Agrishow mostra agro mais cauteloso
O evento recebeu 195 mil visitantes, número 1,5% abaixo do esperado, e movimentou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios — uma queda de 22% em relação ao ano anterior
A Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto, trouxe um recado claro do campo: o produtor está mais cauteloso. O evento recebeu 195 mil visitantes, número 1,5% abaixo do esperado, e movimentou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios — uma queda de 22% em relação ao ano anterior.
É importante entender: esses valores não representam vendas fechadas. São negociações que ainda dependem de crédito, financiamento e garantias. E é justamente aí que está o principal travamento do mercado hoje.
Segundo análise de Marcelo Brito, o comportamento do agro mudou. Se antes havia mais decisões por impulso, agora o produtor compra com base em conta na ponta do lápis. O foco está no que gera resultado imediato: aumento de produtividade ou redução de custo.
A expansão de área e investimentos mais arriscados ficaram em segundo plano.
Outro ponto central é o custo do dinheiro. Dados do Banco Central do Brasil mostram crédito mais caro e aumento da inadimplência. Isso faz com que muitos produtores adiem decisões maiores, esperando um cenário mais favorável.
No ambiente internacional, o ritmo também desacelerou. Projeções da OCDE e da FAO indicam crescimento mais moderado da demanda global por alimentos. Isso pressiona margens e exige um agro mais eficiente e técnico.
Além disso, o ano eleitoral entra no radar. Mesmo sem impacto direto imediato, o setor acompanha com atenção temas como crédito rural, segurança jurídica e estabilidade regulatória. Isso contribui para postergar decisões de maior porte.
Outro alerta importante são as vulnerabilidades estruturais do Brasil. A forte dependência de fertilizantes importados e energia eleva custos e limita a competitividade do agro no longo prazo.
🔧 Orientação:
Se você participou da feira ou acompanhou de perto, provavelmente percebeu menos fechamento imediato de negócios e mais conversas, cotações e análises. Máquinas e tecnologias continuam sendo buscadas, mas só entram na conta quando mostram retorno rápido.
Neste cenário, o ideal é reforçar o planejamento financeiro. Antes de investir, avalie o custo do crédito, o retorno por hectare e o impacto direto na sua margem. Priorize tecnologias que reduzam custo ou aumentem eficiência no curto prazo — esse é o comportamento que está dominando o mercado hoje.