Agricultura

ONU reconhece iniciativa da Embrapa como referência mundial em restauração do Cerrado

Projeto Araticum é o segundo do país a receber título da Década da Restauração de Ecossistemas; meta é recuperar 2 milhões de hectares até 2030.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
Todd Brown
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O Brasil acaba de receber um importante reconhecimento internacional por seus esforços na recuperação de um dos biomas mais ameaçados do país. A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou, durante a 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, que a iniciativa Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro foi selecionada como uma das Iniciativas de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).

O título, concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), faz do Brasil o único país, até o momento, com duas iniciativas consideradas referências mundiais em restauração de ecossistemas.

O que é a Araticum?

Criada em 2020, a Araticum é uma rede colaborativa multissetorial que reúne mais de 180 organizações, incluindo pesquisadores, povos indígenas, comunidades tradicionais (geraizeiros, quilombolas), agricultores familiares e o setor privado. O objetivo é promover a restauração do Cerrado em larga escala, integrando o conhecimento científico ao saber tradicional para conservar a água, o clima e a sociobiodiversidade.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que coordena o eixo de produção e difusão de conhecimento técnico da rede, tem papel fundamental no projeto. A instituição contribui com métodos eficientes de restauração, como a semeadura direta (tecnologia da "muvuca") e a regeneração natural assistida, além de protocolos de monitoramento da vegetação nativa.

"O reconhecimento da ONU valida um modelo no qual a pesquisa científica compõe redes territoriais multissetoriais", afirma o pesquisador Daniel Vieira, da Embrapa, membro da coordenação da Araticum.

Números que impressionam

Os resultados da iniciativa já são expressivos:

- 27 mil hectares mapeados e monitorados continuamente por plataforma digital georreferenciada.

- Mais de 150 espécies de plantas nativas do Cerrado (árvores, arbustos e gramíneas) tiveram sementes coletadas e aplicadas em campo.

- Ações diretas de restauração em nove estados brasileiros.

- A meta é alcançar 2 milhões de hectares restaurados até 2030, contribuindo para o compromisso nacional de restaurar 12 milhões de hectares.

A iniciativa integra o grupo de 30 Iniciativas de Referência da ONU, que juntas somam quase 20 milhões de hectares em recuperação e visam atingir 75 milhões de hectares até 2030, gerando mais de 800 mil empregos.

Benefícios além do meio ambiente

Além dos ganhos ambientais — como a proteção da água e do solo e o sequestro de carbono —, a Araticum também fortalece a economia local. A restauração impulsiona a cadeia produtiva, envolvendo redes de coletores comunitários de sementes (com forte protagonismo de mulheres e jovens), viveiristas e prestadores de serviços de monitoramento.

Programas de Pagamento por Serviços Ambientais e a implementação de sistemas agroflorestais e silvipastoris com espécies nativas de valor econômico — como araticum, baru e pequi — oferecem aos produtores rurais alternativas produtivas sustentáveis e rentáveis.

Se você tem áreas de Reserva Legal (RL) ou Área de Preservação Permanente (APP) em sua propriedade, a restauração com espécies nativas pode ser uma oportunidade de gerar renda e cumprir a legislação ambiental. A tecnologia da "muvuca", por exemplo, permite cobrir extensas áreas degradadas com baixo custo e alta diversidade biológica, garantindo resiliência frente às mudanças climáticas.

Além disso, a integração com sistemas agroflorestais e silvipastoris pode diversificar a produção, agregar valor à propriedade e abrir portas para programas de Pagamento por Serviços Ambientais.

🔧 Orientações:

1. Conheça a legislação ambiental: verifique se sua propriedade tem áreas de Reserva Legal ou APP que precisam ser recuperadas. A regularização ambiental é o primeiro passo para acessar programas de incentivo.

2. Busque assistência técnica: procure instituições como a Embrapa, o Sebrae ou cooperativas para orientações sobre métodos de restauração adequados ao Cerrado.

3. Considere a restauração como investimento: a recuperação de áreas degradadas pode gerar retorno financeiro por meio de Pagamento por Serviços Ambientais, créditos de carbono e sistemas produtivos sustentáveis.

4. Participe de redes e iniciativas: a Araticum mostra que a colaboração entre diferentes atores é essencial para alcançar escala. Procure iniciativas similares na sua região.

5. Fique de olho nas oportunidades internacionais: com o reconhecimento da ONU, a Araticum atrai visibilidade e investimentos. Produtores engajados podem se beneficiar de parcerias e projetos de cooperação internacional.

O reconhecimento da ONU à Araticum é um marco para a restauração do Cerrado e um exemplo de que ciência, conhecimento tradicional e parcerias podem gerar impacto positivo para o meio ambiente, a sociedade e a economia rural.

Fonte: Embrapa.

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