Produção de mudas de maracujá amarelo submetidas a doses crescentes de adubação de liberação lenta
A produção de mudas de boa qualidade é um processo primordial para o sucesso na condução da cultura, apesar da dificuldade encontrada pelos produtores. Dessa forma, é recomendável a utilização de substrato que forneça nutrientes em proporções adequadas, tais com os adubos de liberação lenta. Portanto, objetivou-se avaliar o desenvolvimento de mudas de maracujá-amarelo em diferentes doses de adubo de liberação lenta (Osmocote®). O delineamento experimental foi em blocos ao acaso com seis tratamentos e cinco repetições, totalizando 30 parcelas. Os tratamentos consistiram decinco doses do adubo Osmocote® (NPK) (0; 1; 3; 5; 7 e 9 g.L-1) e o substrato utilizado foi o Plantmax HT®. Avaliou-se o diâmetro do caule, comprimento das raízes, volume radicular, altura da plântula, número de folhas, massa seca da parte aérea, massa seca das raízes e massa seca total. Observou-se efeito significativo das doses do adubo, apresentando ajuste quadrático em todas as variáveis analisadas. Dessa forma, o fertilizante favoreceu o crescimento e desenvolvimento de mudas de maracujá-amarelo em função do aumento da dose, sendo que a dose de 8,33 g L-1 representa o ponto de equilíbrio de melhor resposta entre as variáveis analisadas.

INTRODUÇÃO
O maracujá-amarelo (Passiflora edulis Sims f.flavicarpa Deg.) é uma planta originária da América Tropical, sendo a espécie de maracujá de maior importância econômica no Brasil, pois representa 95% dos pomares cultivados comercialmente (NEGREIROS et al., 2006).
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016), verificou-se que a produção nacional do maracujá no ano de 2016 foi de 703.489 t, ocupando uma área aproximada de 50.204 ha, colocando o país como maior produtor mundial. No entanto, a cultura do maracujá somente obteve importância econômica a partir de 1986, quando houve ampliação significativa na área cultivada e na produção de frutos, em função do interesse pela fruta tanto para o comércio in natura, como para o processamento industrial (RUGGEIRO, 1998).
A contínua expansão dos plantios de maracujá demanda tecnologias de produção capazes de elevar a produtividade e a rentabilidade dos pomares (CARVALHO et al. 2000). Uma forma de se aumentar a produtividade e, especialmente, a precocidade da primeira produção, consiste no emprego de mudas de qualidade na implantação do pomar, além de adubação apropriada, que refletirá no estado nutricional da planta (PRADO et al., 2005).
Para a obtenção de mudas de boa qualidade, faz-se necessária a utilização de substratos, os quais devem apresentar, entre outras características, pH e composição química adequados e fornecer os nutrientes necessários para odesenvolvimento da planta (SOARES et al., 2007). Aliado a um bom substrato, deve ser utilizado um adubo de alta qualidade, em doses adequadas e preferencialmente com mecanismos de liberação lenta de nutrientes, evitando perdas por lixiviação e volatilização (ELLI et al., 2013).
Os fertilizantes de liberação lenta são alternativas interessantes, pois permitem que os nutrientes sejam disponibilizados de maneira contínua à planta, minimizando os riscos de deficiências. Outras vantagens relacionam-se à redução de custos operacionais, já que são aplicados uma única vez (MENDONÇA et al., 2008), e à diminuição da salinidade do substrato, a qual pode prejudicar o pleno desenvolvimento da muda (SHARMA, 1979). Dentre os adubos de liberação controlada, está o “Osmocote®”, que atualmente vem sendo cada vez mais usado na produção de mudas de espécies frutíferas, ornamentais e oleráceas (BRITTON et al., 1998; PILL; BISCHOFF, 1998; MENDONÇA et al., 2004).
Estudos relacionados à nutrição e adubação do maracujazeiro são escassos na literatura, embora sejam práticas extremamente importantes para pomares de elevada extração e exportação de nutrientes. Para garantir a expansão da produção de maracujás no Brasil, novas pesquisas, dentre as quais as relacionadas com a nutrição mineral da espécie, são fundamentais, considerando-se a importância dos nutrientes na produção (AULAR et al. 2014).
Em vista do exposto, objetivou-se avaliar o desenvolvimento de mudas de maracujá-amarelo submetidas a diferentes doses do adubo de liberação lenta (Osmocote®).
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido em ambiente protegido no Campus Palhano do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), localizado no município de Londrina, estado do Paraná, com latitude de 23°23'12.24"S, longitude de 51°13'07.07"W e altitude de 573m.
As sementes de maracujá-amarelo foram obtidas pela seleção de frutos que apresentavam como característica o tamanho (grandes), o formato ovalado e de casca firme. No total, foram utilizados 30 frutos adquiridos de uma rede comercial de varejo.
O processo de extração das sementes foi realizado de acordo com a metodologia descrita por Ramos et al. (2017), em que as sementes, ainda com o arilo foram colocadas para fermentar durante 4 dias dentro de saco plástico. Depois foram lavadas, secadas a sombra e deixadas em repouso por 48 horas até a semeadura.
A semeadura ocorreu no dia 07 de Julho de 2014, em tubetes preenchidos com o substrato comercial Plantmax HT®, cujo volume de substrato foi de 100 mL. Foram utilizados 180 tubetes, semeando-se quatro sementes por tubete,sendo que 28 dias após a germinação, foi realizado o desbaste, deixando-se apenas a plântula mais vigorosa.
O ensaio foi conduzido em delineamento em blocos casualizados, composto de seis tratamentos e cinco repetições, totalizando 30 parcelas, sendo avaliadas seis plantas por parcela. Os tratamentos consistiram decinco doses (0; 1; 3; 5; 7 e 9 g.L-1) de adubo de liberação lenta da marca Osmocote® NPK, (14-14-14).
A irrigação foi manual e diária no período da manhã, suficiente para manter a umidade do substrato na capacidade de campo e não foi necessário nenhum tipo de tratamento fitossanitário.
Estabeleceu-se o mesmo protocolo que São José (1994), para as condições de avaliação, em que as mudas aos 50 dias devem atingir as condições ideais para serem transplantadas para o campo, sendo que as mesmas devem apresentar 25 cm de altura, serem sadias, e ter de quatro a cinco folhas verdadeiramente vigorosas e estarem emitindo a primeira gavinha.
Foi analisado o diâmetro do caule (DC) em milímetros, determinadopor meio de paquímetro; o comprimento das raízes (CR) e altura de plantas (AP) em centímetros, analisado por meio de régua graduada; o volume radicular (VR) em mililitros, determinada através do deslocamento de água em uma proveta graduada de 100 mL; o número de folhas (NF); a massa seca da parte aérea (MSA) e a massa seca das raízes (MSR) em gramas e a massa seca total (MST) seguindo metodologia de Costa et al.(2005).
As massas secas foram obtidas através de estufa de secagem em temperatura de 65±2oC, por um período de 72 horas até a obtenção da massa constante.
Posteriormente, esse material foi pesado em balança de precisão de forma separada, raiz e parte aérea.
Os resultados obtidos foram submetidos à análise de regressão (p<0,05), em que o melhor modelo foi adotado pelos seguintes critérios: efeito significativo, análise de variância para falta de ajuste, coeficiente de determinação (R2) e teste F parcial. Os pressupostos de normalidade e homogeneidade de variâncias foram testados por Shapiro-Wilk e Bartlett (p>0,05). Todas as análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o software R (R Core Team, 2017).

RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com a análise de variância foi observado efeito significativo (p<0,05) para todas as variáveis analisadas. Os dados foram ajustados até o polinômio de segundo grau, ou seja, com o aumento da dose, há incremento ou decréscimo da variável em questão até um ponto de máximo/mínimo.
A altura de plantas e o comprimento radicular apresentaram ajuste quadrático, em que a máxima resposta foi obtida nas doses de 10,34 e 7,96 g L-1, respectivamente (Figura 1A e 1B). O mesmo ajuste é observado no volume de raízes, em que a máxima resposta foi obtida na dose de 6,85 g L-1, com volume de 1,90 mL (Figura 1C). Doses semelhantes foram relatadas por Pereira et al. (2000), em que aplicaram diferentes doses de Osmocote® em dois substratos na produção de mudas de maracujazeiro, e concluíram que para substratos à base de areia, vermiculita e esterco de curral na proporção de 1:1:1 v/v, a dose de Osmocote® na formulação 17-07-12 foi de 8 g.m-3, contudo, doses maiores foram relatadas por Mendonça et al. (2004) utilizando um substrato composto de Plantmax + areia + solo na proporção 1:1:2 e outro composto de esterco de curral + casca de café + carvão vegetal + areia + solo na proporção de 1:1:1:1:2 (v/v). Sendo assim, a dose do fertilizante está relacionada com o tipo de substrato utilizado, visto que as características do mesmo definem a eficiência da fertilização das plantas.
O incremento na altura de plantas em função do aumento da dose do fertilizante de liberação lenta está relacionado com o fornecimento às mudas em proporções adequadas a cada etapa de desenvolvimento da planta, visto que a absorção de nutrientes não é constante ao longo do ciclo (MARANA et al. 2008). Além disso, a utilização de tubetes, os quais apresentam um limitado substrato, dificulta a aplicação dos adubos tradicionais, seja pelo volume aplicado, seja pelos efeitos fitotóxicos às plantas, devido ao excesso de nutrientes.

Sendo assim, o fornecimento de nutrientes no momento e em proporções adequados, possibilita o incremento na altura de plantas, o que segundo Parviainen (1981), representa um dos principais atributos de qualidade das mudas, ainda que de forma isolada, é um importante estimador para o potencial desempenho, pois está relacionada à taxa de sobrevivência e ao crescimento inicial das plantas no campo,além de sua medição não acarretar a destruição das mudas, o que a torna tecnicamente aceita como uma boa medida do potencial de desempenho (MEXAL; LANDS, 1990).
O número de folhas e o diâmetro do caule apresentaram ajuste quadrático, em que a máxima resposta foi obtida nas doses de 7,38 e 10,15 g L-1, respectivamente (Figura 2A e 2B). O aumento no número de folhas está relacionado com a área foliar e pode ser consideradoum parâmetro para produtividade, dada a importância nos processos fotossintéticos e consequentemente na produção biológica (SCALON et al. 2003), sendo que a extensão da área foliar e do tempo de permanência das folhas em plena atividade na planta, podem resultar no aumento da taxa de interceptação de radiação solar, com consequente aumento no metabolismo e na produtividade das plantas (SOUSA et al., 2011).

A massa seca total, massa seca da parte aérea e a massa seca da raiz apresentaram máxima resposta nas doses de 8,27, 8,71 e 7,01g L-1, respectivamente (Figura 3). Gonçalves et al., (2004), relatam a dificuldade na avaliação da MSR com relação as doses crescentes de adubação, visto que as raízes produzidas em tubetes sofrem oxidação devido o contato com o meio externo, limitando seu desenvolvimento, contudo, no presente experimento, não foi observado essa dificuldade, visto que a melhor dose do adubo possibilitou aumento de 80,45% em relação a dose 0 g L-1.

A partir das estimativas dos pontos de máximo das curvas polinomiais, foi calculado a média e o desvio-padrão amostral, com o intuito de definir qual a dose que representa o equilíbrio dos componentes estudados no presente trabalho(Tabela 1).

Adose média estimada de melhor resposta do fertilizante Osmocote® foi de 8,33±1,33 g L-1corroborando com os resultados obtidos por Silva et al. (2001), que observaram em seu trabalho que a utilização de 8 g.L-1 de Osmocote® (formulação 14-14-14) obteve o melhor resultado tanto utilizando o substrato Plantmax® puro, quanto vermiculita + nutriplanta (fonte de material orgânico comercial).
Mendonça et al. (2004), relatam que a utilização do Osmocote® na produção de mudas de maracujá-amarelo proporciona melhores resultados com as maiores dosagens, fato que corrobora com os resultados encontradosnesse trabalho.
CONCLUSÃO
O fertilizante de liberação lenta Osmocote® (14-14-14)favorece o crescimento e desenvolvimento de mudas de maracujá-amarelo em função do aumento da dose, sendo que a dose de 8,33g L-1 representa o ponto de equilíbrio de melhor resposta entre as variáveis analisadas.

Fonte
KATO, Daniel Seiti et al. Produção de mudas de maracujá amarelo submetidas a doses crescentes de adubação de liberação lenta. Revista Terra & Cultura: Cadernos de Ensino e Pesquisa, v. 34, n. esp., p. 310-320, 2018.