Pecuária

Uso de leonardita para melhorar a matéria orgânica do solo

Daniel Scotá
Especialista
4 min de leitura
Uso de leonardita para melhorar a matéria orgânica do solo
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A leonardita é um material orgânico natural resultante da oxidação da lignite (um tipo de carvão mineral de baixo grau), com alto teor de ácidos húmicos e fúlvicos, que são componentes-chave da matéria orgânica do solo.

Foto retirada do artigo: Uso de substâncias húmicas para melhoramento de um latossolo amarelo distrocoeso

Características principais:

  • Origem: Forma-se em condições específicas ao longo de milhares de anos, a partir da decomposição de resíduos vegetais, em ambientes com pouca oxigenação.
  • Aspecto: É um material de cor marrom-escura a preta, leve e poroso.
  • Composição: Rica em carbono orgânico, com concentrações elevadas de ácidos húmicos (até 80%), além de minerais e outros compostos orgânicos.

Usos na agricultura:

  • Condicionador de solo: Melhora a estrutura, aeração e retenção de água.
  • Estimulante de raízes: Os ácidos húmicos promovem maior desenvolvimento radicular.
  • Aumento da eficiência de fertilizantes: Ajuda na retenção e absorção de nutrientes pelas plantas.
  • Recuperação de solos degradados: Favorece a reativação da microbiota e a formação de húmus.

A leonardita é uma fonte natural de ácidos húmicos e fúlvicos, que são frações da matéria orgânica altamente reativas e biologicamente ativas. Esses compostos promovem a formação de agregados estáveis no solo, melhoram a capacidade de retenção de água e nutrientes e estimulam a atividade microbiana.

Veja também: A Importância da Matéria Orgânica no Solo

Evidências científicas:

  • Canellas et al. (2015) demonstraram que os ácidos húmicos extraídos da leonardita podem estimular a atividade de microrganismos benéficos e favorecer a formação de húmus estável.
  • Olivares et al. (2017) observaram que a aplicação de leonardita aumentou o carbono orgânico total em solos arenosos, especialmente em sistemas de produção intensiva.

Portanto, embora a leonardita por si só não substitua práticas como adubação orgânica e cobertura vegetal, ela pode ser uma aliada importante na construção e manutenção da matéria orgânica do solo.

Formas comuns de aplicação:

  1. Leonardita in natura (pó ou granulado): aplicada diretamente ao solo.
  2. Extratos húmicos líquidos (derivados da leonardita): aplicados via fertirrigação, pulverização foliar ou sulco de plantio.

Dosagens e modos de uso recomendados

Leonardita sólida (pó ou granulado)

  • Dose comum: 300 a 1.000 kg/ha por ano.
  • Modo de aplicação: incorporada ao solo antes do plantio ou em cobertura, misturada com adubo ou esterco.
  • Culturas: usada em pastagens, culturas anuais, fruticultura e hortaliças.
  • Objetivo: melhorar a matéria orgânica, CTC e estrutura do solo a médio/longo prazo.

Extratos húmicos líquidos (ácidos húmicos e fúlvicos)

  • Dose comum via solo: 5 a 20 L/ha por aplicação.
  • Dose via foliar: 1 a 3 L/ha diluídos em 100 a 200 L de água.
  • Frequência: 1 a 3 aplicações por ciclo, dependendo da cultura.
  • Modo de aplicação: fertirrigação, pulverização foliar ou no sulco de plantio.
  • Objetivo: estimular raízes, absorção de nutrientes e crescimento inicial.

Cuidados antes de usar leonardita no solo

Apesar dos benefícios agronômicos, o produtor deve tomar alguns cuidados antes de investir no uso de leonardita:

  1. Avaliar o custo-benefício:
    A leonardita tem preço relativamente elevado. Seu uso só compensa quando inserido num plano de manejo mais amplo, com objetivos de médio a longo prazo (como aumento de matéria orgânica e melhoria da fertilidade).
  2. Desconfiar de produtos muito baratos:
    Algumas empresas misturam leonardita com materiais de baixa qualidade ou com pouco teor de ácidos húmicos, o que reduz drasticamente sua eficiência. Sempre exija laudo técnico, registro no MAPA e informações sobre a concentração de ácidos húmicos e fúlvicos.
  3. Considerar o tipo de solo:
    Solos arenosos e pobres em matéria orgânica tendem a responder melhor ao uso. Já solos muito argilosos ou ricos em húmus podem ter respostas menos perceptíveis.
  4. Integrar com boas práticas de manejo:
    Leonardita sozinha não faz milagre. Seu uso deve estar aliado a práticas como adubação orgânica, rotação de culturas, plantio direto e uso de coberturas vegetais.
  5. Começar com testes em áreas menores:
    Antes de aplicar em toda a área, o ideal é fazer ensaios em talhões pequenos para avaliar o retorno técnico e econômico.

Conclusão rápida:

A leonardita é uma ferramenta interessante, mas não é solução única. Usá-la com consciência técnica e dentro de um manejo integrado é o caminho para ter retorno real e sustentável no solo.

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