Manejo Integrado de Plantas Daninhas na Cultura da Soja
Com a evolução dos métodos de manejo de espécies daninhas, o controle químico cresceu em participação percentual, na maioria das áreas agrícolas do mundo.
Entretanto, tem crescido a preocupação com a preservação do meio ambiente e a busca por alimentos obtidos por meio de práticas mais ecológicas de manejo dos cultivos.
Nesse contexto, a associação de métodos de controle é indispensável em um programa de manejo de plantas daninhas, de modo a garantir a sustentabilidade da atividade agrícola.
Os métodos serão descritos isoladamente, embora o modo de integrá-los resulte de diferentes situações encontradas no campo.
Erradicação
Eliminar a espécie daninha da área, pela destruição de sua semente ou de qualquer outra forma de propagação, como tubérculo, bulbo ou rizoma.

Prevenção
Impedir a introdução e a disseminação de plantas daninhas em áreas nas quais determinadas espécies ainda não existam.
• Adquirir sementes de produtores idôneos (semente fiscalizada e certificada), com baixos níveis de impurezas.
• Manter rigorosos hábitos de limpeza de máquinas, equipamentos, pessoas e animais, para evitar a introdução de propágulos de plantas daninhas na área.
• Monitorar áreas vizinhas, represas, canais, curvas de nível, estradas e carreadores para evitar a presença de plantas daninhas que sejam fonte de contaminação.
• Em caso de utilização de adubos orgânicos, conferir se o material alcançou completa fermentação, quando, então, grande parte dos propágulos perde sua viabilidade.
• Submeter animais recém-adquiridos a um período mínimo de 7 dias de confinamento para que as sementes de plantas ingeridas em outras regiões possam ser digeridas e expelidas em áreas de fácil controle, dificultando, assim, que novas espécies de plantas daninhas sejam introduzidas.
• Utilizar quebra-ventos como barreira à propagação de sementes carreadas pelo vento.
Controle
É a aplicação de medidas diretas, de maneira a reduzir a densidade de espécies daninhas e impedir a interferência dessas espécies sobre as culturas.
Controle cultural
• Empregar práticas culturais e/ou agrícolas que auxiliem a supressão e a eliminação de plantas daninhas, aumentando, dessa forma, o potencial competitivo da cultura.
• Utilizar cultivares recomendadas para a região, preferencialmente as de crescimento mais rápido, para que cubram o solo de forma mais intensa.
• Utilizar a densidade de semeadura e o espaçamento entrelinhas adequados, de forma a acentuar o crescimento da cultura e o sombreamento do solo.
• Semear no período recomendado, visando garantir melhores condições climáticas para o estabelecimento e o fechamento rápido da cultura.
• Adubar e corrigir o solo, de acordo com as recomendações, pois a cultura nutrida corretamente crescerá de maneira rápida, cobrindo o solo e suprimindo as espécies daninhas.
• Manter a cultura em bom estado fitossanitário, para expressar melhor o seu potencial competitivo, dificultando o estabelecimento das espécies infestantes.
• Preparar bem o solo, no sistema de semeadura convencional, pois arações e gradagens são práticas eficazes no controle de espécies daninhas.
• Utilizar adubos verdes, pois eles impedem o estabelecimento e a produção de sementes pelas espécies daninhas.
• Recorrer à rotação de culturas, pois essa prática evita a predominância de uma determinada espécie daninha, além de propiciar a modificação dos métodos de controle.
• Manejar as espécies daninhas na cultura de safrinha e na entressafra, de modo a reduzir o banco de sementes e a emergência dessas espécies no período de semeadura da cultura de verão.
• Utilizar cobertura morta, a fim de suprimir as espécies daninhas pelo impedimento físico e pelo efeito alelopático dessas coberturas.

Catação manual
Consiste em arrancar manualmente os focos de espécies daninhas de introdução recente e as de difícil controle, de forma a evitar que essas novas espécies disseminem por toda a área.
Capina manual e mecânica (tração animal ou trator)
Deve-se realizar duas a três capinas antes do florescimento da soja. Ao manter a cultura limpa até o fechamento das entrelinhas, elimina-se a concorrência com as plantas daninhas.
Controle químico
• Utilizar obrigatoriamente EPI ao manusear os herbicidas.
• Seguir o receituário agronômico indicado para herbicidas.
• Fazer levantamento das plantas daninhas na entressafra ou o banco de sementes, a fim de selecionar corretamente o herbicida pré-emergente.
• Proceder ao levantamento das plantas daninhas presentes na área, a fim de selecionar o herbicida pós-emergente, de acordo com a predominância das espécies infestantes da área.
• Observar, no momento da aplicação, o estádio fenológico correto das plantas daninhas e o da cultura, recomendados pelo fabricante do herbicida.
• Reduzir as quantidades de herbicidas aplicadas sempre que possível, de modo a minimizar os níveis de resíduos no solo e nos grãos.
• Não aplicar herbicidas quando houver ventos fortes (> 8 km/hora) e temperatura do ar elevada (> 30ºC).
• Aplicar os herbicidas quando a umidade relativa do ar for superior a 60%.
• Não aplicar herbicidas pós-emergentes em condições de orvalho ou logo após a ocorrência de chuva.
• Não aplicar herbicidas de ação sistêmica quando as espécies daninhas estiverem expostas a condições de estresse hídrico, pois poderá ocorrer redução da eficácia desses produtos no controle dessas plantas daninhas.
Integração das práticas de controle
Lançar mão do maior número possível de práticas de manejo, combinando os diversos métodos descritos. Embora não haja uma combinação de métodos predeterminada e totalmente eficaz para o controle de plantas daninhas, é possível recorrer à mais adequada a um determinado momento e a uma certa situação.
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Fonte
PAS Campo. Manual de segurança e qualidade para a cultura da soja. Brasília: DF: Embrapa Transferência de Tecnologia, 2005.