Preço do feijão preto em queda por conta da proximidade da segunda safra
O mercado de feijão apresentou movimentos diferentes entre as principais variedades na última semana. Segundo dados do CEPEA, divulgados em 20 de abril de 2026, o feijão carioca teve uma reação nos preços, enquanto o feijão preto continua pressionado pela oferta.
No caso do feijão carioca, a melhora foi puxada pela retomada das compras, principalmente para lotes de melhor qualidade — aqueles classificados como nota 9 ou superior. Esse tipo de grão tem maior padrão visual e melhor aceitação no mercado, o que facilita a negociação. Mesmo assim, os produtores ainda enfrentam dificuldade para subir os preços de forma mais consistente. Isso acontece porque há pouca disponibilidade desses lotes de alta qualidade e, ao mesmo tempo, o varejo encontra resistência para repassar novos aumentos ao consumidor.
Já o feijão preto segue em trajetória de queda nas cotações. O principal fator é a proximidade da segunda safra, que aumenta a expectativa de oferta no mercado. Com mais produto chegando, os compradores tendem a segurar as aquisições, pressionando os preços para baixo.
No consumo, os dados mais recentes mostram que os preços ainda estão sendo repassados ao consumidor final. De acordo com o IBGE, por meio do índice de inflação IPCA, o feijão carioca subiu 15,40% apenas no mês de março, acumulando alta de 27,73% nos últimos 12 meses. O feijão preto também teve aumento de 7,12% em março, mesmo ainda registrando queda acumulada de 13,95% no período de um ano.
Na prática, isso mostra um mercado ainda ajustando oferta e demanda. O produtor tenta recuperar margens após as altas no início do ano, mas encontra limites no consumo, que começa a sentir o peso dos preços mais elevados.
Exemplo prático:
Se você produz feijão carioca de alta qualidade, este é um momento de atenção às oportunidades. Lotes bem classificados continuam tendo maior procura e podem garantir melhor preço, mesmo em um mercado travado. Já no caso do feijão preto, antecipar a comercialização pode ser uma estratégia para evitar vender em um cenário de maior oferta e preços pressionados com a entrada da segunda safra.
🔧 Orientação prática:
Fique atento à classificação do seu produto antes de negociar. Investir em colheita no ponto certo, beneficiamento e padronização pode fazer a diferença no preço final — principalmente no feijão carioca, onde a qualidade está sendo decisiva nas negociações.