Pecuária

Manejo Pré-abate e Bons Tratos na Produção de Bovinos de Corte

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
Manejo Pré-abate e Bons Tratos na Produção de Bovinos de Corte
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Importância dos bons tratos

As demandas de mercado priorizam sistemas de produção que respeitam o bem-estar animal, do nascimento ao abate. À primeira vista pode parecer ao produtor ou ao técnico uma preocupação excessiva e dispendiosa, mas certamente eles se surpreenderão com os benefícios que essa mudança de atitude trará à rotina de trabalho. O conhecimento e o respeito à biologia dos animais de produção, além de permitir a melhoria do seu bem-estar, proporcionam também melhores resultados econômicos, mediante o aumento da eficiência do sistema produtivo e da melhoria da qualidade do produto.

Diretrizes relacionadas com bons tratos

  • Garantir espaço mínimo para que eles possam manter suas atividades em um contexto social equilibrado.
  • Não misturar indivíduos que não se conheçam ou animais de chifre com animais mochos em currais, confinamentos, caminhões de transporte. É recomendável que os lotes sejam formados com antecedência.
  • Disponibilizar sombra para bovinos manejados em sistemas de produção extensivos e intensivos, em quantidade suficiente para protegê-los da carga térmica durante as horas mais quentes do dia. Todo bovino necessita de sombra, não importa a raça, origem, linhagem, idade ou condição fisiológica. Vegetação composta de espécies arbóreas deve ser disponibilizada para criar abrigos naturais.
  • Garantir o fornecimento de água limpa e suplementos nutricionais de qualidade, durante todo o ano, suficientes para atender as necessidades de crescimento, mantença e produção.
  • Em áreas de manejo extensivo, distribuir fontes de água na pastagem, para facilitar o acesso sem longas caminhadas.
  • Instruir as pessoas que lidam com os animais a respeito das maneiras adequadas de manejá-los (do nascimento ao abate), respeitando a biologia da espécie e evitando, assim, os estresses agudos ou crônicos, que poderão resultar na redução da qualidade do produto final.

Importância do manejo pré-abate

Diversos estudos já demonstraram que o manejo pré-abate influencia significativamente a qualidade da carne, do couro, bem como o aproveitamento da carcaça. Além das perdas decorrentes de contusões e hematomas, o estresse vivenciado por esses animais durante o manejo, na propriedade ou em abatedouros mal planejados, eleva o pH da carne, diminuindo assim sua vida útil.

No manejo pré-abate, as etapas mais críticas são as relacionadas com o embarque e desembarque dos animais. Rotinas e procedimentos inadequados aumentam a frequência de contusões na carcaça e de cortes escuros na carne, resultando em prejuízos financeiros para o produtor. Tais prejuízos podem ser por ação direta do homem, ao bater ou acuar os animais contra cercas, porteiras e outros, ou indireta, com a formação de novos lotes nessa etapa final da produção, desrespeitando seus padrões de organização social e aumentando as interações agressivas entre os animais. Com relação ao couro, sua qualidade é diminuída por ectoparasitos e por cortes e riscos profundos causados pelo manejo inadequado, além das marcas a fogo em locais não permitidos.

Diretrizes relacionadas com manejo pré-abate

Alguns procedimentos de rotina podem ser utilizados durante a vida do animal e principalmente por ocasião do manejo pré-abate, para se preservar a qualidade da carcaça e do couro bovino, tais como:

- Antes do embarque, agrupar os animais no curral com antecedência, em lotes uniformes, de acordo com o sexo, a faixa de idade e o peso.

- Evitar apartações e correria com os animais no momento de embarque.

- Evitar, sempre que possível, o uso de aguilhões e do choque elétrico.

- Evitar o uso de cães, paus e objetos pontiagudos no manejo e condução dos animais, para não provocar hematomas, traumatismos e estresse.

- Não embarcar animais doentes e sem condições de transporte. Caso seja necessário, deve-se embarcá-los em caminhão separado e o produtor deve assinar o termo (minuta de embarque) responsabilizando-se pelo animal.

- Verificar se o embarcadouro atende as recomendações técnicas para o embarque dos animais, de modo a não causar danos à carcaça.

- Embarcar os animais no horário previamente combinado com a transportadora.

- Verificar a documentação, condição dos veículos e certificar-se de que os motoristas são devidamente habilitados para o transporte de animais vivos.

- Dar preferência para que o transporte dos animais seja efetuado no horário mais fresco do dia.

- Respeitar a lotação máxima do caminhão, de acordo com a categoria animal a ser transportada.

- Aguardar cerca de 20 minutos após o embarque, para iniciar a viagem, para que os animais se adaptem à gaiola.

- Exigir que os caminhoneiros façam paradas regulares, conforme legislação vigente, para que os animais descansem em sombra.

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Fonte

DO VALLE, Ezequiel Rodrigues. Boas Práticas Agropecuárias: Bovinos de Corte. 1ª ed. Campo Grande - MS: Embrapa Gado de Corte, 2007.

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