Agricultura

Safra de Cana Pode Ser a Segunda Maior da História

Segundo o primeiro levantamento divulgado pela companhia, a produção brasileira pode chegar a 709,1 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% em relação à safra anterior.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Cana
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A Companhia Nacional de Abastecimento projeta uma safra maior de cana-de-açúcar no ciclo 2026/27. Segundo o primeiro levantamento divulgado pela companhia, a produção brasileira pode chegar a 709,1 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% em relação à safra anterior.

Se a estimativa se confirmar, será a segunda maior produção da série histórica da Conab, ficando atrás apenas do ciclo 2023/24. O avanço é sustentado principalmente pela melhora climática observada ao longo de 2025, que favoreceu o desenvolvimento das lavouras em diversas regiões produtoras.

A produtividade média nacional deve atingir 77.753 quilos por hectare, alta de 3,4%. Já a área colhida pode chegar a 9,1 milhões de hectares, crescimento de 1,9% e o maior volume já registrado pela companhia.

A região Sudeste segue liderando a produção nacional. A expectativa é colher 459,1 milhões de toneladas, aumento de 6,8% sobre a safra passada. A área cultivada deve alcançar 5,7 milhões de hectares, com produtividade média de 80.852 kg/ha.

No Centro-Oeste, segunda principal região produtora, a projeção é de 154,5 milhões de toneladas. A área plantada deve crescer 1,8%, chegando a 2 milhões de hectares, enquanto a produtividade média pode avançar para 77.595 kg/ha.

O Nordeste também apresenta cenário positivo. A estimativa aponta produção de 55,2 milhões de toneladas, alta de 3,7%, impulsionada pelo crescimento da área colhida e pela recuperação da produtividade.

No Sul, a produção deve atingir 36,2 milhões de toneladas, leve avanço de 0,6%. Já no Norte, apesar da redução de área, a melhora produtiva deve compensar, elevando a colheita para 4,2 milhões de toneladas.

O aumento da oferta de cana impacta diretamente a indústria de biocombustíveis. A produção total de etanol pode alcançar 40,69 bilhões de litros, crescimento de 8,5% e possível novo recorde nacional.

Desse total, 29,26 bilhões de litros devem vir da cana-de-açúcar, enquanto o etanol de milho segue expandindo espaço e pode atingir 11,43 bilhões de litros. O Centro-Oeste continua liderando essa produção, mas o Nordeste começa a ganhar relevância com novas unidades industriais.

Já o açúcar deve apresentar leve retração. A produção estimada é de 43,95 milhões de toneladas, redução de 0,5%, reflexo de um mercado internacional com preços mais enfraquecidos e aumento da oferta global, especialmente de países como India e Thailand.

Para quem produz cana, o cenário indica maior disponibilidade de matéria-prima e possibilidade de ampliação do processamento industrial, principalmente voltado ao etanol.

Orientação prática:

Se você trabalha com cana, vale acompanhar o direcionamento das usinas entre açúcar e etanol. Essa decisão influencia demanda regional, preços pagos pela matéria-prima e oportunidades de comercialização ao longo da safra.

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