas à formação da pastagem apresentam excelente retorno.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

Quem busca formar uma pastagem produtiva por 15 ou até 20 anos sabe que o sucesso começa muito antes da semeadura. A correção da fertilidade do solo, a adubação de implantação e o manejo ao longo dos anos são os principais fatores que determinam a longevidade da área. No entanto, uma dúvida frequente entre produtores é: vale a pena elevar a saturação por bases (V%) para 80% na formação da braquiária?

A estratégia de trabalhar com um V% elevado parte da ideia de criar uma "reserva" de fertilidade, permitindo que a saturação diminua gradualmente ao longo dos anos enquanto são realizadas apenas calagens superficiais de manutenção. Embora esse raciocínio tenha lógica agronômica, as recomendações técnicas para braquiárias são mais conservadoras.

De acordo com referências como Embrapa e comissões oficiais de fertilidade do solo, a maioria das espécies de Brachiaria apresenta boa tolerância à acidez. Para Brachiaria brizantha, normalmente recomenda-se um V% próximo de 50%, enquanto sistemas mais intensivos podem trabalhar entre 60% e 65%. Acima desses valores, os ganhos de produtividade tendem a diminuir, enquanto aumenta o risco de reduzir a disponibilidade de micronutrientes como zinco, manganês e ferro, além de elevar o custo da implantação.

Por outro lado, algumas práticas associadas à formação da pastagem apresentam excelente retorno. A realização da adubação fosfatada corretiva, especialmente quando a semeadura é feita a lanço, aumenta significativamente a disponibilidade de fósforo para o estabelecimento das plantas. Sempre que possível, realizar a correção completa na implantação é a alternativa mais eficiente, já que o fósforo possui baixa mobilidade no solo e permanece disponível por vários anos.

Outro ponto importante é a incorporação de 4 a 5 toneladas de esterco, seja de aves ou bovino. A matéria orgânica melhora a estrutura do solo, aumenta a atividade biológica e reduz parte da fixação do fósforo pelos óxidos de ferro e alumínio, mantendo esse nutriente disponível por mais tempo. Além disso, o esterco fornece nutrientes e micronutrientes que contribuem para o desenvolvimento inicial da pastagem.

Na prática, imagine uma área destinada à formação de braquiária após anos de degradação. Mesmo que o produtor invista em uma boa calagem, a resposta da pastagem será muito maior quando essa correção vier acompanhada de fósforo, matéria orgânica e um plano de adubação de manutenção. Após o estabelecimento, o maior consumo da forrageira passa a ser de nitrogênio e potássio, nutrientes que precisam ser repostos periodicamente para manter a produtividade.

Se o objetivo é construir uma pastagem duradoura, a fertilidade inicial é apenas parte da estratégia. O manejo correto da carga animal, o monitoramento por análises de solo e a reposição anual dos nutrientes exportados são fatores que, ao longo dos anos, têm impacto maior do que simplesmente elevar a saturação por bases para níveis muito altos.

🔧 Orientação: Antes de definir a dose de calcário, faça uma análise de solo e estabeleça uma meta de V% compatível com a espécie de braquiária e o nível tecnológico da propriedade. Uma correção equilibrada, aliada à adubação de manutenção e ao manejo adequado do pastejo, é o caminho mais seguro para manter uma pastagem produtiva por muitos anos.

Mais de Pecuária

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.