Pecuária

ONU anuncia projeto de US$ 1 mi contra verme-do-novo-mundo

A mosca-da-bicheira, também conhecida como Cochliomyia hominivorax, coloca seus ovos em feridas de animais de sangue quente.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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A mosca-da-bicheira (ou verme-do-novo-mundo) voltou a acender um alerta na pecuária das Américas. Após reaparecer na América Central e no México, a praga foi confirmada nos Estados Unidos neste mês pela primeira vez em mais de 40 anos, aumentando os riscos para bovinos, outros animais de produção, a fauna silvestre e até animais de estimação.

Diante do avanço do surto, a Agência Internacional de Energia Atômica e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura anunciaram um projeto de pesquisa de US$ 1 milhão para reforçar o combate à praga. O foco principal é ampliar a produção de moscas estéreis, uma tecnologia que já se mostrou eficiente no passado para erradicar a doença em diversos países das Américas.

A mosca-da-bicheira, também conhecida como Cochliomyia hominivorax, coloca seus ovos em feridas de animais de sangue quente. Quando os ovos eclodem, centenas de larvas começam a se alimentar de tecido vivo. Sem tratamento, a infestação pode levar à morte do animal.

O método de controle utilizado pelas agências internacionais é conhecido como Técnica do Inseto Estéril. Nele, as moscas são submetidas à radiação para se tornarem incapazes de se reproduzir. Após serem liberadas no ambiente, elas acasalam com as moscas selvagens, interrompendo gradualmente o ciclo de reprodução e reduzindo a população da praga.

O desafio atual é a capacidade de produção dessas moscas estéreis. Segundo as agências, uma resposta emergencial ao surto pode exigir até 600 milhões de moscas estéreis por semana. Hoje, a única instalação em operação, localizada no Panamá, produz cerca de 100 milhões de moscas por semana, número insuficiente para atender à demanda.

Novas unidades previstas em Metapa de Domínguez e em Mission poderão elevar a capacidade de produção em até 400 milhões de moscas estéreis por semana nos próximos anos, fortalecendo a estratégia de contenção.

Para o produtor rural brasileiro, a notícia merece atenção, mesmo sem registros recentes da praga no País. A mosca-da-bicheira causa grandes prejuízos econômicos, reduzindo o ganho de peso, comprometendo a saúde dos animais, aumentando os custos com medicamentos e podendo provocar mortalidade em casos severos.

Na prática, o principal fator de risco são feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais. Marcas de brincos, descornas, castrações, ferimentos causados por cercas e picadas podem servir de porta de entrada para a infestação.

🔧 Orientação: Faça inspeções frequentes no rebanho, principalmente em animais com feridas recentes. Qualquer lesão com presença de larvas, mau cheiro ou secreção deve receber atendimento imediato. O monitoramento constante e o tratamento precoce continuam sendo as ferramentas mais importantes para evitar perdas e proteger a sanidade do rebanho.

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