Pecuária

Produção de mudas de maracujá amarelo submetidas a doses crescentes de adubação de liberação lenta

Daniel Vilar
Especialista
13 min de leitura
Produção de mudas de maracujá amarelo submetidas a doses crescentes de adubação de liberação lenta
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A produção de mudas de boa qualidade é um processo primordial para o sucesso na condução  da  cultura,  apesar  da  dificuldade  encontrada  pelos  produtores.  Dessa forma, é recomendável a utilização de substrato que forneça nutrientes em proporções adequadas,  tais  com  os  adubos  de  liberação  lenta.  Portanto,  objetivou-se  avaliar  o desenvolvimento  de  mudas  de  maracujá-amarelo  em  diferentes  doses  de  adubo  de liberação lenta (Osmocote®).  O  delineamento  experimental foi  em blocos  ao  acaso com  seis  tratamentos  e  cinco repetições,  totalizando  30  parcelas.  Os  tratamentos consistiram  decinco  doses do  adubo  Osmocote®  (NPK) (0; 1; 3; 5; 7 e 9 g.L-1) e  o substrato utilizado foi o Plantmax HT®. Avaliou-se o diâmetro do caule, comprimento das  raízes,  volume  radicular,  altura da  plântula,  número  de  folhas,  massa  seca  da parte  aérea,  massa  seca  das  raízes  e  massa  seca  total.  Observou-se  efeito significativo  das  doses  do  adubo,  apresentando  ajuste  quadrático  em  todas  as variáveis   analisadas.   Dessa   forma,   o   fertilizante   favoreceu o   crescimento   e desenvolvimento  de  mudas  de  maracujá-amarelo  em  função  do  aumento  da  dose, sendo que a dose de 8,33 g L-1 representa o ponto de equilíbrio de melhor resposta entre as variáveis analisadas.

INTRODUÇÃO

O  maracujá-amarelo  (Passiflora  edulis Sims  f.flavicarpa Deg.)  é  uma  planta originária  da  América  Tropical,  sendo  a  espécie  de  maracujá  de  maior  importância econômica  no  Brasil,  pois representa  95%  dos  pomares  cultivados  comercialmente (NEGREIROS et al., 2006).

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016),  verificou-se  que  a  produção  nacional  do  maracujá  no  ano  de  2016  foi  de 703.489  t,  ocupando  uma  área  aproximada  de  50.204  ha,  colocando  o  país  como maior   produtor   mundial.   No   entanto,   a   cultura   do   maracujá   somente   obteve importância econômica a partir de 1986, quando houve ampliação significativa na área cultivada  e  na  produção  de  frutos,  em  função  do  interesse  pela  fruta  tanto  para  o comércio in natura, como para o processamento industrial (RUGGEIRO, 1998).

A  contínua  expansão  dos  plantios  de  maracujá  demanda  tecnologias  de produção   capazes   de   elevar   a   produtividade   e   a   rentabilidade   dos   pomares (CARVALHO   et   al.   2000).   Uma   forma   de   se   aumentar   a   produtividade   e, especialmente, a precocidade da primeira produção, consiste no emprego de mudas de qualidade na implantação  do  pomar,  além de  adubação  apropriada,  que refletirá no estado nutricional da planta (PRADO et al., 2005).

Para a obtenção de mudas de boa qualidade, faz-se necessária a utilização de substratos, os quais devem apresentar, entre outras características, pH  e composição química adequados e fornecer  os  nutrientes  necessários  para  odesenvolvimento da planta (SOARES et al., 2007). Aliado a um bom substrato, deve ser utilizado um adubo de alta qualidade, em doses adequadas e preferencialmente com mecanismos de liberação lenta de nutrientes, evitando perdas por lixiviação e volatilização (ELLI et al., 2013). 

Os fertilizantes de liberação lenta são alternativas interessantes, pois permitem que os nutrientes sejam disponibilizados de maneira contínua à planta, minimizando os  riscos  de  deficiências.  Outras  vantagens  relacionam-se  à  redução  de  custos operacionais,  já  que  são  aplicados  uma  única  vez  (MENDONÇA  et  al.,  2008),  e  à diminuição da salinidade do substrato, a qual pode prejudicar o pleno desenvolvimento da  muda  (SHARMA,  1979).  Dentre  os  adubos  de  liberação  controlada,  está  o “Osmocote®”,  que  atualmente  vem  sendo  cada  vez  mais  usado  na  produção  de mudas de espécies frutíferas, ornamentais e oleráceas (BRITTON et al., 1998; PILL; BISCHOFF, 1998; MENDONÇA et al., 2004).

Estudos relacionados à nutrição  e  adubação  do  maracujazeiro são  escassos na  literatura,  embora  sejam  práticas  extremamente  importantes  para  pomares  de elevada extração e exportação de nutrientes. Para garantir a expansão da produção de  maracujás  no  Brasil,  novas  pesquisas,  dentre  as  quais  as  relacionadas  com  a nutrição  mineral  da  espécie,  são  fundamentais,  considerando-se  a  importância  dos nutrientes na produção (AULAR et al. 2014).

Em  vista  do  exposto, objetivou-se  avaliar  o  desenvolvimento  de  mudas  de maracujá-amarelo  submetidas  a  diferentes doses  do  adubo  de  liberação lenta (Osmocote®).

MATERIAL E MÉTODOS

O  experimento foi conduzido  em  ambiente  protegido no Campus  Palhano do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), localizado no município de Londrina, estado do Paraná,  com  latitude  de  23°23'12.24"S,  longitude  de  51°13'07.07"W  e  altitude  de 573m. 

As sementes  de  maracujá-amarelo foram  obtidas  pela seleção  de frutos  que apresentavam como característica o tamanho (grandes), o formato ovalado e de casca firme. No total, foram utilizados 30 frutos adquiridos de uma rede comercial de varejo.

O  processo  de  extração  das  sementes  foi  realizado  de  acordo  com  a metodologia descrita por Ramos et al. (2017), em que as sementes, ainda com o arilo foram colocadas para fermentar durante 4 dias dentro de saco plástico. Depois foram lavadas, secadas a sombra e deixadas em repouso por 48 horas até a semeadura. 

A semeadura ocorreu no dia 07 de Julho de 2014, em tubetes preenchidos com o substrato comercial Plantmax HT®, cujo volume de substrato foi de 100 mL. Foram utilizados 180 tubetes, semeando-se quatro sementes por tubete,sendo que 28 dias após  a  germinação,  foi  realizado  o  desbaste,  deixando-se  apenas  a  plântula  mais vigorosa. 

O ensaio foi conduzido em delineamento em blocos casualizados, composto de seis  tratamentos  e  cinco  repetições,  totalizando  30  parcelas,  sendo  avaliadas  seis plantas por parcela. Os tratamentos consistiram decinco doses (0; 1; 3; 5; 7 e 9 g.L-1) de adubo de liberação lenta da marca Osmocote® NPK, (14-14-14).

A irrigação foi manual e diária no período da manhã, suficiente para manter a umidade do substrato na capacidade de campo e não foi necessário nenhum tipo de tratamento fitossanitário.

Estabeleceu-se o mesmo protocolo que São José (1994), para as condições de avaliação, em que as mudas aos 50 dias devem atingir as condições ideais para serem transplantadas  para  o  campo,  sendo  que  as  mesmas  devem  apresentar  25  cm  de altura,  serem  sadias,  e  ter  de  quatro  a  cinco  folhas  verdadeiramente  vigorosas  e estarem emitindo a primeira gavinha. 

Foi analisado o diâmetro do caule (DC) em milímetros, determinadopor meio de  paquímetro;  o  comprimento  das  raízes  (CR)  e  altura  de  plantas  (AP)  em centímetros,  analisado  por  meio  de  régua  graduada;  o  volume  radicular  (VR)  em mililitros, determinada através do deslocamento de água em uma proveta graduada de 100 mL; o número de folhas (NF); a massa seca da parte aérea (MSA) e a massa seca das raízes (MSR) em gramas e a massa seca total (MST) seguindo metodologia de Costa et al.(2005).

As massas secas foram obtidas através de estufa de secagem em temperatura de  65±2oC,  por  um  período  de  72  horas  até  a  obtenção  da  massa  constante. 

Posteriormente, esse material foi pesado em balança de precisão de forma separada, raiz e parte aérea.

Os resultados obtidos foram submetidos à análise de regressão (p<0,05), em que o melhor modelo foi adotado pelos seguintes critérios: efeito significativo, análise de variância para falta de ajuste, coeficiente de determinação (R2) e teste F parcial. Os pressupostos de normalidade e homogeneidade de variâncias foram testados por Shapiro-Wilk e  Bartlett  (p>0,05). Todas  as  análises  estatísticas  foram  realizadas utilizando-se o software R (R Core Team, 2017).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com a análise de variância foi observado efeito significativo (p<0,05) para  todas  as  variáveis  analisadas.  Os  dados  foram  ajustados  até  o  polinômio  de segundo  grau,  ou  seja,  com  o  aumento  da  dose,  há  incremento  ou  decréscimo  da variável em questão até um ponto de máximo/mínimo.

A altura de plantas e o comprimento radicular apresentaram ajuste quadrático, em que a máxima resposta foi obtida nas doses de 10,34 e 7,96 g L-1, respectivamente (Figura 1A e 1B). O mesmo ajuste é observado no volume de raízes, em que a máxima resposta foi obtida na dose de 6,85 g L-1, com volume de 1,90 mL (Figura 1C). Doses semelhantes foram relatadas  por Pereira  et  al. (2000),  em  que aplicaram  diferentes doses de Osmocote® em dois substratos na produção de mudas de maracujazeiro, e concluíram  que  para substratos à  base  de  areia, vermiculita  e esterco  de curral na proporção de 1:1:1 v/v, a dose de Osmocote® na formulação 17-07-12 foi de 8 g.m-3, contudo,  doses  maiores  foram  relatadas  por  Mendonça  et  al.  (2004)  utilizando  um substrato composto de Plantmax + areia + solo na proporção 1:1:2 e outro composto de esterco de curral + casca de café + carvão vegetal + areia + solo na proporção de 1:1:1:1:2  (v/v).   Sendo  assim,  a  dose  do fertilizante  está relacionada com  o tipo  de substrato  utilizado,  visto  que  as  características  do  mesmo  definem  a  eficiência  da fertilização das plantas.

O incremento na altura de plantas em função do aumento da dose do fertilizante de  liberação  lenta  está  relacionado  com  o  fornecimento  às  mudas  em  proporções adequadas  a  cada  etapa  de  desenvolvimento  da  planta,  visto  que  a  absorção  de nutrientes  não  é  constante  ao  longo  do  ciclo  (MARANA  et  al.  2008).  Além  disso,  a utilização de tubetes, os quais apresentam um limitado substrato, dificulta a aplicação dos  adubos tradicionais, seja  pelo volume  aplicado, seja  pelos  efeitos fitotóxicos às plantas, devido ao excesso de nutrientes.

Sendo  assim,  o  fornecimento  de  nutrientes  no  momento  e em  proporções adequados, possibilita o incremento na altura de plantas, o que segundo Parviainen (1981), representa um dos principais atributos de qualidade das mudas, ainda que de forma  isolada,  é  um  importante  estimador  para  o  potencial  desempenho,  pois está relacionada à taxa de sobrevivência e ao crescimento inicial das plantas no campo,além  de  sua  medição  não  acarretar  a  destruição  das  mudas,  o  que  a  torna tecnicamente  aceita  como  uma  boa  medida  do  potencial  de  desempenho  (MEXAL; LANDS, 1990).

O número de folhas e o diâmetro do caule apresentaram ajuste quadrático, em que a máxima resposta foi obtida nas doses de 7,38 e 10,15 g L-1, respectivamente (Figura 2A e 2B). O aumento no número de folhas está relacionado com a área foliar e  pode  ser  consideradoum  parâmetro  para  produtividade,  dada  a  importância  nos processos fotossintéticos e consequentemente na produção biológica (SCALON et al. 2003), sendo que a extensão da área foliar e do tempo de permanência das folhas em plena  atividade  na  planta,  podem  resultar  no  aumento  da  taxa  de  interceptação  de radiação  solar,  com  consequente  aumento  no  metabolismo  e  na  produtividade  das plantas (SOUSA et al., 2011).

A  massa  seca  total,  massa  seca  da  parte  aérea  e  a  massa  seca  da  raiz apresentaram máxima resposta nas doses de 8,27, 8,71 e 7,01g L-1, respectivamente (Figura 3). Gonçalves et al., (2004), relatam a dificuldade na avaliação da MSR com relação as doses crescentes de adubação, visto que as raízes produzidas em tubetes sofrem oxidação devido o contato com o meio externo, limitando seu desenvolvimento, contudo,  no  presente  experimento,  não  foi  observado  essa  dificuldade,  visto  que  a melhor dose do adubo possibilitou aumento de 80,45% em relação a dose 0 g L-1.

A  partir  das  estimativas  dos  pontos  de  máximo  das  curvas  polinomiais,  foi calculado a média e o desvio-padrão amostral, com o intuito de definir qual a dose que representa o equilíbrio dos componentes estudados no presente trabalho(Tabela 1).

Adose  média  estimada  de  melhor resposta  do fertilizante  Osmocote® foi  de 8,33±1,33 g L-1corroborando com  os resultados obtidos por Silva  et  al. (2001),  que observaram  em seu trabalho  que a utilização de 8 g.L-1 de  Osmocote® (formulação 14-14-14)  obteve  o  melhor  resultado  tanto  utilizando  o  substrato  Plantmax®  puro, quanto vermiculita + nutriplanta (fonte de material orgânico comercial).

Mendonça et al. (2004), relatam que a utilização do Osmocote® na produção de  mudas  de  maracujá-amarelo  proporciona  melhores  resultados  com  as  maiores dosagens, fato que corrobora com os resultados encontradosnesse trabalho.

CONCLUSÃO 

O   fertilizante   de   liberação   lenta   Osmocote®   (14-14-14)favorece   o crescimento  e  desenvolvimento  de  mudas  de  maracujá-amarelo  em  função  do aumento da dose, sendo que a dose de 8,33g L-1 representa o ponto de equilíbrio de melhor resposta entre as variáveis analisadas.

Fonte

KATO, Daniel Seiti et al. Produção de mudas de maracujá amarelo submetidas a doses crescentes de adubação de liberação lenta. Revista Terra & Cultura: Cadernos de Ensino e Pesquisa, v. 34, n. esp., p. 310-320, 2018.

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