Petróleo e El Niño elevam alerta
Os impactos não devem ocorrer de forma igual em todas as culturas.
O agronegócio mundial voltou a ligar o sinal de atenção. A alta do petróleo, a reorganização do comércio internacional e a possibilidade de um El Niño entre os mais intensos das últimas décadas formam um cenário que pode pressionar os custos de produção, a logística e os preços dos alimentos nos próximos meses. Embora não haja garantia de que esse cenário mais adverso se confirme, especialistas afirmam que a combinação desses fatores aumenta o risco de novos choques de oferta.
O petróleo é hoje a principal preocupação. O barril do Brent voltou a superar os US$ 100 após o aumento das tensões no Oriente Médio, especialmente pelos ataques a embarcações no Mar Vermelho. Bancos e consultorias internacionais avaliam que, caso o conflito se intensifique e comprometa rotas estratégicas de abastecimento, a cotação poderá alcançar US$ 120 por barril. Isso teria impacto direto sobre o custo do diesel, do transporte, dos fertilizantes e de diversos insumos utilizados no campo.
Ao mesmo tempo, o comércio internacional continua passando por mudanças. Os Estados Unidos mantiveram uma nova estrutura tarifária para seus parceiros comerciais, com alíquotas entre 10% e 12,5%. Para analistas, o efeito dessas tarifas sobre a inflação tende a ser menor do que no passado, mas elas continuam exigindo adaptações das cadeias globais de produção e logística, influenciando o fluxo de mercadorias entre os países.
Outro fator que preocupa é o avanço do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 81% de probabilidade de um evento muito intenso entre outubro e dezembro e 97% de chance de que ele permaneça ativo até o início de 2027. O fenômeno pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta, afetando a produção agrícola, a geração de energia, o transporte e o abastecimento.
Os impactos não devem ocorrer de forma igual em todas as culturas. Estudos apontam riscos para o trigo australiano, o óleo de palma da Indonésia e da Malásia, o açúcar produzido na Índia e na Tailândia, o arroz e a aquicultura asiática. Além disso, eventos climáticos recentes já reduziram a pesca da anchoveta no Peru, elevando em mais de 75% o preço da farinha de peixe, importante ingrediente utilizado na alimentação de peixes e camarões.
Para a América Latina, o cenário é misto. Países exportadores de petróleo, como o Brasil, podem ser beneficiados por preços mais altos da commodity. Por outro lado, combustíveis mais caros elevam os custos da produção agropecuária, do frete e da distribuição de alimentos. Caso o El Niño provoque alterações significativas no clima, também poderão ocorrer mudanças na oferta de produtos agrícolas e novas pressões sobre os preços.
Se você produz grãos, carnes, leite ou hortaliças, vale acompanhar de perto tanto as previsões climáticas quanto a evolução do mercado internacional. Custos de combustível, fertilizantes e fretes podem mudar rapidamente, influenciando o planejamento da próxima safra.
🔧 Orientação: Aproveite o período para revisar seu planejamento de compras, negociar insumos com antecedência e acompanhar os boletins climáticos da sua região. Antecipar decisões pode ajudar a reduzir os impactos de um cenário de maior volatilidade nos mercados e no clima.
Fonte: Bloomberg.