Agricultura

Embrapa ganha prêmio por pesquisa em saúde do solo

A trajetória de Ieda também envolve pesquisas em microbiologia do solo, ecologia microbiana e fixação biológica de nitrogênio.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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A pesquisadora Ieda Mendes, da Embrapa Cerrados, recebeu nesta segunda-feira (10) o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade 2026, concedido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). O reconhecimento ocorreu durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo (SP), e destaca décadas de trabalho voltado à saúde e à qualidade biológica dos solos brasileiros.

Ieda atua há cerca de quatro décadas na Embrapa e teve participação importante no desenvolvimento da BioAS (Bioanálise de Solo), tecnologia lançada em 2020 após 20 anos de pesquisas. A ferramenta funciona como uma espécie de “exame de sangue do solo”, utilizando indicadores biológicos relacionados à matéria orgânica para avaliar se o solo está saudável, em recuperação, adoecendo ou doente.

Para quem produz, essa avaliação ajuda a enxergar características do solo que não aparecem apenas nas análises químicas tradicionais. Um solo biologicamente ativo tende a apresentar maior capacidade de armazenar água, sequestrar carbono e resistir a períodos de estresse climático.

Segundo a pesquisadora, atualmente existe uma rede de cerca de 30 laboratórios comerciais conectados à Embrapa para realizar análises de saúde do solo. Essa estrutura já permitiu reunir mais de 71 mil amostras em um banco de dados nacional, formando uma importante base de informações sobre as condições biológicas dos solos brasileiros.

Na prática, o conceito reforça uma mudança na forma de avaliar a qualidade do solo. Além de observar nutrientes, acidez e outros indicadores químicos, o produtor pode acompanhar também a atividade biológica e a matéria orgânica, buscando entender melhor como o solo responde ao manejo adotado.

Esse acompanhamento ganha importância em sistemas sujeitos a períodos de seca, excesso de chuva e outras condições climáticas adversas. A saúde do solo está relacionada à capacidade de armazenar água, manter processos biológicos e sustentar a produtividade ao longo do tempo.

A trajetória de Ieda também envolve pesquisas em microbiologia do solo, ecologia microbiana e fixação biológica de nitrogênio. A pesquisadora ingressou na Embrapa em 1989, depois de se formar em Agronomia pela Universidade de Brasília (UnB), e posteriormente concluiu doutorado em Ciência do Solo.

O prêmio leva o nome de Norman Borlaug, geneticista norte-americano que teve papel de destaque na Revolução Verde e recebeu o Nobel da Paz em 1970. A premiação busca reconhecer profissionais que unem ciência, inovação e sustentabilidade no agronegócio.

Para você, produtor, o principal recado é direto: não olhe para o solo apenas como um reservatório de nutrientes. Acompanhar sua saúde biológica pode ajudar a identificar problemas de manejo e orientar decisões para construir um sistema produtivo mais eficiente e resiliente.

Fonte: Embrapa.

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