Produção de Mudas de Pimenta-do-reino
Para a produção de mudas de pimenteira-do-reino com qualidade, é muito importante escolher plantas livres de pragas e doenças e com bom desenvolvimento vegetativo.
A área para instalação do matrizeiro geralmente é a pleno sol, devendo o solo ser bem drenado, ligeiramente inclinado, próximo de fonte de água localizada na propriedade.
A produção de mudas de pimenteira-do-reino para comercialização deve obedecer às normas e padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, da Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Seleção e obtenção de plantas matrizes
Uma forma muito eficiente de produção de plantas matrizes vigorosas e com controle sanitário é por meio da condução das plantas em espaldeiras, utilizando miniestações (1,5 m a 2 m) em ambiente protegido contra pragas, coberto com plástico. Se possível, utilizar tela antiofídica. As estacas produzidas nessas condições são do tipo herbáceas, para produção das mudas.
As plantas matrizes (Figura 1) que irão fornecer material vegetativo para a produção de mudas podem ser originadas de estacas semilenhosas contendo 3 a 5 nós ou herbáceas com 2 a 3 nós, previamente enraizadas.

Já a produção de estacas herbáceas é melhor porque reduz a perda de material vegetativo no campo, permite a formação de pimentais mais uniformes e elimina a necessidade de capação (eliminação da primeira floração) e de poda de formação.
As estacas devem ser retiradas de pimentais sadios, vigorosos, livres de sintomas de deficiências nutricionais.
Não é recomendado o corte de plantas em fase de floração e frutificação, pois não há emissão de raízes ou, quando ocorre, as plantas resultantes são muito fracas pela falta de reserva das estacas nesse estádio da planta.
As estacas herbáceas são obtidas de plantas a partir de 8 meses, com o corte a 50 cm acima do solo. As estacas devem ser cortadas deixando uma folha presa ao nó em sua extremidade. As plantas matrizes devem ser renovadas a cada 3 anos.
Enraizamento das estacas / viveiros
As estacas são enraizadas em propagadores em forma de canteiros, utilizando substrato de areia branca, casca de arroz carbonizada ou vermiculita (Figura 2).

Os propagadores devem ser cobertos com folhas de palmeiras e regados diariamente, sempre evitando o encharcamento do substrato, para não provocar o apodrecimento das raízes e a morte das estacas. As estacas são colocadas ligeiramente inclinadas ou na horizontal, enterrando-se os dois nós e deixando-se a folha de fora (Figura 3).

Se a folha for grande, é recomendado reduzir o tamanho pela metade, para diminuir a transpiração. As mudas devem permanecer durante 20 a 30 dias nos propagadores e, quando as estacas começarem a brotar, é feito o transplantio para sacolas, nas quais devem permanecer por aproximadamente 30 dias (Figura 4).

Em viveiros comerciais, as estacas herbáceas permanecem apenas 15 dias nas câmaras de enraizamento, tempo suficiente para a emissão de novas raízes na região nodal. Após esse período, as estacas enraizadas são transplantadas para sacos plásticos pretos perfurados (27 cm x 17 cm x 0,10 cm), cheios com terra da mata e matéria orgânica na proporção de 3:1.
Os viveiros são construídos com moirões de madeira, cobertos e protegidos lateralmente com sombrite com 50% de luminosidade. Recomenda-se utilizar sistema de irrigação por microaspersão. As plantas permanecem nos viveiros durante 2 a 6 meses antes de serem entregues aos produtores.
Manutenção das mudas
Para manter o vigor e o bom estado sanitário das mudas, são necessários tratos culturais, como capina, rega diária, uso de adubação foliar, controle de doenças, como antracnose e mofo-branco, e de pragas, principalmente pulgões e cochonilhas, que são transmissores de vírus.
Corte das plantas matrizes para produção de mudas
Quando as plantas atingem 1,20 m de altura, são cortadas 50 cm acima do solo. Os ramos retirados são cortados em estacas contendo 2 nós e uma folha, seguindo-se todo o processo para produção de mudas, que é o mesmo para plantio comercial.
No primeiro ano de cultivo, cada planta matriz produz 20 estacas e, a partir do segundo ano, 30 a 40 estacas. Nas plantas, são efetuadas apenas três cortes, ou seja, após cada período de 3 anos deve ser instalado um novo matrizeiro.
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Fonte
DE LEMOS, Oriel Filgueira; TREMACOLDI, Célia Regina; POLTRONIERI, Marli Costa. Boas práticas agrícolas para aumento da produtividade e qualidade da pimenta-do-reino no Estado do Pará. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa, 2014.