Produtor segura vendas e pressiona oferta de café
Outro ponto de atenção está no mercado futuro.
O mercado futuro do café arábica voltou a apresentar forte volatilidade, enquanto os preços no mercado físico brasileiro permanecem mais firmes. Na terça-feira (11), o contrato de setembro abriu a 333¢ por libra-peso, chegou a 348,80¢ e encerrou o dia em 332,55¢. Mesmo com a oscilação em Nova York, produtores em Minas Gerais seguem negociando o café entre R$ 1.700 e R$ 1.850 por saca.
Um dos fatores apontados para essa diferença é o chamado “seller strike”, quando produtores optam por segurar o café e adiar as vendas à espera de preços considerados mais atrativos. Segundo os relatos apresentados, parte dos produtores estaria trabalhando com um piso psicológico próximo de R$ 2.000 por saca.
Na prática, isso reduz o volume de café disponível no mercado, mesmo quando existe produto armazenado nas propriedades. O produtor que possui condições financeiras para esperar pode escolher não vender imediatamente. Já quem precisa de caixa para pagar despesas, financiamentos ou custeio tende a ter menos espaço para segurar a produção.
Outro ponto de atenção está no mercado futuro. O relatório de posicionamento dos agentes, com data-base de 4 de agosto, mostrou fundos reduzindo posições compradas e aumentando posições vendidas. O saldo líquido comprado caiu para 31.441 contratos, enquanto o interesse em aberto avançou para 168.814 contratos.
Os estoques certificados de café na ICE também chamam atenção. Em 10 de agosto, estavam em 242.673 sacas, segundo os dados apresentados no material, o menor nível em mais de 25 anos. Desde o início de julho, a redução teria chegado a 130.337 sacas, ou 35%.
Para você, produtor, esse cenário mostra que volume produzido e volume efetivamente disponível para venda são coisas diferentes. Café armazenado na fazenda não entra automaticamente no mercado. Ele precisa ser vendido, classificado, embarcado e, em determinados casos, certificado para chegar aos estoques monitorados pelas bolsas.
Os preços também variam bastante conforme a região e a qualidade. Na referência apresentada para 10 de agosto, a Cooxupé registrava R$ 1.835 por saca, enquanto o Oeste da Bahia estava em R$ 1.685. Cafés especiais peneira 17/18 chegaram a R$ 1.800 a R$ 2.000, enquanto o tipo rio ficou entre R$ 1.300 e R$ 1.350.
No conilon capixaba, a situação era diferente. Os preços permaneciam entre R$ 1.035 e R$ 1.045 por saca, mostrando que a dinâmica do arábica não necessariamente se repete no mercado de conilon.
Para o produtor, o principal alerta é não olhar apenas a cotação de Nova York. Antes de decidir vender ou armazenar, compare o preço futuro com o valor efetivamente recebido na sua região, considerando qualidade, diferencial, frete, custos financeiros e condições de comercialização.