Agricultura

Como a produção mudou a paisagem chinesa

O estudo identificou que as áreas agrícolas permaneceram como o principal tipo de uso da terra no delta do Rio Amarelo durante todo o período.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Um estudo publicado na Scientific Reports analisou quatro décadas de mudanças no uso da terra no Delta do Rio Amarelo, na China. Os pesquisadores compararam imagens de satélite de 1980, 1990, 2000, 2010 e 2020 para entender como áreas agrícolas, zonas úmidas, aquicultura e áreas construídas se transformaram ao longo do período.

Os resultados mostram uma forte mudança na paisagem. Entre 1980 e 2020, as áreas cultivadas aumentaram 673,12 km², enquanto as áreas destinadas à aquicultura cresceram 1.212,98 km², o maior avanço registrado entre as categorias analisadas. As áreas construídas também aumentaram 497,63 km².

Ao mesmo tempo, ambientes naturais perderam espaço. As áreas de pastagem diminuíram 991,43 km², enquanto as salinas tiveram redução de 1.030,95 km². As zonas úmidas costeiras também recuaram 292,72 km² durante o período analisado.

Agricultura ganhou espaço na paisagem

O estudo identificou que as áreas agrícolas permaneceram como o principal tipo de uso da terra no delta durante todo o período. O chamado índice de maior fragmento, usado para avaliar a predominância de uma categoria na paisagem, permaneceu acima de 20 para as áreas cultivadas.

A expansão da aquicultura também chamou atenção. A participação dessas áreas na paisagem aumentou de forma significativa, especialmente a partir das transformações ocorridas nas regiões costeiras.

Segundo os pesquisadores, atividades humanas, como expansão da aquicultura, construção urbana e desenvolvimento de infraestrutura, tiveram papel importante nas mudanças observadas.

O que isso mostra para o campo?

O levantamento também mostra que a forma como diferentes usos da terra são distribuídos pode mudar a conectividade e a fragmentação da paisagem.

Antes de 2000, os indicadores apontaram aumento da fragmentação. Depois desse período, alguns índices passaram a indicar uma leve redução dessa fragmentação e maior concentração dos diferentes tipos de uso da terra.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores utilizaram imagens Landsat e classificaram a região em nove categorias, incluindo agricultura, florestas, pastagens, água, zonas úmidas costeiras, aquicultura, áreas construídas, salinas e áreas sem uso definido. A classificação apresentou precisão superior a 85% nos cinco períodos analisados.

Outro resultado importante foi a definição da escala mais adequada para analisar essas mudanças. Os pesquisadores concluíram que uma resolução entre 150 e 160 metros apresentou maior estabilidade para os indicadores utilizados, escolhendo 160 metros como escala ideal para a análise da paisagem.

Por que esse resultado importa?

Para quem trabalha com agricultura, o estudo reforça que a expansão da produção não acontece de forma isolada. Mudanças em áreas agrícolas, água, vegetação e infraestrutura alteram a organização de toda a paisagem.

O acompanhamento por imagens de satélite permite identificar essas transformações ao longo dos anos e pode ajudar no planejamento do uso da terra, na conservação ambiental e na definição de áreas prioritárias para recuperação.

Na prática: o monitoramento da paisagem pode ser uma ferramenta importante para conciliar produção agrícola, conservação de recursos naturais e planejamento territorial, especialmente em regiões onde diferentes atividades disputam espaço.

Fonte: Nature.

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