Queijo coalho vira atração turística em Pernambuco
Queijaria de Pedra aposta em versões temperadas, snacks e visitação na fazenda para crescer; região busca selo de origem para o coalho do Agreste e do Araripe
Se você produz queijo artesanal, uma história de Pernambuco pode inspirar. Uma pequena queijaria do município de Pedra, no Agreste Meridional, transformou o tradicional queijo de coalho em uma linha diversificada de produtos — e agora abriu as portas da fazenda para visitação.
A Caboclo Fazenda e Laticínio produz cerca de 400 quilos por dia. A marca leva o coalho temperado, trufado com carne de sol, zero lactose, snacks e manteiga ghee para quatro cidades pernambucanas e outros estados.
A atividade queijeira na propriedade da família Tenório começou na década de 1930. Na época, a produção artesanal ocupava um espaço chamado "quarto do queijo".
O foco comercial veio em 2003. Em 2018, os cofundadores Levi Tenório Vaz Filho e Romeika Galindo Cavalcanti Vaz formalizaram a marca e estruturaram a fábrica dentro das exigências legais.
A diversificação do portfólio começou em 2019, com investimento em variações do coalho. Hoje são seis linhas: versões temperada, trufada, zero lactose, snacks e manteiga ghee, além do coalho artesanal.
A expansão começou pelas cidades vizinhas de Pedra e depois alcançou Recife, Garanhuns, Petrolina e Vitória de Santo Antão. A linha de desidratados chegou a outros estados.
"O nosso diferencial está na qualidade. Trabalhamos com leite próprio e cuidamos de todo o processo, desde o manejo dos animais até o produto final, sempre buscando oferecer algo diferente ao cliente", afirmou a cofundadora Romeika, à Agência Sebrae de Notícias.
A marca participa da Feira do Empreendedor e do Espaço Queijos e Vinhos do Festival de Inverno de Garanhuns. As participações, viabilizadas com apoio do Sebrae/PE, abriram novas conexões comerciais.
A propriedade recebe grupos de visitantes para experiências que combinam trilhas pelas paisagens naturais do Agreste Meridional e degustação dos derivados produzidos no local.
O turismo gastronômico funciona como fonte de renda adicional e conecta o consumidor à origem do produto.
"Temos um local especial, com belas paisagens e uma sede acolhedora. Isso acaba se tornando um atrativo a mais e agrega valor à nossa produção", afirmou Romeika.
Segundo a cofundadora, a Caboclo opera com leite da própria fazenda e controla o processo do manejo do rebanho ao produto embalado. A visitação permite que o consumidor acompanhe essa cadeia de perto.
A Caboclo faz parte de uma cadeia que produz cerca de 250 mil quilos de queijo de coalho por dia no Agreste, segundo Romildo Albuquerque Bezerra, presidente da Associação de Certificação do Queijo Coalho da Região do Agreste de Pernambuco.
Pernambuco produz cerca de 3,5 milhões de litros de leite por dia e lidera o Nordeste.
"O primeiro queijo coalho foi feito em 1584 e até hoje mantemos essa tradição. Atualmente os consumidores procuram queijos com garantia de origem", afirmou Romildo.
O queijo de coalho produzido no Agreste e no Sertão do Araripe está em processo de obtenção de Indicação Geográfica (IG). O trabalho é acompanhado pelo Sebrae/PE e pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).
Para uma marca como a Caboclo, que construiu sua estratégia em torno da origem controlada e do leite próprio, a certificação pode abrir uma nova etapa de acesso a mercados.
Se você produz queijo artesanal, essa história mostra três caminhos possíveis. O primeiro é diversificar o portfólio, criando versões que atendam a diferentes públicos. O segundo é investir na origem controlada, usando leite próprio e cuidando de todas as etapas da produção. O terceiro é abrir a fazenda para visitação, transformando a propriedade em atração turística e fonte de renda extra.
O selo de Indicação Geográfica, quando conquistado, agrega valor ao produto e protege a tradição regional. É um caminho que exige organização coletiva, mas pode beneficiar toda a cadeia.
Nos próximos 30 dias, faça uma lista dos diferenciais da sua produção. Depois, procure o Sebrae ou a Emater da sua região e pergunte sobre programas de apoio à certificação de origem, participação em feiras e turismo rural. Se a sua região já discute uma Indicação Geográfica, participe das reuniões — o selo beneficia todos os produtores da área. E se você tem estrutura para receber visitantes, comece com um pequeno roteiro de degustação. O consumidor que conhece a origem do produto paga mais e volta.