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Petróleo caro pressiona fertilizantes e alimentos

Uma pesquisa da entidade aponta que 70% dos produtores norte-americanos não conseguiram adquirir todo o volume de fertilizantes necessário para a safra.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Petróleo
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A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a pesar no bolso do produtor rural. Segundo dados divulgados por órgãos dos Estados Unidos, o aumento do preço do petróleo está elevando os custos de combustíveis e fertilizantes, criando um efeito em cadeia que pode impactar diretamente a produção de alimentos.

Nos últimos dias, o preço da gasolina nos EUA chegou a US$ 4,12 por galão, bem acima dos US$ 2,80 registrados no início do ano. Esse avanço acompanha a alta do petróleo, com o Brent atingindo cerca de US$ 112,20 por barril e o WTI em torno de US$ 100,40. Esse movimento está diretamente ligado à instabilidade geopolítica, que reduz a previsibilidade da oferta global de energia.

Para o agro, o impacto é imediato. Isso porque os fertilizantes nitrogenados — como ureia e amônia — são produzidos a partir do gás natural, que por sua vez acompanha o mercado energético. Quando o petróleo sobe, o custo desses insumos também aumenta.

Além disso, o diesel agrícola, essencial para operações de plantio, pulverização e colheita, registrou alta de 46% desde o fim de fevereiro, segundo a American Farm Bureau Federation. Esse aumento pressiona diretamente o custo operacional dentro da porteira.

Os reflexos já aparecem no campo. Uma pesquisa da entidade aponta que 70% dos produtores norte-americanos não conseguiram adquirir todo o volume de fertilizantes necessário para a safra. Em algumas regiões, como o Sul dos EUA, apenas 19% dos produtores haviam garantido os insumos antes do plantio.

Mesmo com previsão de leve alta na renda líquida das fazendas em 2026 — estimada em US$ 158,5 bilhões —, o ganho real é limitado quando ajustado pela inflação. Na prática, a renda operacional segue pressionada, e muitos produtores dependem de receitas fora da propriedade para manter o equilíbrio financeiro.

Esse cenário reforça um ponto importante: quando o custo de produção sobe e o uso de insumos é reduzido, a tendência é de menor produtividade. E isso, mais à frente, pode resultar em menor oferta de alimentos e pressão nos preços ao consumidor.

🔧 Orientação:
Se você trabalha com milho ou soja, sabe que o nitrogênio é um dos insumos mais caros e decisivos para produtividade. Se o fertilizante sobe e você reduz a dose para cortar custo, pode economizar no curto prazo, mas corre o risco de perder rendimento na colheita — o que pesa mais no final da conta.


Diante desse cenário, vale revisar seu planejamento de adubação com base em análise de solo e priorizar eficiência. Ajustar doses, investir em manejo que reduza perdas (como parcelamento ou uso de fontes mais eficientes) e antecipar compras quando possível pode ajudar a proteger sua margem em um momento de alta volatilidade.

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