Agro entra na era da agricultura digital (IA, IoT e conectividade)
Os resultados já aparecem em projetos-piloto.
A conectividade no campo deixou de ser apenas uma forma de levar sinal de internet às fazendas. Agora, o próximo passo é transformar os dados gerados pelas operações agrícolas em inteligência para apoiar decisões, reduzir custos e aumentar a eficiência da produção. Essa é a nova estratégia anunciada pela TIM Brasil para o agronegócio.
Depois de expandir sua cobertura 4G para 27,3 milhões de hectares e disponibilizar a tecnologia NB-IoT (rede voltada para internet das coisas) em 54 milhões de hectares, a empresa passa a investir em soluções de computação em nuvem, inteligência artificial e análise de dados. Segundo a operadora, a infraestrutura já atende cerca de 348 mil propriedades rurais e beneficia aproximadamente 2,8 milhões de pessoas em regiões agrícolas.
A proposta é utilizar as informações coletadas por máquinas, sensores, drones e equipamentos conectados para gerar recomendações mais precisas ao produtor. Entre as aplicações previstas estão sistemas de manutenção preditiva de máquinas agrícolas, monitoramento remoto das operações, gestão integrada das fazendas e plataformas capazes de analisar imagens para acompanhar a saúde das lavouras.
Para acelerar essa estratégia, a TIM concluiu em 2026 a aquisição da V8.Tech, empresa especializada em computação em nuvem, integração de sistemas, análise de dados e desenvolvimento de aplicações corporativas. Com isso, a operadora amplia sua atuação e passa a oferecer soluções que vão além da conectividade, posicionando-se como parceira da gestão das propriedades rurais.
Um dos destaques é o desenvolvimento dos chamados Centros de Operação Agrícola (COAs), estruturas digitais que permitem acompanhar, em tempo real, diferentes atividades da fazenda em um único ambiente. A tecnologia facilita o monitoramento da produção, auxilia na tomada de decisão e permite respostas mais rápidas diante de problemas operacionais.
Os resultados já aparecem em projetos-piloto. Segundo dados da Fazenda Conectada, desenvolvida em Água Boa (MT), a área monitorada registrou produtividade 27% superior à média nacional na safra 2024/25, demonstrando o potencial da combinação entre conectividade, monitoramento e análise inteligente de dados.
Para o produtor rural, essa transformação representa uma nova fase da agricultura digital. Se antes o principal desafio era levar internet para o campo, agora o foco está em transformar informações em decisões mais rápidas, reduzir desperdícios, aumentar a eficiência operacional e melhorar a rentabilidade da propriedade.
🔧 Orientação: Se sua propriedade já possui acesso à internet rural, avalie gradualmente a adoção de sensores, plataformas de monitoramento e softwares de gestão. A qualidade da conectividade é importante, mas o maior ganho está em utilizar os dados gerados pela fazenda para tomar decisões mais precisas ao longo da safra.
Fonte: Bloomberg.