Agricultura

Agro cresce, mas falta planejamento

O Plano Safra 2025/2026 liberou R$ 516,2 bilhões, mas houve queda de 30% nas linhas de investimento nos primeiros nove meses, segundo o MAPA.

Daniel Scotá
Especialista
3 min de leitura
Agro
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O agronegócio brasileiro segue batendo recordes de produção e exportação, mas enfrenta um problema estrutural: cresce sem uma base sólida de planejamento de longo prazo. Essa é a avaliação de Alfredo Miguel Neto, da John Deere, durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto.

Segundo ele, o Brasil precisa de um “plano de Estado” para o agro — ou seja, uma estratégia contínua de 10 a 20 anos, independente de governos. Hoje, mesmo com forte desempenho, o setor esbarra em limitações como falta de armazenagem, logística cara, crédito restrito e baixa cobertura de seguro rural.

Os números mostram o tamanho da importância — e do problema. Em 2025, o agro representou 25,13% do PIB brasileiro, com receita de R$ 3,2 trilhões, segundo dados do Cepea em parceria com a CNA. Mesmo assim, a infraestrutura não acompanha o ritmo.

Na armazenagem, por exemplo, o Brasil tem capacidade para estocar cerca de 70% da produção. Nos Estados Unidos, esse número chega a 140%. Isso obriga você, produtor, a vender no pico da colheita — justamente quando os preços e os fretes estão mais pressionados.

No transporte, a situação também pesa. Cerca de 90% dos grãos são movimentados por rodovias, o modal mais caro. A distância média até os portos chega a 625 km, muito acima da média americana de 80 km. Resultado: custo logístico elevado e perda de competitividade.

No crédito, o cenário também limita investimentos. O Plano Safra 2025/2026 liberou R$ 516,2 bilhões, mas houve queda de 30% nas linhas de investimento nos primeiros nove meses, segundo o Ministério da Agricultura. O motivo principal é o custo alto do dinheiro, que tem travado decisões no campo.

🔧 Orientação:


Se você colhe soja ou milho, provavelmente já enfrentou isso: precisa vender rápido por falta de armazém e paga mais caro no frete por causa da distância e da dependência de caminhões. Ao mesmo tempo, investir em estrutura própria ou máquinas fica mais difícil com juros elevados.

Para Miguel Neto, esses gargalos não são isolados. Eles mostram a ausência de um planejamento de longo prazo. Um exemplo positivo citado por ele é a Embrapa, criada nos anos 1970, que transformou a produtividade agrícola do país com visão estratégica.

Além de infraestrutura, ele defende investimentos em irrigação, seguro rural, crédito acessível e até comunicação internacional para mostrar como o Brasil produz — não só quanto produz.


Diante desse cenário, o caminho é focar no que está ao seu controle: gestão. Avalie bem o custo logístico, busque alternativas de armazenagem (própria ou compartilhada) e planeje investimentos com base no fluxo de caixa. Em um ambiente sem previsibilidade, quem controla melhor os custos e os riscos sai na frente.

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