Agricultura

Algodão: dólar muda o jogo no fim de outubro

Mercado interno tem mês de baixa liquidez e queda nos preços, mas reage na reta final com valorização do dólar e alta de 1,7% em cinco dias

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) divulgou nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, um boletim sobre o mercado interno de algodão em pluma. Na maior parte de outubro, o setor foi marcado pela baixa liquidez, pela cautela dos agentes e pela queda nos preços. Mas a reta final do mês trouxe uma reviravolta. Se você produz ou negocia algodão, vale entender o que mudou e o que isso significa para o seu bolso.

Como foi outubro

Segundo pesquisadores do Cepea, os vendedores realizaram negócios pontuais e deram prioridade ao cumprimento de contratos a termo — aqueles em que o preço é travado hoje para entrega futura. Do lado comprador, as indústrias preferiram utilizar estoques e volumes já contratados. Com isso, estiveram menos ativas nas aquisições de novos lotes. O resultado foi um mercado parado na maior parte do mês.

A virada no fim do mês

Na reta final de outubro, porém, a forte valorização do dólar frente ao Real elevou a paridade de exportação. A paridade de exportação é o preço que o produto teria no mercado interno se fosse vendido lá fora, considerando o câmbio e os custos de exportação. Ela funciona como uma referência para o setor.

A cotação interna, que havia permanecido acima dessa referência durante a maior parte de outubro, passou a operar abaixo dela a partir do dia 26. Atentos a esse movimento, vendedores consultados pelo Cepea firmaram suas posições. Ou seja: com o algodão brasileiro mais competitivo lá fora, quem tinha produto para vender se posicionou, e isso resultou em reação dos preços domésticos.

Os números do mês

No balanço mensal, entre 30 de setembro e 30 de outubro, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em oito dias, caiu 1,05%, fechando em R$ 4,1302/lp no dia 30. A sigla "lp" significa libra-peso, unidade usada no comércio de algodão. Apenas entre 26 e 30 de outubro, no entanto, o Indicador avançou 1,7%.

Em média, a cotação interna ficou 1,3% acima da paridade de exportação no mês. Na última semana do mês, porém, operou, em média, 3,8% abaixo. Esses números mostram com clareza a mudança de cenário provocada pelo câmbio.

Por que isso importa para você

Se você é produtor de algodão, o mês de outubro teve dois momentos bem distintos. Na maior parte do período, o mercado esteve lento e os preços caíram. Na última semana, o dólar valorizado reanimou o setor e os preços reagiram.

Isso significa que o câmbio está funcionando como um termômetro para o mercado de algodão. Quando o dólar sobe, o algodão brasileiro fica mais competitivo no exterior, a paridade de exportação sobe e o preço interno tende a acompanhar. Quando o dólar cai, o movimento é inverso.

Quem tem algodão estocado deve ficar atento a esse vaivém. Quem já cumpriu contratos a termo está com parte da produção garantida, mas ainda pode aproveitar as oscilações para negociar o restante.

🔧 Dica prática para você

Acompanhe diariamente o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma e a paridade de exportação. Se você tem estoque para vender, defina um preço-alvo e avalie a chance de fechar negócio quando a cotação interna ficar próxima ou acima da paridade de exportação. Se o dólar continuar valorizado, o mercado interno tende a reagir. E se você trabalha com contratos a termo, mantenha o cumprimento em dia e use o saldo livre para aproveitar as janelas de alta. Negociar com informação vale mais do que decidir no impulso.

Fonte: Cepea.

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