Agricultura

Estudo revela fórmula para maximizar trigo com menos água

A pesquisa avaliou durante duas safras os efeitos de diferentes frequências de irrigação, níveis de nitrogênio e variedades de trigo.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Um estudo conduzido por pesquisadores do Indian Institute of Technology Roorkee, publicado na revista Scientific Reports, traz respostas práticas para um dos maiores desafios do produtor de trigo em regiões subtropicais: como produzir mais com menos água e fertilizante .

A pesquisa, liderada por Anuj Kumar Dwivedi e sua equipe, avaliou durante duas safras (2018/19 e 2019/20) os efeitos de diferentes frequências de irrigação, níveis de nitrogênio e variedades de trigo. O experimento foi conduzido em Roorkee, no norte da Índia, região com clima subtropical semelhante a áreas do Brasil, como o Cerrado e parte do Sul do país .

O equilíbrio entre água e nitrogênio

Os resultados mostraram que a frequência da irrigação tem influência muito maior sobre a produtividade do que a quantidade de nitrogênio aplicada. Quatro irrigações combinadas com a dose recomendada de nitrogênio (75 kg N/acre) produziram a maior produtividade de grãos. O estudo revelou que aumentar o nitrogênio para 90 kg/acre não trouxe ganhos significativos — pelo contrário, aumentou o consumo de água e reduziu a eficiência .

O grande destaque ficou para a estratégia de irrigação deficitária: três irrigações ao longo do ciclo, embora reduzissem levemente a produtividade, aumentaram significativamente a eficiência do uso da água, com economia de até 26% no consumo.

Variedade mais tolerante à seca

Entre as três variedades testadas, a HD2967 se destacou com o maior rendimento de grãos e maior tolerância à seca, apresentando um fator de resposta ao déficit hídrico (Ky) de 0,51 — o que indica que a variedade perde menos produtividade em condições de estresse hídrico em comparação com as demais. Em contraste, a UP2584 teve Ky de 0,18, mostrando-se mais sensível à falta de água .

Método mais preciso para estimar evapotranspiração

O estudo também avaliou diferentes métodos para estimar a necessidade de água do trigo. O método FAO Penman-Monteith foi o que apresentou melhor aderência aos valores reais de evapotranspiração, com erros mínimos (MAE de 0,18 e RMSE de 0,22), confirmando sua confiabilidade para planejamento de irrigação em condições subtropicais .

Resultados práticos

A combinação que trouxe o melhor resultado foi:

  • 4 irrigações distribuídas nos estádios fenológicos críticos

  • 75 kg de N por acre (dose recomendada)

  • Variedade HD2967 — maior produtividade e tolerância à seca

Com essa estratégia, o estudo alcançou produtividades de até 3.398 kg/acre (na safra 2019/20), com produtividade da água entre 1,52 e 1,57 kg/m³ e eficiência do uso da água de irrigação de 1,27 a 1,35 kg/m³ .

As condições climáticas do norte da Índia são similares a vastas áreas do Brasil — com verões quentes e invernos secos —, o que torna os resultados diretamente aplicáveis ao cultivo de trigo no Cerrado, no Paraná e no Rio Grande do Sul. A mensagem central é: nem sempre mais água ou mais fertilizante significam mais produtividade. A chave está na gestão precisa dos recursos.

🔧 Orientações:

  1. Revise seu manejo de irrigação: o estudo mostra que irrigações em excesso podem ser ineficientes. Identifique os estádios críticos do trigo (perfilhamento, elongação, emborrachamento e enchimento de grãos) e concentre a água nesses momentos.

  2. Evite o excesso de nitrogênio: aplicar além do recomendado não traz ganhos de produtividade e ainda aumenta o consumo de água — um custo duplo para o bolso.

  3. Escolha cultivares mais tolerantes: assim como a HD2967 se destacou no estudo, no Brasil existem cultivares com maior tolerância ao estresse hídrico. Converse com seu assistente técnico sobre as opções disponíveis para sua região.

  4. Use o método Penman-Monteith para planejar: se possível, utilize estações meteorológicas ou ferramentas de suporte à decisão que empregam esse método para estimar a necessidade de água da sua lavoura. A precisão faz a diferença.

  5. Monitore o solo: o estudo usou medições de umidade do solo para determinar o momento certo de irrigar. Invista em sensores ou métodos práticos (como a análise da camada superficial) para evitar irrigações desnecessárias.

Fonte: scientific reports

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