Pecuária

Principais Deficiências Minerais dos Solos Utilizados com Pastagens

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
Principais Deficiências Minerais dos Solos Utilizados com Pastagens
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Na maioria dos solos do País utilizados com pastagens, a deficiência mineral mais acentuada e generalizada é a de fósforo (P), mesmo naqueles com mediana fertilidade. Por essa razão, são inúmeros os trabalhos em que se estudam respostas das principais gramíneas e leguminosas à aplicação de diferentes doses e fontes de P, como foi desenvolvido por Azevedo e Souza (1982), em Altamira, PA (Quadro 1). Observa-se uma resposta acentuada de todas as gramíneas à adubação com P, exceto da Brachiaria sp. Florida.

Tem sido detectada no solo a deficiência de diversos nutrientes, tais como: cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), potássio (K), nitrogênio (N), além de micronutrientes como o zinco (Zn), molibdênio (Mo) e até mesmo de cobre (Cu) e boro (B) (MCCLUNG; FREITAS; LOTT, 1959; CASAGRANDE; SOUZA, 1982).

A resposta das pastagens à aplicação de nutrientes é tanto mais acentuada quanto maior for a exigência das gramíneas e a presença ou não de leguminosas. As braquiárias são consideradas plantas adaptadas a solos de baixa e média fertilidade, como demonstraram Buller et al. (1972), ao estudarem o comportamento de diversas gramíneas, aplicando altas doses de fertilizantes (200, 100 e 50 kg/ha), em relação a baixas doses (100, 25 e 0 kg/ha) de N, P e K, respectivamente. A avaliação da produção foi feita por meio de cortes, cujos resultados estão apresentados no Quadro 2.

Conclui-se que B. decumbens (IRI 562) foi o melhor capim em quaisquer dos níveis de fertilidade, com uma ligeira superioridade na dose mais baixa. Contudo, deve-se considerar o pequeno período de avaliação e que, apesar de ser baixo, o nível de fertilização de 100 kg de N/ha é elevado, no que se refere à parte econômica.

Nunes, Vieira e Souza (1979), em solos anteriormente sob vegetação de Cerrado, submeteram diversas pastagens de gramíneas ao pastejo, utilizando novilhos nelorados em fase de recria. Ressalta-se que as pastagens foram formadas sem nenhuma aplicação de fertilizantes.

As pastagens de B. decumbens cv. Ipean chegaram a proporcionar até 70 kg de peso vivo (PV)/ha, no período seco, demonstrando seu potencial para essa época do ano, mesmo sem adubação. A importância desse resultado deve-se ao fato de ter sido obtido sob pastejo e por um período razoável de quatro anos, porém faltou a comparação com pastagem adubada, para verificar o acréscimo ou não na produção de carne.

Observa-se, no entanto, que as pastagens apresentadas foram de gramínea pura. Hutton (1982) alerta:

A gramínea estolonífera e agressiva B. decumbens, que tem sido plantada abundantemente sem leguminosa, representa hoje para os cientistas o problema mais sério de melhoramento de pastagens. Eventualmente, mais cedo ou mais tarde, as pastagens de B. decumbens tornam-se deficientes em N, P, S etc. e diminuem a produtividade"

Esse fato pode explicar o que foi afirmado sobre o estado de degradação em que se encontra, atualmente, a maioria das pastagens de braquiária e sobre os inúmeros trabalhos que comprovam um efeito altamente positivo da adubação.

Serrão et al. (1971) estudaram as respostas de B. decumbens, B. ruziziensis e Penninsetum purpureum a diversos elementos fertilizantes em solo Latossólico representativo dos arredores de Belém e das regiões Bragatina e Guajarina, no estado do Pará, de baixa fertilidade, quando usaram os seguintes tratamentos: T = testemunha; T + Ca = T + calagem; C (completo: N, P, K, Ca, Mg, S e micronutrientes); C – N; C – P; C – K; C – Ca; C – Mg: C – S e Mn; C – Mi (micronutrientes: Cu, Zn, B e Mo).

Somente o calcário, P e Mg foram aplicados no plantio. Os demais nutrientes foram aplicados em quatro parcelamentos iguais para as braquiárias e cinco para o capim-elefante. Os resultados obtidos podem ser observados no Quadro 3.

Observa-se que a B. ruziziensis, de modo geral, mostrou-se menos exigente que a B. decumbens, mas foi mais exigente em K, N e Ca, enquanto a última foi mais exigente em P. A pouca resposta obtida ao N aplicado pode ser por causa do N existente na matéria orgânica (MO) do solo.

Apesar de as quantidades aplicadas de nutrientes terem sido altas, cerca de 75% da produção total de forragem das braquiárias foi obtida nos quatro primeiros cortes, indicando pouco efeito residual dos fertilizantes.

Serrão e Simão Neto (1971), na mesma unidade de solo, concluíram em experimentos de campo que B. decumbens e B. ruziziensis não produziram quantidades satisfatórias de forragem em solos com baixos teores de P e K, e que as respostas à calagem e ao N também não foram marcantes.

Ferreira, Mozzer e Carvalho (1974) mostraram que braquiárias, com a mesma adubação, produzem tanta ou mais forragem que outras espécies consideradas mais exigentes. No estudo, esses mesmos autores consideraram solo anteriormente sob vegetação de Cerrado, onde foram aplicados, além do calcário, 90 e 50 kg de P2O5/ha no plantio e no terceiro ano, respectivamente; 60, 48 e 48 kg de K2O/ha no plantio, nos segundo e terceiro anos, respectivamente; e 80 kg de N/ha no plantio e, anualmente, em três coberturas, sendo que, neste caso, com exceção do P (cuja dose é considerada baixa), os demais elementos foram aplicados em doses elevadas. Os resultados estão apresentados no Quadro 4.

A importância da adubação não deve refletir apenas sobre o rendimento da forragem. Espera-se que plantas bem nutridas mantenham sempre e por mais tempo uma cobertura adequada do solo, dificultando o aparecimento de plantas invasoras, e que sejam mais resistentes à seca, à geada etc.

Reis e Botelho (1984) mostraram que pastagens de braquiária adubadas apresentaram maior quantidade de forragem disponível do que as não adubadas, o que lhes conferiu, sem dúvida, menor dano ou maior grau de resistência ao ataque de cigarrinhas, proporcionando-lhes maior capacidade de recuperação após o ataque da praga.

A aplicação de NPK no plantio e P em cobertura aumentou a altura das plantas e, consequentemente, diminuiu a relação número de ninfas/kg de matéria seca (MS) disponível.

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Fonte

BARCELOS, Adauto Ferreira; DE LIMA, Josiane Aparecida; PEREIRA, Josafát Pádua; GUIMARÃES, Paulo Tácito Gontijo; EVANGELISTA, Antônio Ricardo; GONÇALVES, Clenderson Corradi de Mattos. Adubação de capins do gênero Brachiaria. 1ª ed. Belo Horizonte – MG: EPAMIG, 2011.

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