Métodos de Controle de Plantas Daninhas na Cultura do Tomate
O manejo integrado de plantas daninhas visa à utilização conjunta de vários métodos de controle para minimizar a interferência das mesmas à cultura e manter as populações dessas plantas em níveis abaixo daqueles passíveis de causar danos econômicos, além de buscar reduções dos danos ao meio ambiente. A seguir, serão detalhados os principais métodos de controle de plantas daninhas: preventivo, cultural, mecânico e químico, apresentando-se as vantagens e limitações de cada método, com ênfase na cultura do tomateiro, apesar de a maioria desses métodos aplicarem-se, também, ao controle de plantas daninhas em outras hortaliças e culturas anuais e perenes.

Controle Preventivo
O controle preventivo de plantas daninhas consiste do uso de práticas que visem prevenir a introdução, o estabelecimento e/ou a disseminação de determinadas espécies em áreas de plantio de tomateiro ainda não infestadas por elas, sendo o elemento humano a chave do controle preventivo (EPAGRI, 1997; LORENZI, 2000).
Como na tomaticultura formada a partir de mudas transplantadas estas são produzidas com torrão, por isso certos cuidados são necessários no preparo do substrato para enchimento dos recipientes ou mesmo na aquisição de mudas de terceiros, a fim de se evitar a introdução de espécies de plantas daninhas em áreas que não as possuem. O solo para enchimento dos recipientes deve ser proveniente do subsolo (solo de barranco), isento da camada orgânica superficial. Como o banco de sementes é menor nesse solo, menor será a quantidade de plantas daninhas presentes no substrato. O uso de produtos fumigantes para esterilização do solo é uma prática muito perigosa e deve ser empregada apenas se acompanhada de orientação técnica, uma vez que tais produtos são geralmente voláteis (após aplicados) e extremamente tóxicos e letais se inalados.
Para produção de mudas de qualidade, é necessário que se utilize matéria orgânica (esterco de gado, aves, suínos etc.) curtida, pois, devido à sua origem, principalmente a do esterco bovino, pode ser grande a presença de sementes de plantas daninhas. Uma vez preparadas as mudas, durante a fase de viveiro e, principalmente, antes de serem levadas ao campo, deve-se proceder à capina manual das plantas daninhas que eventualmente emergirem nessa fase. Para os agricultores que optarem por adquirir mudas com torrão de viveiristas, recomenda-se atentar para a sua qualidade sanitária, pois estas constituem excelente fonte de disseminação de espécies daninhas.
Não obstante, a produção de mudas em bandejas com substrato apropriado é uma medida preventiva eficaz no manejo de plantas daninhas. Outras práticas de controle preventivo também devem ser adotadas, como limpar máquinas e implementos agrícolas, fazer o controle de plantas daninhas nos carreadores e inspecionar cuidadosamente toda a matéria orgânica proveniente de outras áreas. Além disso, é importante salientar que algumas plantas daninhas, como Bidens pilosa (picão-preto) e Cenchrus echinatus (capim-carrapicho), podem ainda se espalhar por novas áreas, por meio de roupas de pessoas envolvidas no processo de produção, pelos de animais etc.
Existem algumas espécies de plantas daninhas (Solanum americanum – maria-pretinha, Nicandra physaloides – joá-de-capote, Solanum sissymbrifolium – joá e outras) pertencentes à mesma família botânica do tomateiro (Solanaceae), cuja introdução na área a ser cultivada com tomate deve ser indiscutivelmente evitada. Além de hospedeiras de patógenos (nematoides do gênero Melodoigyne) e de produzirem grande quantidade de sementes de fácil disseminação, possuem hábitos de crescimento e fisiologia semelhantes aos do tomateiro, o que dificulta, senão torna impossível, seu controle com herbicidas seletivos para solanáceas (WEAVER; SMITS; TAN, 1987). Além disso, o cuidado em se prevenir a introdução de espécies de plantas daninhas na área é particularmente importante para outras espécies de plantas daninhas dicotiledôneas (folhas largas), uma vez que são poucos os herbicidas disponíveis para uso nessa cultura que são eficientes no controle de plantas dicotiledôneas; quase todos são exclusivamente graminicidas. Ademais, o manejo inadequado das áreas cultivadas com hortaliças pode promover a disseminação ou até mesmo a introdução de espécies de plantas daninhas perenes de difícil controle, como, por exemplo, a Artemisia verlotorum (losna-brava) e Cyperus rotundus (tiririca).

Controle Cultural
Consiste em usar as próprias características ecológicas das culturas e plantas daninhas visando beneficiar o estabelecimento e desenvolvimento da cultura e dificultar o crescimento pleno das plantas daninhas, ou seja, utilizar-se das melhores práticas culturais para que a cultura leve vantagem sobre plantas daninhas (FERREIRA; FERREIRA; SILVA, 1994; EPAGRI, 1997). Essas práticas podem ser plantio de variedades adaptadas às condições de clima e solo; uso de sementes de boa qualidade e devidamente tratadas; mudas formadas em recipientes adequados, com sistema radicular bem desenvolvido; plantio em época certa, utilizando-se de espaçamentos e arranjos de plantas adequados para as diferentes variedades; bom preparo do solo; e adubações de plantio e formação balanceadas. Com o uso dessas práticas culturais, consegue-se direta ou indiretamente eliminar ou reduzir a infestação por plantas daninhas.
A prática do “amontoo”, comumente realizada aproximadamente três semanas após o transplantio, constitui-se numa operação indireta de controle de plantas daninhas, tanto na entrelinha (local de retirada da terra) como na linha de plantio (local de deposição da terra e consequente “abafamento” das plantas daninhas ali presentes). Como a época em que a prática do “amontoo” é realizada coincide ou inclui-se no período crítico de competição, tal prática é muito oportuna do ponto de vista do controle de plantas daninhas.
Além das práticas acima descritas, a rotação de culturas e também de métodos de cultivos constituem importantes métodos culturais de controle de plantas daninhas. As culturas em rotação com a cultura do tomate numa mesma área devem obrigatoriamente pertencerem a famílias botânicas diferentes da do tomate, ou pertencerem a uma classe diferente, para que se reduza o banco de sementes do solo e facilite o manejo das plantas daninhas. Com a rotação de culturas, a dinâmica das plantas daninhas se altera, e com ela alteram-se também os métodos de controle e, principalmente, os herbicidas com diferentes espectros de ação. Nesse contexto, acredita-se que o milho seja uma boa opção de cultura para compor um sistema de rotação com a do tomate (PEREIRA et al., 1995; 1999). O uso de espécies de plantas inadequadas para rotação de culturas pode agravar os problemas causados pelas plantas daninhas, uma vez que podem propiciar a proliferação de determinadas espécies de difícil controle, principalmente pela produção exarcebada de sementes e consequente aumento do banco de sementes no solo.
Para que se obtenha sucesso com o sistema de rotação de culturas, é preciso conhecer detalhadamente o histórico da área cultivada, qual a espécie de planta daninha dominante e principalmente sobre os herbicidas utilizados na cultura anterior a do tomate, suas doses e efeitos residuais no solo, para que a lavoura de tomate em sucessão não seja intoxicada por herbicidas ainda presentes no solo, principalmente se a lavoura for implantada em áreas de pastagens (Ver item 7). Um exemplo de sucesso de rotação de culturas tem sido o cultivo de milho ou de feijão em áreas anteriormente cultivadas com tomate e que apresentam alto grau de infestação por Cyperus rotundus. O cultivo nessas áreas do milho seguido de feijão em sistema de plantio direto por dois anos seguidos tem reduzido em mais de 90% a infestação da tiririca (Cyperus sp.), tornando viável o cultivo de olerícolas após a rotação (JAKELAITIS et al., 2003a; JAKELAITIS et al., 2003b).

Controle Mecânico
O controle mecânico consiste no uso de práticas de eliminação de plantas daninhas por meio de efeito físico-mecânico (LORENZI, 2000), seja por tração humana, animal ou tratorizada, e envolve o preparo adequado do solo, com o enterrio das plantas daninhas existentes na área através de aração e gradagem, as capinas com enxada manual e/ou rotativa, o uso de roçadeiras e cultivadores (EPAGRI, 1997).
O controle mecânico realizado pelo homem resume-se ao arranquio e à capina manual com enxadas. O arranquio geralmente é praticado no início do processo produtivo, ou seja, na fase de viveiro, e consiste na retirada de todas as plantas daninhas que emergirem junto às mudas de tomate no viveiro. A capina manual, feita com enxada, é muito eficaz no controle de plantas daninhas e largamente empregada por pequenos e médios agricultores, principalmente em regiões montanhosas. Contudo, seu baixo rendimento, a necessidade de grande quantidade de mão de obra e seu alto custo são as principais desvantagens desse método, tornando-o, em certas condições, apenas complementar de outros métodos. Além disso, para que as capinas sejam eficientes, é necessário que o solo não esteja muito úmido, principalmente se na área predominam espécies que se propagam vegetativamente.
As plantas de tomate possuem sistema radicular muito ramificado, com grande quantidade de raízes situadas próximo à superfície do solo. Ademais, as constantes adubações de cobertura tendem a concentrar ainda mais as raízes para a parte superficial do solo (EPAGRI, 1997). Dessa forma, e considerando-se que as capinas são feitas numa frequência elevada e muito próxima ao caule das plantas e às suas raízes, elas podem prejudicar o tomateiro tanto diretamente, causando danos mecânicos ao caule, como indiretamente, criando portas de entrada para micro-organismos fitopatogênicos, ou mesmo estimulando a ocorrência da podridão estilar (deficiência de Ca), uma vez que a absorção desse cátion pelas raízes cortadas do tomateiro pode ser prejudicada (MINAMI; HAAG, 1989). Por isso, as plantas daninhas devem ser eliminadas com muito cuidado, sem provocar danos ao delicado sistema radicular do tomateiro nem às hastes, cujas feridas ficariam expostas às enfermidades (MARANCA, 1988; EPAGRI, 1997).
O número de capinas necessárias numa lavoura depende do grau de infestação de plantas daninhas durante o período de cultivo, que, por sua vez, é função do banco de sementes, da capacidade de rebrota da planta daninha caso ela se propague também por meio vegetativo e das condições de clima, fertilidade do solo etc. É imprescindível, tecnicamente, realizar as capinas antes que as plantas daninhas estejam muito desenvolvidas, para evitar as fortes competições, a produção de sementes pelas plantas daninhas e os custos altos de controle. Todavia, mais importante que o número de capinas ou sua frequência, é procurar sempre manter a cultura livre da competição e interferência das plantas daninhas durante o período crítico de competição.
O controle mecânico de plantas daninhas ainda jovens nas entrelinhas de plantio, utilizando-se de tração animal, pode ser feito com cultivadores (EMBRATER, 1979; MARANCA, 1988). Segundo Lorenzi (2000), esse equipamento é mais eficiente no controle de espécies daninhas anuais e em condições de calor e solo seco, apresentando como desvantagem principal a incapacidade de controlar plantas daninhas na linha de plantio. Logo, deve ser usado em associação com outro método de controle. Segundo Fernandes (1981), ainda que os cultivadores de tração animal apresentem bom rendimento e não exigem mão de obra especializada e equipamentos caros, eles expõem mais o terreno à erosão, comparativamente às capinas manuais, e, às vezes, não controlam todas as plantas daninhas, necessitando-se, então, fazer o repasse. Sua eficiência será maior se usado em plantas daninhas mais jovens.
É preciso adequar/planejar, na medida do possível, o espaçamento da cultura ao tipo de operação de mecanização que se pretende utilizar. O controle mecânico de plantas daninhas utilizando-se de trator como fonte de tração e implementos como roçadeiras, grades, cultivadores etc. necessita de amplos espaçamentos entre fileiras, não se adequando, portanto, à cultura do tomate. Todavia, o controle das plantas daninhas na entrelinha do tomateiro pode ser feito com cultivadores acoplados a microtratores (EMBRATER, 1979; MARANCA, 1988).
O manejo das plantas daninhas deve iniciar-se antes mesmo da implantação da cultura, ou seja, durante o preparo do solo/área. Neste caso, após a aração e calagem feitas antecipadamente ao plantio, a ocorrência de chuva, ou mesmo da irrigação, estimula intensamente a germinação de grande parte do banco de sementes (de plantas daninhas) do solo, que podem ser eliminadas pela segunda gradagem, por ocasião do preparo definitivo do solo (EMBRATER, 1979). Além disso, quando a área a ser implantada pela cultura está infestada por plantas que se reproduzem também por parte vegetativa (capim-braquiária – Brachiaria sp., grama-seda – Cynodon dactylon, losnabrava – Artemisia verlotorum, trapoeraba – Commelina sp.), estas precisam ser eliminadas, antes do preparo do solo, por meio de herbicidas de ação sistêmica que não deixam resíduo no solo. Caso isso não seja feito, o controle dessas espécies se tornará inviável pelo método químico.

Controle Químico
Como a utilização dos métodos mecânicos de controle de plantas daninhas, seja por meio de capinas manuais, seja pelo uso de cultivadores, pode prejudicar as raízes superficiais e o caule do tomateiro, e considerando-se os custos elevados da mão de obra para as capinas e a necessidade de melhor controle das plantas daninhas na linha de plantio, o emprego de herbicidas é uma importante ferramenta nas lavouras de tomate mais tecnificadas.
As vantagens do emprego do herbicida são várias: controla em pré-emergência, eliminando as plantas daninhas precocemente; atinge alvos que a enxada ou o cultivador não alcançariam, como plantas daninhas na linha de plantio; reduz ou elimina os riscos de danos às raízes e às plantas novas; não destrói a estrutura do solo e, portanto, reduz o risco pela erosão; controla mais eficientemente as plantas daninhas perenes; reduz a necessidade de mão de obra; aumenta a rapidez e a eficiência da operação de controle por unidade de área, reduzindo o custo por área tratada; controla as plantas daninhas por um período mais longo, quando a utilização de cultivador é impossível, haja vista o crescimento da cultura; e podem ser usados em períodos chuvosos, quando o controle mecânico não é eficiente e quando a mão de obra é requerida para outras atividades (MINAMI; HAAG, 1989). Contudo, apresenta a desvantagem de necessitar de mão de obra especializada, pois, se mal usado, pode intoxicar a lavoura, o meio ambiente e o próprio aplicador.
Para a utilização de herbicidas, alguns aspectos devem ser considerados: (i) a identificação das principais espécies de plantas daninhas presentes na área, seu estádio de desenvolvimento e grau de infestação; (ii) o estádio de desenvolvimento das plantas de tomateiro; (iii) o custo da aplicação; (iv) as análises física, química e do teor de matéria orgânica do solo, para a adequação das doses; (v) as condições climáticas previstas para o momento da aplicação, principalmente de ventos; (vi) a adequação de equipamentos (pontas de pulverização, bicos, barras etc.) e das condições de trabalho (volume de calda, pressão, altura de barra, ou seja, a calibração do pulverizador) para obter-se boa distribuição da calda e boa cobertura do alvo, potencializando a eficiência do herbicida e mitigando os efeitos prejudiciais da deriva; (vii) a seletividade do herbicida à cultura e seu efeito residual para as culturas subsequentes, dentre outras.
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Fonte
Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. Tomate. Vitória - ES: Incaper, 2010.