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Carne mais cara pressiona fast-food

A Restaurant Brands International, dona de marcas como Burger King e Tim Hortons, divulgou resultados levemente acima do esperado no primeiro trimestre de 2026.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Carne
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Segundo a agência Reuters, o aumento no custo da carne bovina já começa a impactar grandes redes globais de alimentação — e isso tem reflexo direto na cadeia do agro.

A Restaurant Brands International, dona de marcas como Burger King e Tim Hortons, divulgou resultados levemente acima do esperado no primeiro trimestre de 2026. O crescimento foi puxado principalmente pela demanda mais forte por refeições mais acessíveis nos Estados Unidos.

As vendas em mesmas lojas do Burger King no mercado americano cresceram 5,8%, revertendo a queda de 1,1% registrada no ano anterior. Esse avanço foi sustentado por estratégias de preço mais baixo, como promoções entre US$ 5 e US$ 7 e ofertas pontuais, como o cheeseburger duplo a US$ 4,99.

No total, a empresa registrou crescimento de 3,2% nas vendas comparáveis, com receita de US$ 2,26 bilhões e lucro ajustado por ação de 86 centavos — acima da expectativa de 82 centavos.

Apesar disso, o mercado reagiu negativamente. As ações da empresa caíram cerca de 4%, pressionadas pelo desempenho mais fraco da rede Tim Hortons e, principalmente, pelo aumento no custo das commodities.

A carne bovina, que representa cerca de 25% da cesta de insumos da companhia, foi um dos principais fatores de pressão. A empresa já projeta inflação de custos na faixa de um dígito médio ao longo do ano.

Outras gigantes do setor seguem o mesmo movimento. A Yum Brands também superou expectativas recentemente com foco em produtos de menor preço, enquanto a McDonald's mantém atenção total ao comportamento do consumidor diante do custo de vida elevado.

🔧 Orientação:
Se você trabalha com pecuária, esse cenário indica uma demanda ainda firme por carne, mas com maior sensibilidade a preço. Ou seja, frigoríficos e compradores podem pressionar margens quando o consumo final começa a reagir ao custo mais alto.

Por outro lado, para quem está na produção de grãos, especialmente milho e soja, há um efeito indireto: o custo da ração também influencia o preço da carne e o equilíbrio dessa cadeia.


Fique atento ao comportamento do consumo global. Quando redes de alimentação passam a focar em produtos mais baratos, isso sinaliza pressão na renda do consumidor — e pode impactar os preços da carne no médio prazo. Monitorar esse movimento ajuda você a tomar decisões melhores de venda e planejamento da produção.

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