Pecuária

Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas
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A resistência das plantas daninhas aos herbicidas é resultado de um processo natural de evolução das espécies, no qual as plantas se adaptam às mudanças do ambiente. Repetidas aplicações de uma mesma classe de herbicida causam pressão de seleção, fato decisivo no surgimento dos problemas de resistência.

A Resistência é um fenômeno relativamente novo no nosso País. Nos Estados Unidos, surgiu, na década de 60, com o herbicida 2,4-D. Posteriormente, no início da década de 70, foram registrados casos com herbicidas do grupo das triazinas.

O fenômeno da resistência se acentuou com o desenvolvimento acelerado da indústria de herbicidas e o lançamento de novos produtos, muitos dos quais com o mesmo mecanismo de ação.

Atualmente no mundo, mais de 230 biotipos de plantas daninhas tiveram sua resistência comprovada, a algum tipo de herbicida. No Brasil, a resistência já foi identificada em picão-preto, capim-marmelada, leiteiro, capim-arroz e sagitaria, todas invasoras de soja, milho, trigo ou arroz.

Uma planta invasora pode apresentar resistência a uma única linha de produtos - cujos mecanismos de ação são semelhantes – ou pode ter resistência múltipla, subsistindo à aplicação de herbicidas com distintos mecanismos de ação.

O monocultivo, a semeadura direta, a densidade das invasoras, o tipo e a frequência do uso de herbicidas podem aumentar os riscos de ocorrência de resistência nas plantas daninhas. No entanto, o agricultor precisa tomar cuidados para não confundir falha de controle com resistência das invasoras.

O processo da seleção de plantas resistentes aos herbicidas é variável, podendo ocorrer em dois, sete ou 14 anos. Seu aparecimento, contudo, pode ser evitado:

(a) - utilizando sementes com alto grau de pureza;

(b) - realizando a limpeza de máquinas e implementos;

(c) - fazendo rotação de cultivos e de herbicidas;

(d) - monitorando a dinâmica das populações das invasoras;

(e) - monitorando os resultados das aplicações dos herbicidas;

(f) - seguindo criteriosamente as instruções de uso dos herbicidas;

(g) - utilizando, quando permitido, misturas de herbicidas com mecanismos diversos de controle; e

(h)- fazendo o manejo integrado das invasoras.

Para áreas com a presença confirmada de invasoras resistentes, evitar o uso dos produtos cujos mecanismos de controle foram superados pelas plantas invasoras.

Evitar sua disseminação, adotando a medida mais racional caso a caso, inclusive catação manual, possível quando o problema ainda não se generalizou.

É cada vez mais evidente a constatação de que o problema de resistência de plantas daninhas aos herbicidas é facilmente solucionado com o manejo das invasoras e dos produtos.

Assim devem ser colocadas em prática as alternativas para prevenir e controlar a rápida escalada que vem ocorrendo com a resistência em nosso País.

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Fonte

GAZZIERO, Dionísio Luiz Pisa; ADEGAS, Fernando Storniolo; PRETE, Cássio Egídio Cavenaghi; RALISCH, Ricardo; GUIMARÃES, Maria de Fátima. As plantas daninhas e a semeadura direta. Londrina – PR: EMBRAPA SOJA, 2001. (Embrapa Soja. Circular Técnica, 33).

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