Recomendações Iniciais para a Mecanização das Lavouras Cafeeiras
Quando as colhedoras foram desenvolvidas as lavouras cafeeiras tinham uma configuração muito diferente das lavouras atuais.
Cultivares
Após a década de 1970 foram plantados no Brasil milhões de pés de café das cultivares Catuaí Vermelho, Amarelo e Mundo Novo, em substituição às mais antigas e menos produtivas como Bourbom Amarelo, Typica e etc. Com o passar dos anos houve o predomínio das cultivares de porte baixo (Catuaís) em relação as de porte alto (Mundo Novo e Acaiá). Mais recentemente, novas variedades lançadas vêm sendo plantadas substituindo boa parte dos Catuaís, em função de terem maiores produtividades e atributos específicos como resistências a ferrugem, nematoides, tolerância a seca e etc. com respostas variáveis de região para região. Cultivares do grupo Catucaís são mais precoces e dos grupos Acauãs, Arara, IPRs, são mais tardias. Tais características alteram completamente a dinâmica das colheitas, feitas precocemente no grupo dos Catucaís, e dependendo do caso exigindo aplicação de maturadores no caso das tardias, caso contrário à época de colheita seria muito tarde, ocorrendo concomitantemente a floração da safra seguinte.
Em propriedades pequenas não se recomenda o plantio de talhões pequenos de cultivares precoces quando há o predomínio de cultivares de maturação normal, visto que o produtor para colher não vai realizar a colheita precoce especificamente naquela cultivar antes de começar as demais, visto que na maior parte desses produtores haverá o aluguel da colhedora. Com isso a colheita dessas cultivares será tarde, e boa parte (até 40% dos frutos) ficará no chão, além do depauperamento das lavouras. Isso ocorre em pequenas propriedades que decidem “testar” 1 a 3 ha desse tipo de café e acaba por não proceder a correta colheita, gerando inconvenientes. Além disso o produtor e seus vizinhos criam más impressões dessas cultivares visto que não estão colhendo no tempo ideal, e o depauperamento reduz a média produtiva ao longo das safras, e são tiradas conclusões errôneas como: “pouco vigor”, “muito exigente na nutrição” ou “derruba muito café no chão”.
O escalonamento da colheita deve ser feito adequadamente, quando o produtor tem a capacidade de colher no tempo ideal cada grupo de variedade presente na propriedade, sem atrasos. Em regiões quentes, como no Cerrado, ou em altitudes baixas em outras regiões o predomínio da lavoura deve ser de cultivares de maturação média, seguido de tardias e pouca quantidade de cafés precoces. Isto pois nessas regiões o processo de amadurecimento é acelerado e o produtor precisa de mais tempo para colher antes que os frutos caem no chão.

Em regiões mais frias como no Sul de Minas, ou em altitudes bem elevadas, recomenda-se o predomínio de cultivares de maturação média, seguido das precoces, e com pequena quantidade ou nenhuma cultivar tardia, com a ressalva de que deverá utilizar maturadores para colher tais cultivares tardias.
Espaçamentos
No início as lavouras eram plantadas com espaçamentos entre linha de 2,0; 2,5 m (que ainda existem no sistema de lavouras adensadas), porém com espaçamentos entre plantas de 1,5 m a 2,0 m, o que configurava lavouras de 1.666 plantas ha-1 por exemplo. Tais plantas produziam muito por unidade de planta, e pouco por unidade de área, tendo assim baixas produtividades em decorrência do exaurimento das mesmas após safras altas. De 1930 à 1980 houveram inúmeros trabalhos, em várias regiões substituindo tais espaçamentos por mais “adensados”, chegando na década de 1980 com a densidade variando de 4.000 a 6.000 plantas ha‑1, produzindo bem mais café. Houve a criação do chamado renque mecanizado, adaptando as lavouras para essa prática, aproximando a distância entre plantas para 0.5 a 0.7 m na linha de plantio. Fez-se isso para o aumento da produtividade e também para que reduzisse a quantidade de cafés caídos com a passagem da colhedora por permitirem um deslocamento contínuo e a abertura e fechamento mais rápidos das placas justapostas.
Com relação a distância entre linhas, esta é ainda bem variada a depender da região, declividade e pacote tecnológico do produtor. Em regiões mecanizadas o ideal é no mínimo 3,8 m entre linhas para colhedoras de grande porte e 2,5 m para colhedoras de menor porte, ou colhedoras com estrutura diferenciada como a K-3500, da Jacto.
Outro ponto importante era o número de plantas por cova. Naquela época, muitas lavouras possuíam duas plantas por cova, o que elevava demasiadamente o diâmetro do tronco (dois troncos, fora a distância entre eles), aumentando o a distância entre as placas justapostas, promovendo um local de perda maior, e elevando o café caído. Além disso, havia também um número de ramos plagiotrópicos muito maior, dificultando o deslocamento da colhedora, a queda do fruto derriçado para o sistema de recolhimento e aumentando a quebra de ramos e de hastes vibratórias.
Logo no primeiro trabalho publicado, Honda et al. (1981), já apontavam que para o sucesso da colheita mecanizada as lavouras tinham que ter a seguinte configuração:
1. Alinhamento: linhas de café em nível, sem ruas mortas, carreadores pendentes (o mínimo indispensável) e carreadores de entrada e saída com mínimo de 7 m de largura.
2. Declividade: indicada até 10%, valor que deve ser estendido a todos os locais de trabalho da máquina.
3. Espaçamento: espaçamentos entre linhas que permitam a mecanização de outras práticas, são adequados. Na linha espaçamentos mais densos (renque) são ideais.
Altura das plantas
Um outro fator a ser considerado era o porte das lavouras. As lavouras da época tinham altura bem elevada, superiores a 3,5 m, e como as primeiras colhedoras tinham porte menor que as atuais, a colheita no terço superior das plantas era prejudicada, exigindo podas. As colhedoras mais antigas também não tinham o sistema de rebaixamento que hoje possuem, de forma que a altura em relação ao solo era maior, interferindo acentuadamente na eficiência de colheita dos ramos próximos do solo, além de quebrá-los.
Os pesquisadores Figueiredo et al. (1982) buscavam encontrar adaptações nas lavouras da época que tornassem mais prática a colheita mecanizada. Para tanto testaram: Colheita mecânica com poda da saia a 0,4 m e decote a 2,2 m; Colheita mecânica com poda da saia a 0,4 m e decote a 1,8 m; Colheita manual sem podas; Colheita manual com decote a 2,2 m; Colheita manual com decote a 1,8 m; Colheita mecânica com poda da saia a 0,4 m. em seus resultados eles observaram que a prática da poda da saia para adaptar a colheita reduziu a produtividade do cafeeiro não sendo, portanto, indicada. Outro resultado importante foi que o decote, e consequentemente, a adequação da altura das plantas para a colheita mecanizada elevou a eficiência de colheita, saindo de 88,49 para 92,31 e 91,95%. Ou seja, colher plantas com altura superior ao limite da colhedora, mesmo que possível, não condicionava a dinâmica necessária para obter eficiência satisfatória.

O fato de proceder à poda indesejada de ramos próximos ao solo, reduzir a produtividade das safras subsequentes, foi um dos fatores que condicionou a colheita mecanizada ser realizada somente em lavouras da quarta ou quinta safra em diante, pois lavouras mais velhas possuem tronco mais comprido e a distância de inserção dos primeiros ramos plagiotrópicos (laterais) maior em relação ao solo.
Dezesseis anos depois do trabalho de Figueiredo e colaboradores, Santinato et al. (1998) decidiram novamente testar a colheita mecanizada do café em lavouras mais jovens do que as de quarta ou quinta safras. Eles partiram do pressuposto de que, em regiões quentes e irrigadas, devido ao maior crescimento do cafeeiro e, consequentemente maior altura do ramo em relação ao solo, era possível colher café mecanicamente em lavouras de segunda safra. Assim, nas condições de café irrigado por pivô central, em Mimoso do Oeste (hoje Luiz Eduardo Magalhães) e Barreiras – BA, locais onde os experimentos foram desenvolvidos, o cafeeiro apresentava crescimento e produtividade de 40 a 60% superiores que em regiões tradicionais. Nesta região, em cafeeiros de 2ª safra (42 meses) o porte atinge 1,8 a 2,2 m e a produtividade de 50,0 a 60,0 sacas de café ben. ha‑1. Os autores observaram que quanto maior a vibração (600, 800 e 1.000 rpm) maior foi a eficiência de colheita e, no caso do estudo, a velocidade operacional (800; 1.000 e 1.200 m h-1) não interferiu significativamente na eficiência de colheita, nem na quantidade de café caído, alcançando mais de 90% de eficiência de derriça, sem danos excessivos às plantas e redução de produtividade na safra seguinte.
Aprovada a colheita mecanizada em áreas quentes e irrigadas, as empresas passaram então a trabalhar para construir mecanismos que reduzissem a altura da colhedora em relação ao solo, bem como a substituição de componentes. Com o passar dos anos, as máquinas novas passaram a colher lavouras de segunda safra em regiões mais frias e com cafeeiros de menor porte também e hoje a colheita mecanizada em lavouras adultas (segunda safra em diante) é uma realidade.
Colheita mecanizada de primeira safra
No entanto as lavouras de primeira safra ainda não estavam sendo colhidas mecanicamente. Segundo CONAB (2014) o Brasil possuía naquela época 291.226,2 ha de café Arábica em fase de formação (0 a 18 meses), de forma que no ano de 2015, todas estas lavouras estariam aptas a serem colhidos. Ou seja, aproximadamente 10% do parque cafeeiro nacional não poderia ser colhido mecanicamente, em vista dos possíveis males que a mecanização nesse tipo de lavoura poderia ocasionar. Isso se deve ao fato de que as lavouras de primeira safra possuem ramos muito próximos do solo, são mais frágeis e apresentam grande quantidade dos frutos próximas do tronco. Tais fatos, além de reduzirem a eficiência de colheita, poderiam danificar demasiadamente os cafeeiros e reduzir a produtividade na safra seguinte.
Atualmente, porém, algumas empresas terceirizadas têm realizado modificações na constituição das colhedoras para adaptá-las à situação de colheita de café de primeira safra. Normalmente estas adaptações se referem ao rebaixamento da colhedora, utilização de varetas de maior comprimento, redução da distância entre os cilindros, elevação da largura dos elevadores, rebaixamento das placas justapostas que são posicionadas em torno dos pés de café, dentre outras modificações. Essas alterações nas máquinas (Figura 7) podem elevar a eficiência de colheita e reduzir os danos às plantas.

Para avaliar a eficácia dessas modificações, Santinato et al. (2014) testaram no município de Buritizeiro – MG, a colheita do café de primeira safra, utilizando colhedora convencional e colhedora adaptada em duas lavouras da cultivar Catuaí Vermelho IAC 144, espaçadas em 4,0 x 0,5, irrigadas por Pivô Central. As lavouras A e B apresentavam em média 1,52 e 1,61 m de altura e produtividade semelhante, de 46,59 e 50,37 sacas de café ben. ha-1, respectivamente. A lavoura A apresentava 30,1% de frutos no estádio de maturação verde, 22,8% de cereja, 28,5% de passa e 18,6% de seco, enquanto que a lavoura B apresentava 20,9; 23,1; 25,1 e 30,9% de frutos nos estádios verde, cereja, passa e seco, respectivamente. As colhedoras convencionais e adaptada foram reguladas para dois níveis de exposição às plantas. Os autores observaram que em relação à quantidade de café colhido, a colhedora Convencional obteve, nas duas lavouras, os menores valores. Isto refletiu na maior quantidade de café remanescente. As quantidades de café colhido e remanescente obtidas por esta colhedora não apresentaram diferenças nas duas lavouras (A e B), ou seja, independentemente do estádio de maturação dos frutos da lavoura a colhedora convencional de café não obteve quantidade satisfatória de café colhido (Tabela 1).

Houve diferença entre as quantidades de café colhido pela colhedora Adaptada, nas duas lavouras. Tal diferença foi de 29,15% de café colhido a mais na lavoura B, devido ao fato de os frutos se desprenderem mais facilmente em decorrência do estádio de maturação mais avançado. Esta colhedora colheu até 66,4% e 130,3% a mais de café que a colhedora Convencional, nas lavouras A e B, respectivamente (14,41 e 26,83 sacas de café ben. ha-1 a mais) (Tabela 1).

Isto ocorreu devido à maior proximidade das hastes vibratórias dos ramos ortotrópicos, elevando o contato das hastes com os frutos e possibilitando maior derriça. Esta maior proximidade se deu devido ao encurtamento da distância entre os cilindros e a utilização de hastes de mesmo comprimento no terço médio e superior das plantas.
Quanto à eficiência de colheita (Tabela 2), a colhedora Convencional obteve, nas duas lavouras, valores em torno de 43,5%, sendo considerado baixo. A colhedora Adaptada, por sua vez, obteve valores elevados nas duas lavouras. Na lavoura B a eficiência foi, na média dos dois níveis de exposição, de 92,9%.

Os danos promovidos pela colhedora adaptada e convencional foram inferiores aos decorrentes da colheita manual, nas duas lavouras (Tabela 3). A colhedora adaptada danificou mais as plantas de café que a colhedora convencional nas duas lavouras avaliadas. Tamanho incremento nos danos se deve à maior exposição das hastes da máquina às plantas, fato não ocorrido com a colhedora convencional, que não obteve eficiência de colheita satisfatória. Os valores de danos às plantas obtidos pela colhedora convencional encontram-se muito abaixo dos encontrados em outros trabalhos da literatura, principalmente pelo fato de a colhedora não ter conseguido atingir os ramos do cafeeiro adequadamente, em decorrência de suas hastes muito longas e da maior distância entre cilindros.

A questão de maior danificação das plantas, entretanto, não deve ser um motivo de preocupação, pois, com o passar do tempo, após 180 dias da colheita, as lavouras se recuperaram e obtiveram os seguintes dados de biometria (Tabela 4). Como se vê, apesar de maior desfolha inicial, a recuperação da lavoura aparentemente foi semelhante em todos os tratamentos avaliados, inclusive não refletindo no número de nós produtivos para a safra seguinte.

A não diferença entre os tratamentos para número de nós e enfolhamento refletiu na não diferença entre eles também na produtividade. Na Tabela 5 observa-se que independentemente do tipo de colheita utilizado, não houve diferença entre as produtividades da safra subsequente à execução dos tratamentos. Ou seja, a colheita mecanizada do café de primeira safra pode ser realizada mecanicamente sem que haja prejuízos na produtividade da safra seguinte.

Em áreas quentes e irrigadas, as plantas de café se desenvolvem mais rápido e, por conta disso, é viável em grande parte dos casos, a colheita mecanizada de lavouras de primeira safra. No entanto, em regiões frias, normalmente não existe essa possibilidade, por conta de a altura do ramo basal em relação ao solo ser pequena. Lavouras plantadas tardiamente (meses de fevereiro e março), lavouras com baixo nível de adubação ou algum outro impedimento do solo que dificultem seu crescimento, além de cultivares de porte muito baixo, não podem ser colhidas mecanicamente na sua primeira safra (30 meses).
Atualmente, para as lavouras de primeira safra cultivadas em regiões quentes e irrigadas, pode-se até mesmo utilizar a colhedora mais de uma vez na lavoura. Isso ficou evidenciado pelo experimento de Santinato et al. (2015), no município de Catalão, GO. Utilizou-se lavoura de café da cultivar Catuaí Vermelho IAC 144, plantadas em 2013, em círculo, irrigadas via Pivô central e dispostas no espaçamento de 3,7 m entre linhas e 0,5 m entre plantas, totalizando 5.405 plantas ha-1. A lavoura apresentava 1,57 m de altura, altura de inserção dos ramos plagiotrópicos basais de 29,2 cm de altura, produtividade de 82,4 sacas de café ben. ha-1 e 44,4; 47,1 e 8,5% de frutos nos estádios verde, cereja e seco, respectivamente. Não houve diferença na quantidade de café caído entre as colhedoras avaliadas quando operadas uma e duas vezes. Quando se operou a terceira vez a colhedora adaptada permitiu que maior quantidade de café caísse no chão (Tabela 6). Como em ambas colhedoras a velocidade operacional foi a mesma, pode-se apontar a causa deste aumento de café caído como sendo decorrente da elevação da quantidade de café derriçado. A maior quantidade de café derriçado interfere diretamente no sistema de recolhimento interno da máquina.

Os valores de café caído obtidos foram de 9,8 a 16,4% da carga total, corroborando com outros experimentos (Tabela 6). Os valores foram superiores aos obtidos em outro experimento de colheita mecanizada em lavoura de primeira safra. Isto pois, a lavoura utilizada neste experimento apresentava 82,4 sacas de café ben. ha-1, aproximadamente 30% a mais que no experimento citado.

As adaptações realizadas na colhedora reduziram em 55% a quantidade de café remanescente quando operou-se a máquina apenas uma vez. Apesar disto, a quantidade remanescente ainda foi de 18,6% (15,3 sacas de café ben. ha-1), demandando o repasse manual ou ainda nova operação mecanizada (Tabela 7). Quando se operou duas vezes, a quantidade de café remanescente foi semelhante entre as duas colhedoras (Tabela 7). No entanto, com três operações a colhedora adaptada reduziu em 60% o café remanescente, em relação à convencional chegando à 8,2% (6,8 sacas de café ben. ha-1). Notou-se que à medida que se elevou o número de operações reduziu-se a quantidade de café remanescente.

A colhedora adaptada colheu mais café que a convencional quando operada apenas uma vez (44% a mais) (Tabela 8). Com duas e três operações as colhedoras colheram a mesma quantidade de café, chegando a colher na média das duas colhedoras 72,5 e 71,8%. Os valores obtidos encontram-se adequados para a operação de colheita mecanizada do café.

Ao contrário do café remanescente, à medida em que se aumentou o número de operações da máquina não houve aumento na quantidade de café colhido para a colhedora adaptada (Tabela 9). Para a colhedora convencional notou-se que a utilização de duas operações aprimorou a colheita em relação a uma operação, mas três operações não elevaram o café colhido em relação a duas.

A colhedora adaptada derriçou 39,1% a mais, igualmente e 15,9% a mais que a colhedora convencional, com uma, duas e três operações, respectivamente (Tabela 9). Apesar do aumento do número de operações não ter elevado a quantidade de café colhido, notadamente na colhedora adaptada, houve aumento na quantidade de café derriçado. O aumento na quantidade de café derriçado foi de 6% a cada passada da máquina adaptada. Já para a colhedora convencional o aumento foi de 42% com duas operações em relação a uma e sem diferença de três para duas.
Dessa forma têm-se que o aumento do número de operações eleva a quantidade de café derriçado pela colhedora, no entanto sem elevar com a mesma intensidade a quantidade de café colhido (Tabela 9). Tal fato evidencia que os maiores problemas com a colheita mecanizada do café encontram-se no sistema de recolhimento interno da máquina, bem como na capacidade que ela tem de retê-los em seu interior. Ou seja, há a necessidade de realizar mais experimentos com a finalidade de reduzir a quantidade de café caído.
A colheita manual promoveu maior desfolha que todos os tratamentos colhidos mecanicamente. Tal fato corrobora com grande parte da literatura. A desfolha operacional foi semelhante entre as duas colhedoras apesar da colhedora adaptada ter maior exposição às plantas que a convencional. Com duas operações a colheita mecanizada promoveu maior desfolha que com apenas uma. Não houve diferença entre a desfolha promovida por duas e três operações.

Em lavouras adultas, Santinato et al. (2014c) obtiveram que desfolhas operacionais 50 a 100% superiores à desfolha padrão não refletiram em alteração na produtividade, em lavoura de carga alta. Em lavoura de carga baixa, danos acima de 100% à desfolha padrão reduziram a produtividade. Dessa forma pode-se supor que no presente estudo não haverá diferença na produtividade da safra seguinte entre as colhedoras avaliadas.

Além da desfolha operacional, é importante avaliar o número de ramos quebrados na lavoura (Tabela 11). As folhas têm grande importância, pois, estão intimamente ligadas ao metabolismo da planta, e os ramos são a parte constituinte da planta que abrigam as folhas e os nós (local onde se originam a produção). Dessa forma o prejuízo decorrente da quebra de ramos é muito significativo.

A colhedora adaptada promoveu aumento no número de ramos quebrados em relação à colhedora convencional. Isto pois, a área de contato das hastes vibratórias com os ramos é maior. Fato necessário para o sucesso da operação mecanizada, porém prejudicial para o aspecto morfológico. Desta forma há a necessidade de avaliar a influência destes danos na produtividade da safra seguinte. Não houveram grandes diferenças entre o número de operações da colhedora, nas duas colhedoras testadas.
Recomendações
Deve-se priorizar a colheita de cultivares precoces como Bourbom, Catucaís e Mundo Novo para evitar depauperamento das plantas (redução da média produtiva) e quantidades elevadas de café do chão. Só se deve plantar esse tipo de cultivar quando haverá certeza de que a colheita será feita em tempo hábil. Deve-se plantar cultivares tardias como Acauãs, IPR 100, Arara sabendo da necessidade de colheita com duas passadas de colhedora, visto que são muito produtivas, porém com maturação desuniforme e tardia. Ressalva-se que a utilização de aceleradores de amadurecimento deve ser mais bem estudada nesse tipo de cultivar, sendo uma importante ferramenta, principalmente em regiões mais frias, e altas, para que a colheita termine antes do abotoamento floral da safra seguinte. Deve-se ater quanto a prática do estresse hídrico pois caso haja alguma chuva imprevista, durante a colheita, quando há a prática do estresse, ocorrerá a abertura prematura dos botões florais da próxima safra, antes mesmo da segunda passada de colhedora o que irá danificar a safra seguinte quando for feita. Os espaçamentos de café devem ser de 0.5 a 0.7 m entre plantas (renque mecanizado) e variáveis quando a distância de linha (4 m para largos), (2,5 m para semi adensados) e (1,5 m para adensados), obtendo no mínimo 5.000 plantas ha-1. A altura das plantas deve ser limitada a 2.7 m de altura (altura limite para boa parte das colhedoras de café, passagem do pivô central considerando que após a pode por decote ocorrerá o crescimento do topete e esse pode crescer o suficiente para ultrapassar o limite de 3.0 m indicado para colhedoras e pivô. A colheita mecanizada pode ser feita em lavouras de primeira safra, mesmo que for somente na primeira passada de máquina e orientando a mão de obra para fazer o repasse manual principalmente no barrado da saia. Para tanto as lavouras devem ter uma altura mínima de 1.5 m e altura de inserção dos primeiros ramos laterais a 25 cm em relação ao solo.
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Fonte
SANTINATO, Felipe; DA SILVA, Rouverson Pereira; SANTINATO, Roberto. Colheita mecanizada do café: desafios e avanços. Jaboticabal - SP: Funep, 2020.