Transformações Recentes e Esperadas do Setor Agrícola: Mitos e Perspectivas de Mudanças
1 INTRODUÇÃO
Não resta dúvida que o setor da agricultura vem enfrentando crescentes desafios nas últimas décadas, complexificando-se cada vez mais em decorrência de mudanças que vêm ocorrendo em escala mundial. Estas abrangem não apenas as transformações ambientais que vêm sendo exponencialmente visíveis no planeta, quanto estruturais que vêm ocorrendo no mercado global de alimentos e no agronegócio. Inserem-se, aqui, as mudanças no perfil dos consumidores, que nitidamente se transformam em atores ativos nos processos das mudanças tecnológicas (CHAVES, 2010, RIBEIRO, 2015).
Salles-Filho e Bin (2014) acrescentam, por sua vez, que a entrada das grandes corporações e o intenso esforço privado em pesquisa e inovação, nesse setor, vem sendo fatores contribuidores da grande mudança que o século XXI vem testemunhando em muitos países no cenário da pesquisa agrícola. De fato, os desafios crescentes que a realidade hoje acarreta, provoca uma necessidade de transformação da agricultura em um setor cada vez mais dinâmico e competitivo, que esteja apto a responder prontamente às amplas demandas estratégicas no plano mundial, regional e local.
No Brasil, o setor agropecuário vem exibindo um desempenho notável, constituindo-se um dos lastros para superação da recessão e para atenuação dos problemas das contas públicas, e tendo encontrado mecanismos de autofinanciamento e de apropriação de conhecimentos. Nas últimas décadas, tem garantido a segurança alimentar em termos de estoques, contribuído para a redução dos preços dos alimentos e participado dinamicamente da balança comercial, bem como tem dado contribuições significativas para a retomada do crescimento econômico. Tal performance do setor não seria possível sem transformações na organização produtiva, derivadas da adoção de novos paradigmas com base em conhecimento científico aplicado e na assunção de riscos por parte de empreendedores. O que pode se constatar hoje, diante dos recentes ecossistemas locais de inovação, é que esta trajetória de conquistas incrementais de produtividade e de eficiência, tendem a se consolidar e a se expandir, exponencialmente, face às transformações do setor agrícola, em decorrência da adoção de preceitos da inteligência artificial e da indústria 4.0.
Inobstante a inequívoca performance e contribuição do agro para a economia brasileira, alguns mitos relacionados à impactos negativos por ele proporcionados, permanecem em parte do senso comum e mesmo em alguns ambientes acadêmicos. O primeiro deles é de que o moderno agro brasileiro é concentrador de terra, destruidor da fertilidade das terras e que avança descontroladamente sobre a fronteira agrícola. O segundo mito é que que a agricultura brasileira não preserva a natureza e o terceiro é que a agroecologia poderia se transformar em modelo de sistema agrícola e reforçar o papel da agricultura familiar, que responderia por 70% da produção de alimentos do Brasil.
O objetivo deste artigo é debater a possibilidade de mudanças radicais na agropecuária, em decorrência da introdução de inovações tecnológicas baseadas nos avanços na Inteligência Artificial e na Manufatura Avançada e cotejar esta trajetória com as propostas Noe obscurantistas da Agroecologia. Como metodologia adota a revisão de literatura (ou revisão narrativa), a qual é sempre recomendada para o levantamento da produção científica disponível e recente, que permite a (re)construção de conjuntos de pensamentos e conceitos, que articulam contribuições e possibilitam trilhar caminhos na direção daquilo que se deseja conhecer e explorar.
O paper está organizado em quatro tópicos. O primeiro trata das transformações em curso no setor agrícola, prosseguindo, no segundo tópico, com a discussão das transformações esperadas neste setor. Por fim, diante das exposições trazidas, os autores encerram com elementos conclusivos na sua visão, apoiados na realidade deflagrada na literatura revisada.
2. TRANSFORMAÇÕES EM CURSO
A performance do setor agropecuário no Brasil tem, nas últimas décadas, garantido a segurança alimentar em termos de estoques, contribuído para redução dos preços dos alimentos, participado dinamicamente da balança comercial e dado contribuições expressivas para retomada do crescimento econômico. Tendo encontrado mecanismos de autofinanciamento e de apropriação de conhecimentos, o setor mostra que se constitui hoje um dos lastros para superação da recessão e atenuação dos problemas das contas públicas. O sucesso da produção de alimentos e matérias primas de origem vegetal e animal do Brasil tem sido reconhecido em todo o mundo, a ponto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, seu acrônimo usual em inglês), braço das Nações Unidas, ver no país a possibilidade de cumprir metas mundiais de oferta de produtos agropecuários. Este desempenho não seria possível sem transformações na organização produtiva, derivadas da adoção de novos paradigmas com base em conhecimento científico aplicado e com base na assunção de riscos por parte de empreendedores.
A Tabela 1 a seguir, baseada nos resultados preliminares do Censo Agropecuário de 2017, evidencia o papel das ciências agrárias nas transformações e a magnitude do crescimento da produção e da produtividade no setor. Não obstante o avanço da produção e da produtividade, recente obra de Graziano e Navarro (2015) sugere que os últimos cenários relacionados ao agro brasileiro e ao desenvolvimento rural mostram que o rural brasileiro se encaminha celeremente para o desenvolvimento agrícola e não para o desenvolvimento rural, em decorrência de quatro características nele identificadas, quais sejam: despovoamento, concentração produtiva, concentração de renda e aumento da pobreza no meio rural.

Os dados comparativos dos censos agropecuários do Brasil, coletados em um intervalo de onze anos (2006-2017), mostra um panorama claro. O número de produtores sem área de plantio em 2017 é alentador, visto que houve uma redução de 30% do número daqueles que não possuem acesso à terra. Em outra direção de análise, apesar do número de estabelecimentos agropecuários presentes no território brasileiro ter praticamente se mantido nesse período (com somente 3% de redução) e da área total de estabelecimentos em hectares também praticamente não ter se alterado (com 3% de incremento), sendo também mantida a área média desses estabelecimentos em hectare (apenas 1% de aumento), houve um vertiginoso crescimento de 71% na safra total brasileira de grãos, cereais, leguminosas e oleaginosas, em milhões de toneladas.
Estes elementos, põem por terra o primeiro mito que seria o de que o moderno agro brasileiro é concentrador de terra, destruidor da fertilidade das terras e que avança descontroladamente sobre a fronteira agrícola. A estabilidade da área dos estabelecimentos e o aumento da produção em praticamente a mesma área, demovem estas afirmações.
Utilizando informações geradas por satélite de observação da Terra e estudos sobre o uso e ocupação das terras no Brasil com base no Cadastro Ambiental Rural (CAR), a Embrapa Territorial estima área efetivamente cultivada do Brasil em 65,93 milhões hectares. Esta está muito próxima daquela de 63,99 milhões de hectares, área estimada pela National Aeronautics and Space Administration (NASA), agência do Governo Federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial, sendo de apenas 0,2% a diferença entre ambas as medidas aqui consideradas.
Dados comparativos sobre o uso agrícola das terras em países mais industrializados mostram que o Brasil protege e preserva a vegetação nativa em mais de 66% de seu território e cultiva, apenas 7,6% das terras. Dados sobre o centro e o norte da Europa mostram que a Dinamarca cultiva 76,8%; a Irlanda, 74,7%; os Países Baixos, 66,2%; o Reino Unido 63,9% e a Alemanha 56,9%. A maior parte dos países desse continente utiliza 20% a 30% do território com agricultura. Os países membros da União Europeia usam entre 45% e 65%. Os Estados Unidos, 18,3%; a China, 17,7%; e a Índia, 60,5%. Os agricultores brasileiros cultivam apenas 7,6%, com muita tecnologia e profissionalismo.
Atualmente, 21% do Brasil é dedicado à preservação da vegetação nativa e da biodiversidade dentro de seus estabelecimentos. São mais de 177 milhões de hectares registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Esta trajetória de conquistas incrementais de produtividade e de eficiência, tende a se consolidar e se expandir exponencialmente, face às transformações do setor agrícola, em decorrência da adoção de preceitos da inteligência artificial e da indústria 4.0.
O somatório de áreas preservadas dentro dos imóveis rurais, um conceito de unidade de propriedade que é diferente do de estabelecimentos agropecuários que é unidade de gestão, em decorrência da já aplicação do Novo Código Florestal, demove ou contesta outro mito, o de que a agricultura brasileira não preserva a natureza.
3. TRANSFORMAÇÕES ESPERADAS
Em poucos anos a mecanização agrícola no Brasil tenderá a adotar os fundamentos, preceitos e recursos da Indústria 4.0, enquanto a Inteligência Artificial, a AI, estará presente tanto na mecanização inspirada na manufatura avançada como em todos os suportes, inclusive hardwares e softwares, sinalizadores para as máquinas e equipamentos de irrigação automatizados, provedores de alimentos, água e demais insumos para as plantas e animais, além de monitoramento de doenças e de variáveis meteorológicas.
Estes sistemas automatizados e, em certos casos, robotizados de atendimento das necessidades biológicas, estarão integrados com bancos de dados que armazenarão, volumes significativos (big data) que, somados às técnicas de mineração de dados e a modelos de inteligência computacional, gerarão informações para apoiar o suporte à decisão no campo. Farão parte dele os sistemas de gerenciamento microeconômico dos estabelecimentos agrícolas e de relacionamento com os serviços de assistência técnica e pesquisa em ciências agrárias e com todos os tipos de mercado ou de logística para movimentação de fluxos de produtos, bem como de provimento de insumos para as unidades produtivas e também com a rede de unidades participantes, de consórcios e cooperativas.
Este novo campo de conhecimento avançado está sendo chamado de AgroTIC. Nele o avanço tecnológico dos sensores, das imagens de drones, da internet das coisas (IoT) e dos algoritmos de análise, possibilitará acessar uma gama de dados antes considerada impossível. Isso se dará porque a computação cognitiva e a inteligência artificial, auxiliarão a analisar o grande volume de dados, tornando possível gerar informação e conhecimento para a tomada de decisão com quantidade de dados considerada exponencial.
Malgrado o setor agrícola tenda a acompanhar a indústria e os serviços nesta quarta revolução industrial, ele tem características próprias, variáveis ambientais difíceis de controlar, como mudanças bruscas no clima ou interações ecológicas. Se na indústria existe um ambiente mais controlado, com menos fatores exógenos ao contexto da produção, o mesmo não se dá no setor agrícola, mas isso não é um impedimento para adoção da AI e da Indústria 4.0 no setor agrícola, segundo entendimento de Castro e Bonacelli (2018). As autoras defendem que, no caso do setor agrícola, estaria havendo a formação de um Ecossistema de Inovação, com novos negócios digitais, alcançando, em 2018, cerca de 250 startups do agro, com taxa de crescimento expressiva, levando à formação da AgTech Garage, um hub de inovação localizado em Piracicaba (SP). O hub engendra esforços para catalisar novas parcerias entre empresas de tecnologia aplicadas ao agronegócio, as chamadas Agtechs. (CASTRO; BONACELLI, 2018).
A dinâmica evolutiva das startups do agro em todo o mundo, e no Brasil em particular, está mudando a relação das grandes corporações com essas empresas emergentes. Na área de industrialização de alimentos e de comercialização agrícola isto se verifica mais intensamente. As grandes corporações, dependendo da avaliação que fazem, adquirem as startups ou estabelecem parcerias permanentes.
A configuração do ecossistema de inovação permite que se opere em uma atmosfera colaborativa e instrutiva, envolta por uma relação de vantagens mútuas na qual todos se apoiam para progredir. Trabalhando de forma cooperativa, não hierárquica, os resultados são maiores e melhores, à exemplo do protocolo de transferência de dados entre os instrumentos que coletam dados, transmitem e analisam seus resultados. Nesta interação quanto maior a interoperabilidade entre dados, maiores as chances de novos desenvolvimentos e novos negócios.
Ainda na visão de Castro e Bonacelli (2018), as Agtechs surgem com um papel muito importante no ecossistema de inovação agrícola, em virtude da facilidade em levar as inovações para dentro das empresas, sejam essas nas áreas de TI, biotecnologia, nanotecnologia, automação ou robótica. Um exemplo do dinamismo deste hub de inovação foi o crescimento da capacidade de financiamento, a qual evoluiu do autofinanciamento para mecanismos privados, crowdfunding, capital anjo etc.
Um exemplo bem-sucedido de startups do agronegócio digital é a Agrosmart que tem, como “carro chefe” da empresa, um produto que possibilita a irrigação inteligente das lavouras, por meio de sensores no solo que controlam temperatura, umidade e vento, entre outros parâmetros. A Agrosmart prosperou fortemente em função da existência de um ecossistema de inovação, que possibilitou a empresa engendrar boas ideias.
O avanço da Industria 4.0 na agricultura do Brasil ainda enfrenta dificuldades, sendo a principal a deficiência da cobertura da internet no campo. A infraestrutura é insuficiente e os programas de universalização da internet dependem de investimentos que tardam, o que tem limitado a difusão de uma infinidade de aplicativos já disponíveis. Não obstante seja possível desenvolver soluções que contornem a ausência da internet, maior benefício do conhecimento nesta área depende de uma rede com um maior tráfego de informação, a qual permitiria, aos agricultores, acessar, por celular, os diversos aplicativos que processam dados coletados no campo (CASTRO; BONACELLI, 2018).
Neste panorama, algumas soluções muito criativas estão aparecendo. Entre elas está a pareceria entre o CPqD, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, que tem estatuto de Oscip, organização da sociedade civil de interesse público, com o Grupo São Martinho, um dos maiores empreendimento do setor sucroalcooleiro do Brasil, para desenvolver o projeto AgroTICs. O objetivo deste projeto é a implantação de uma rede móvel privada de banda larga, baseada no conceito de internet das coisas, no setor de agronegócios. A ideia é conectar áreas rurais e remotas da empresa. O projeto contou com apoio do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e da FINEP, Financiadora de Estudos e Projetos.
Outro desafio que se coloca, para que o setor agrícola adote conceitos e ferramentas da AI e da Indústria 4.0, é a qualificação da mão de obra. A mudança do trabalho no campo, caminhando cada vez mais para a automação das atividades rurais, além de necessária, inexorável e urgente, é também um desafio, dado que, contemporaneamente, existe um hiato entre a demanda de operadores qualificados e a oferta dos mesmos. À medida que a substituição do trabalho braçal avançar, haverá maior exigência por pessoas capacitadas para interpretar os dados coletados no campo, com conhecimento, discernimento e habilidades para a tomada de decisão, com rapidez e segurança. Hoje, por exemplo, a demanda por mão de obra capaz de manusear tratores inteligentes, sensores e internet é crescente.
A implantação do novo paradigma da agricultura digital enfrenta outra dificuldade, que é o ritmo mais lento da adoção de novas tecnologias no campo, malgrado o setor denominado de agronegócio manifeste propensão a assumir riscos e a adotar novas tecnologias. Uma forma de acelerar o ritmo da adoção de novas tecnologias no campo é praticar o efeito demonstração. Isso porque o produtor rural acompanha o sucesso dos demais agricultores que estão no seu entorno.
Dada a importância do Brasil no cenário agrícola internacional e dado o papel que as agências internacionais atribuem ao país em termos de produção de alimentos, é fundamental conceber iniciativas que visem a acelerar a interação entre centros de pesquisa e universidades, apoiar e apostar em startups, em novos perfis de investidores e em diferentes opções de financiamento e de valorização do capital da agricultura. O fortalecimento de ecossistemas de inovação voltados ao novo agro é, por sua vez, o caminho mais curto para alcançarmos a revolução advinda da “agricultura 4.0”, que seria o estado da arte do agro após a absorção da indústria 4.0. Destarte, os países que dominarem tecnologias da indústria 4.0 sairão na frente, pois terão menos custos para produzir soluções, comparativamente aos países retardatários e menos tecnológicos (CASTRO; BONACELLI, 2018).
Face a estas tendências, cabe a pergunta: qual o papel da agroecologia no futuro da agricultura brasileira e poderá este suposto paradigma ser uma solução para que a agricultura familiar, que supostamente responde por 70% da produção de alimentos no Brasil venha se constituir alternativa ao agro moderno? A agroecologia pode ignorar o que está acontecendo com um “comportamento de avestruz”? Que dizer de uma suposta área de conhecimento que abstrai problemas como abastecimento da população e obtenção de saldos de alimento exportáveis? Que define entre seus objetivos interferir na correlação de forças de uma luta de classe imaginária entre o Leviatã mal-intencionado, que seria o agronegócio, e um “campesinato”, que só adquire expressão numérica e social em hipóteses jamais testadas? Que defende uma paridade em parcerias de pesquisa entre homens de ciência e habitantes do meio rural, demonstrando incapacidade perceber os limites e a importância do senso comum para a pesquisa científica? Que se recusa a proceder qualquer avaliação econômica de seus sistemas à luz do mercado e considerando os custos de oportunidade? Que refuta a ideia de apresentar critérios de validação de suas “pesquisas”, descrevendo o método e os limites de aproximação que permitam julgar o significado?
Estas condutas retiram da agroecologia qualquer valor universal e toda a possibilidade de se apresentar claramente como ciência, pelo menos pelos critérios globalmente aceitos do que seja ciência. Não obstante a agroecologia pretender se definir como um enfoque científico destinado a apoiar a transição dos atuais modelos de desenvolvimento rural e de agricultura convencionais para estilos de desenvolvimento rural e de agriculturas sustentáveis, que se proponha a proceder reflexões teóricas para conformar um corpus teórico e metodológico a subsidiar essa transição e até estabeleça etapas ou níveis de transição que poderiam parecer lógicos e sensatos, na prática se conduz de forma confusa, uma vez que dá uma peso desproporcional à atuação dos agentes sociais e econômicos nessa transição, visto que os mesmos deveriam internalizar crenças inabaláveis nas possibilidades da agroecologia, sem questionar os princípios da mesma. Inobstante as boas intenções em relação à biodiversidade, ao aquecimento global etc., a agroecologia está mais próxima de uma seita que de uma ciência. Neste sentido, em relação a ela, deve-se ser tolerante visto que jardins e hortas, como sistemas mais fechados, autossuficientes, tipo o “sistema mandala”, podem ser aceitos como experiências estéticas, mas de impacto econômico extremamente limitado, e vistos como utopia, da mesma forma que Francis Bacon (1997, p. 246-251) descreveu e desenhou na “Nova Atlântida”, provável fonte de inspiração da agroecologia. Contudo, o que não deve ser acolhido é o pleito da agroecologia ser aceita como ciência e nem tolerado o apoio do Estado a essas fantasiosas experiências de ajudar a agricultura brasileira, sobretudo os produtores rurais mais pobres. (BAIARDI, 2018).
No que tange a que a promessa agroecológica esteja associada ao fortalecimento da agricultura familiar e ao reforçamento de sua missão de responder por 70% da alimentação que chega nas mesas das famílias brasileiras, convém resgatar a pesquisa feita por Rodolfo Hofmann (2014) que afirma ser afirmação falsa, a de que a agricultura familiar responde por 70% da comida que chega à mesa de nossas casas. Para Hoffmann, que procedeu análise estatística rigorosa com base no Censo agropecuário de 2006, este aporte não alcançaria 25 %.
4. CONCLUSÃO
A inevitabilidade da inserção competitiva da agropecuária brasileira no mercado mundial de commodities e de espécimes com valor agregado elevado, vem se tornando óbvia. A este fato aduz-se as pressões e acordos internacionais que visam atribuir papel relevante ao Brasil na redução das carências de alimento ao nível mundial. Face esta realidade, o trabalho especula sobre o impacto na agricultura decorrente da adoção da Inteligência Artificial e da Indústria 4.0, sugerindo efeitos tanto na redução dos empregos diretos como na exclusão de estabelecimentos que não lograrem modernizar-se.
Conclui que, não obstante ser arriscado fazer projeções, a análise das transformações recentes e possíveis de virem a ocorrer nos processos produtivos na agricultura, decorrentes da adoção das referidas inovações sugere políticas agrícolas, em particular políticas de pesquisa agropecuária, que privilegiem demandas específicas e condutas de elevada racionalidade. Neste quadro de definições, o autor não identifica razões para apoio público às experiências no campo da Agroecologia.
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Fonte
REDIN, Ezequiel. Administração Rural. Belo Horizonte - MG: Poisson, 2021. Vol. 5.