Pecuária

Noções de Administração e Economia Rural

Daniel Vilar
Especialista
12 min de leitura
Noções de Administração e Economia Rural
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A Administração Rural surgiu no começo do século XX junto às universidades de Ciências Agrárias, na Inglaterra e Estados Unidos com a com a finalidade de analisar a viabilidade econômica das técnicas agrícolas.

Tinha um conceito parcial da administração rural, enfocando, prioritariamente, a área de produção e a função controle. Administração Rural é um ramo da ciência administrativa que estuda os processos racionais de decisões e ações administrativas em organizações rurais.

A Administração Rural também pode ser definida como o conjunto de atividades que facilitam aos produtores rurais a tomada de decisões ao nível de sua empresa agrícola, com o fim de obter melhor resultado econômico, mantendo a produtividade da terra.

A administração de uma empresa rural se apoia principalmente no controle dos recursos globais de forma que o administrador alcance seus objetivos com o mínimo de recursos.

Estes recursos são:

  • Recursos materiais;
  • Recursos humanos;
  • Recursos financeiros;
  • Recursos mercadológicos.

De posse de todos os dados é possível analisá-los com maior clareza, e assim traçar os objetivos que deverão ser alcançados num tempo que dependerá da duração das atividades envolvidas.

Essa “administração” é uma das ferramentas indispensáveis para alcançar um desenvolvimento sustentável da propriedade como um todo, independentemente do seu tamanho, pois está voltada tanto para as unidades de produção familiar (agricultura familiar) como para as explorações capitalistas (empresas agrícolas ou rurais).

Os principais papéis da administração rural é planejar, controlar, decidir e monitorar (controlar) os resultados, visando sempre o alcance de maiores lucros, além da satisfação e motivação dos funcionários e clientes.

Esses papéis serão melhor exercidos, quando variáveis internas e externas forem bem conhecidas por parte da Administração envolvendo principalmente:

• Aspectos climáticos da região;

• Mercado consumidor para os produtos;

• Condições e características dos produtos (perecibilidade/tamanho/oferta no mercado, etc.);

• Área disponível na propriedade;

• Tecnologia disponível na propriedade;

• Mão de obra capacitada e disponível, etc.

A Economia Rural é a ciência que estuda as relações econômicas no meio rural, preocupando-se fundamentalmente com as atividades de produção e comercialização agropecuária.

Alguns fatores como clima; ataque de pragas e doenças; disponibilidade de crédito; infraestrutura de armazenagem; logística etc, podem influenciar a produção ao final do processo, resultando em escassez ou excesso de oferta, o que pode acarretar em preços altos para o consumidor ou preços baixos para o produtor.

Uma análise mercadológica com base no balanço de oferta e demanda dos produtos aos níveis: municipal, estadual, nacional e internacional pode dar suporte aos produtores no processo decisório, quanto à:

• O que produzir?

• Quanto produzir?

• Como produzir?

• Quando produzir?

Para se realizar um estudo de Oferta e Demanda, é necessário um acompanhamento permanente de preços e de produção agropecuária, em todos os níveis.

1 A Administração Rural e o Agronegócio

O agronegócio é sem dúvidas a maior indústria do Brasil, e o administrador é o profissional capaz de gerir todo o processo gerencial, econômico e social desta imensa indústria.

Pode-se definir Agronegócio como sendo a soma de toda uma cadeia produtiva relacionada aos produtos provenientes da agricultura e pecuária. Envolve empresas rurais, produtores de insumos agrícolas, maquinários, agroindústrias, empresas de comercialização e o próprio consumidor.

O conceito de agronegócio foi desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade de Harvard, John Davis e Ray Goldberg. Nasceu com a expressão “agribusiness”, nos EUA, em 1955.

Por definição, John Davis queria dizer que “agribusiness era a soma total de todas as operações envolvendo a produção e distribuição de suprimentos agrícolas; as operações de produção dentro da fazenda; o armazenamento, processamento e distribuição de produtos agrícolas e dos itens produzidos a partir deles”.

No Brasil, o conceito surgiu nos anos 80, com a expressão “Complexo Agroindustrial”, que evoluiu mais tarde para agronegócio. Mais do que a expressão, contudo, o que importa é o conceito de que agronegócio – de base empresarial ou familiar – que envolve toda a cadeia produtiva.

Com o surgimento de novos conceitos administrativos, o desenvolvimento da empresa rural se dá através de uma ideia de integração com os meios interno e externo, seja, com o administrador na propriedade, também nos eventos que acontecem fora dela, seja na maneira como o ciclo produtivo é realizado, o bom relacionamento entre fornecedores, cooperativas etc., a maneira como a produção chega até o consumidor final.

Com o agronegócio cada vez mais forte, cabe aos administradores buscar mudanças, na busca de capacitação da mão-de-obra diante das novas tecnologias (máquinas, colheitadeiras), e também em conhecimentos bancários, cooperativos, com isso, abrir novos mercados, como forma de agregar mais valor aos produtos.

Além da necessidade de querer buscar mudanças, é necessário ter um conhecimento e uma visão sistêmica do agronegócio. É indispensável a compreensão do agronegócio de uma forma sistêmica que engloba os setores chamados: “antes da porteira”; “dentro da porteira”; “depois da porteira”.

Os setores “antes da porteira” são compostos basicamente pelos fornecedores de insumos e serviços, como: máquinas, implementos, defensivos, fertilizantes, corretivos, sementes, tecnologia, financiamento.

“Dentro da porteira” é o conjunto de atividades desenvolvidas dentro das unidades produtivas agropecuárias, ou produção agropecuária propriamente dita, que envolve preparo e manejo de solos, tratos culturais, irrigação, colheita, criações e outras.

“Depois a porteira” refere-se às atividades de armazenamento, beneficiamento, industrialização, embalagem, distribuição, transporte.

O agronegócio engloba:

  • Produtores rurais: detentores de pequenas, médias ou grandes propriedades onde há a produção rural.
  • Fornecedores de insumos rurais: fabricantes de máquinas rurais, fornecedores de pesticidas, sementes, equipamentos, etc.
  • Processamento, distribuição e comercialização: frigoríficos, distribuidoras de alimentos, indústrias, supermercados, entre outros.

Existem, ainda, as instituições de ensino, pesquisa, extensão rural, de assistência técnica, de crédito rural e as organizações de classe, que interagem e influenciam de maneira intensa o agronegócio.

2 O processo Administrativo nas Empresas Rurais

Todo proprietário rural, que decide pela transformação de sua “Fazenda” em uma empresa, deve passar inevitavelmente pelo processo administrativo. Ele é fundamental para o sucesso do empreendimento.

A definição dos objetivos gerais da empresa está ligada principalmente ao lucro, e os objetivos específicos se relacionam às diversas áreas funcionais da empresa (recursos humanos, produção, finanças e comercialização).

Toda empresa está inserida em um ambiente onde influencia e é influenciada por este. Tais influências afetam direta e indiretamente o resultado produtivo e, consequentemente, os resultados da empresa rural.

O ambiente representa o universo que envolve externamente a empresa, sendo constituído de outras empresas e organizações, grupos sociais, enfim toda a sociedade.

Segundo Chiavenato (1982), o ambiente é dividido em ambiente geral e ambiente tarefa.

Ambiente Geral: é constituído de um conjunto de fatores externos que envolvem e influencia todas as empresas. É constituído das seguintes variáveis:

- Variáveis tecnológicas: envolvem os conhecimentos totais acumulados de como fazer as coisas. Inclui invenções, técnicas, aplicações, desenvolvimentos e outros. Elas podem ser externas à empresa, quando são absorvidas do ambiente, tornam-se também internas, quando são desenvolvidas e aplicadas na empresa.

- Variáveis políticas: decorrem das políticas e critérios de decisão adotadas pelos governos, federal estadual e municipal.

- Variáveis econômicas: referem-se ao contexto econômico geral. O efeito das variáveis econômicas sobre as empresas é acentuadamente grande, determinando, por vezes, o volume de operações das mesmas, o nível de preços e de rentabilidade potencial, a possibilidade na obtenção de recursos básicos, os mecanismos de oferta e procura do mercado em geral.

- Variáveis legais: referem-se ao contexto de leis e normas legais que regulam, controlam, incentivam ou restringem determinados tipos de comportamento em geral.

- Variáveis sociais: sendo a empresa, ao mesmo tempo, uma organização social e uma unidade econômica, está sujeita a pressões sociais e à influência do meio social e cultural em que se situa.

- Variáveis demográficas: referem-se às características da população, seu crescimento, raça, distribuição geográfica, etc.

- Variáveis ecológicas: refere-se ao ecossistema solo, vegetação, animais, clima. Para o setor rural é importante, uma vez que determina e condiciona todo o processo produtivo.

Observa-se, quanto ao controle, que os fatores externos à empresa (ambiente) podem ser subdivididos em dois grupos: os fatores controlados pelo governo, como a legislação, política agrícola, fiscal e cambial, etc. e os fatores incontroláveis, regidos, principalmente, pelo mercado e sociedade. Os fatores internos à empresa rural são controlados pelo produtor.

Ambiente Tarefa: é o meio ambiente específico da empresa e corresponde ao segmento do ambiente geral mais próximo e operacional da empresa. É constituído por empresas, instituições, grupos e indivíduos que atuam no mesmo setor e que são relevantes para a empresa poder estabelecer e alcançar os seus objetivos. Este ambiente é constituído de quatro setores principais:

- Consumidores: usuários dos produtos ou serviços

- Fornecedores: fornecem os recursos necessários ao funcionamento da empresa, fornecedores de capital, materiais, insumos, de mão-de-obra, equipamentos e de serviços.

- Concorrentes: empresas que concorrem entre si para a obtenção de recursos necessários e para a conquista dos mercados para a colocação dos seus produtos e serviços.

- Grupos reguladores: são compostos pelo governo, sindicatos, associações, etc.

Essas instituições de alguma forma, impõem controles, limitações e restrições às atividades da empresa, seja especificando maneiras pelas quais ela deverá se conduzir, seja limitando suas ações ou fiscalizando e controlando suas atividades.

3 Funções Básicas da Administração

Mais do que saber produzir, é preciso que os produtores rurais saibam administrar. É a sua capacidade gerencial que faz a diferença num cenário tão complexo e desafiador.

O produtor rural de sucesso, atualmente, precisa obter não apenas informações sobre produção e tecnologia, mas conceitos administrativos em áreas como marketing e finanças.

Precisa também aprimorar sua tomada de decisão, aperfeiçoando as decisões estratégicas e táticas; ajustar seu negócio continuamente às mudanças tecnológicas e às condições de mercado; dar maior ênfase à análise do mercado; e aprimorar suas funções gerenciais.

O gerenciamento da empresa rural está centrado no processo de tomada de decisão, e o administrador é um tomador de decisão. Assim, é necessário que se conheça bem o processo, para que possa aperfeiçoá-lo para atender aos objetivos e metas dos produtores.

Dentre os vários aspectos que poderiam ser enfatizados, no que diz respeito à tomada de decisão do produtor, merece destaque a questão dos níveis de decisões, como o estratégico, o tático e o operacional, que correspondem, também, aos níveis administrativos (além destes, autores incluem também o nível do conhecimento).

As decisões estratégicas são orientadas para o futuro e envolvem grande quantidade de incerteza, estabelecimento de objetivos da empresa e planos de longo prazo para alcançar esses objetivos.

Administrar estrategicamente a empresa rural consiste em um processo contínuo e iterativo, que visa manter a empresa como um conjunto apropriadamente integrado a seu ambiente. Decisões sobre localização da empresa, fontes de capital e produtos a serem explorados são exemplos de decisões estratégicas.

A tomada de decisão tática preocupa-se com a implementação das decisões tomadas no nível estratégico e inclui, dentre outros, a alocação dos recursos e definição do sistema produtivo.

As decisões operacionais envolvem a execução de tarefas específicas que assegurem a eficiência e a eficácia do processo produtivo, como, por exemplo, a obtenção ou não de crédito, a definição da quantidade de estoque, a atribuição de tarefas aos empregados, etc.

3.1 Planejamento, Organização, Direção e Controle - PODC

As funções básicas ou primárias da administração, frequentemente consideradas, são planejamento, organização, direção e controle.

Planejamento é a mais básica função administrativa. Nada pode acontecer até que um plano seja selecionado. A análise dos planos e projetos usa princípios econômicos e técnicas de orçamento e outras mais sofisticadas, que constituem ferramentas importantes para o

Organizar, por outro lado, consiste em buscar o melhor funcionamento da empresa, atribuindo a cada uma de suas partes constituintes funções específicas a partir de princípios claros, tais como delegação apropriada de autoridade, definição de ações e responsabilidades, unidades de comando, adequada organização dos mecanismos de avaliação e controle, sistema de comunicação, etc.

Organizar, no contexto empresarial, significa agrupar as atividades formais e informais da empresa, incluindo a estrutura de autoridade. Ao dividir a empresa em "blocos" ou partes, para melhor desempenho, a função de organização estrutura essa hierarquia e indica quem é responsável pelo quê e quais as tarefas que cada unidade irá desempenhar.

Direção é uma função gerencial que visa conduzir as ações da unidade, do setor ou da empresa como um todo, rumo aos objetivos desejados.

É preciso considerar que esta é uma das áreas mais importantes da empresa, razão pela qual precisa receber mais atenção por parte dos administradores rurais.

Muitas são as dificuldades envolvidas na administração de pessoal, mas é preciso que se tenha clareza de que as empresas são constituídas de pessoas e dependem delas para atingir seus objetivos e metas.

Controle é o processo de assegurar a realização dos objetivos e de identificar a necessidade de modificá-los.

Para se obter o controle de uma determinada situação, é necessário que exista algum comprometimento em acompanhar o andamento das atividades, avaliar resultados, e tomar medidas corretivas.

Cada propriedade possui uma administração que depende do seu tamanho, do tipo de exploração, do volume dos negócios e vários outros fatores. Contudo, em geral, para ser um bom administrador, deve-se:

  • Saber utilizar princípios, técnicas e ferramentas administrativas;
  • Saber decidir e solucionar problemas;
  • Saber lidar com pessoas: comunicar eficientemente, negociar, conduzir mudanças, obter cooperação e solucionar conflitos.
  • Ter uma visão sistêmica e global da estrutura da organização;
  • Ser proativo, ousado e criativo;
  • Ser um bom líder;
  • Gerir com responsabilidade e profissionalismo;
  • Ter visão de futuro.

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Fonte

NOVAIS, Dirlene. Administração e Economia Rural. 1ª ed. Barra da Estiva - BA: Instituto de Formação, 2014.

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