Recuperação judicial cresce no agronegócio em 2026
Entre os produtores rurais que atuam como pessoa física, o movimento foi diferente.
O agronegócio brasileiro voltou a registrar aumento nos pedidos de recuperação judicial. Entre janeiro e março de 2026, foram contabilizadas 474 solicitações, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 389 pedidos.
O avanço foi puxado principalmente pelos produtores rurais que atuam como pessoa jurídica. Nesse grupo, foram 196 pedidos no primeiro trimestre, crescimento de 73,5% sobre os 113 registrados um ano antes. Mato Grosso liderou o número de ocorrências entre os estados.
Segundo a Serasa Experian, o cenário combina custos de produção elevados, crédito mais seletivo, margens pressionadas e maior nível de endividamento. Esses fatores dificultam a geração de caixa e aumentam a pressão sobre produtores e empresas que precisam manter compromissos financeiros enquanto enfrentam um ambiente de crédito mais restrito.
Na produção de grãos, a soja concentrou 137 pedidos de recuperação judicial entre os produtores rurais pessoas jurídicas. A criação de bovinos apareceu na sequência, com 42 registros. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul foram os estados com maior número de ocorrências nesse grupo.
Entre os produtores rurais que atuam como pessoa física, o movimento foi diferente. Foram registrados 182 pedidos entre janeiro e março de 2026, uma redução de 6,7% em relação aos 195 do mesmo período de 2025.
Já as empresas que fazem parte da cadeia do agronegócio também apresentaram aumento. Foram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, crescimento de 18,5% frente às 81 solicitações registradas no mesmo período do ano anterior.
Os casos envolveram principalmente agroindústrias de transformação primária, com 23 pedidos, indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e empresas de serviços de apoio à agropecuária, com 15. Paraná, São Paulo e Mato Grosso concentraram o maior número de ocorrências entre as empresas da cadeia.
O que isso significa para o produtor?
O aumento dos pedidos mostra que a pressão financeira continua presente em parte do setor, mesmo com o indicador abaixo do pico registrado em meados de 2025.
Para quem está no campo, o momento exige atenção ao fluxo de caixa e ao calendário das dívidas. Custos elevados e receitas que não acompanham as despesas podem reduzir rapidamente a capacidade de pagamento.
A Serasa Experian também aponta o avanço de ferramentas de inteligência artificial para identificar sinais de deterioração financeira antes que a situação se agrave. O Agro Score, modelo desenvolvido pela empresa para o setor rural, considera características específicas da atividade e acompanha mudanças no perfil de risco.
Segundo a empresa, produtores pessoas físicas que posteriormente entraram em recuperação judicial já apresentavam, em média, pontuações inferiores ao restante da população rural até três anos antes da formalização do processo.
Para você, produtor, o principal alerta é não esperar a dívida chegar ao limite. Acompanhe mensalmente receitas, custos, vencimentos e capacidade de pagamento. Se houver dificuldade para cumprir compromissos, a renegociação antecipada pode ser uma alternativa antes que o problema comprometa o funcionamento da propriedade.