Pecuária

Manejo Geral em Reprodução de Equinos

Daniel Vilar
Especialista
11 min de leitura
Manejo Geral em Reprodução de Equinos
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Garanhões

Os garanhões, em função do seu comportamento viril ou do seu alto valor comercial, são mantidos constantemente em baias (3,3 x 3,0 m) ou em piquetes de 0,25 hectare, aproximadamente, com cercado de dois fios protegidos por fitas plásticas, sendo o fio inferior colocado a uma distância de 80 em do solo (Figura 23).

Os garanhões que ficam constantemente em baias devem ser colocados em piquetes, ou redondel, ou mesmo montados, diariamente e no período da manhã, para exercício. Os garanhões mantidos em piquetes devem ser, periodicamente, trazidos à cavalariça para manter a higiene de casco, crina e cauda.

No início da estação de monta (julho), todos os garanhões são submetidos a avaliação andrológica completa (Anexo 3), permanecendo em serviço até o final da época de monta.

Éguas vazias

Na época de monta, as fêmeas solteiras são colocadas no programa de luz conforme descrito anteriormente, e rufiadas a fim de se detectar o estro.

A rufiação é feita com um macho inteiro, das seguintes maneiras:

  • As éguas solteiras são colocadas em um tronco, e o macho passando égua por égua;
  • O macho é conduzido às éguas; neste caso a detecção do cio depende da eficiência do macho e quase sempre se constitui no melhor método;
  • O macho é preso num local onde as éguas têm fácil acesso, mas que não possibilite a monta; ou
  • A égua é levada, individualmente, na presença do macho contido, ou leva-se o macho à égua no tronco de rufiação.

As fêmeas em estro são submetidas ao controle de desenvolvimento folicular (Anexos 1 e 2) até ocorrer a ovulação, quando deve ser realizada a cobertura ou inseminação.

A prenhez pode ser diagnosticada por meio de ultrassonografia a partir do 13º dia, ou por palpação via retal, aos 30 ou 40 dias pós-cobertura. Diagnosticada a prenhez, a fêmea passará para o lote de éguas prenhes.

Éguas prenhes

As éguas prenhes devem ser observadas diariamente no pasto, para acompanhamento da gestação. Aos 90 dias pós-cobertura é realizada palpação retal para confirmação da gestação. No caso de alguma égua estar vazia, por perda embrionária ou aborto, a mesma deve retornar para o lote dos animais em reprodução.

Quinze dias antes da data provável do parto, a égua prenhe é transferida para o piquete maternidade, onde deverá permanecer até20 dias após o parto, sendo diariamente observada. Este manejo permite melhor controle do parto, da cria, e da manifestação do cio pós-parto (elo do potro).

Neonatologia

A cria, logo ao nascer, deve receber os seguintes cuidados de higiene:

  • Tratamento do umbigo;
  • Tratamento para evitar retenção do mecônio; e
  • Observação da mamada do colostro.

O tratamento do umbigo deve ser feito com desinfetante após a parição, no ato do rompimento do cordão umbilical, e seis a oito horas após, introduzindo e mantendo o cordão por três a cinco segundos em recipiente contendo o desinfetante.

Os desinfetantes mais usados são:

  • solução de iodo a 2%; ou
  • Solução de diacetato de clorhexidina a 0,5%.

A solução de diacetato de clorhexidina mostrou ser o mais eficiente desinfetante para impedir a proliferação de bactérias, sem danificar os tecidos, como pode acontecer quando é usada a solução de iodo.

O tratamento para evitar a retenção do mecônio (as primeiras fezes) é feito sempre que necessário, logo após nascido o animal, administrando via oral cerca de 20 ml de óleo mineral ou óleo de rícino.

O recém-nascido, em média, se levanta em cerca de 40 minutos, e mama pela primeira vez após 2 horas e 52 minutos para os puro-Sangue e 2 horas e 4 minutos para os Cruza-Árabe. O maior tempo para o início da primeira mamada ocorre em crias de éguas primíparas.

O colostro para os recém-nascidos constitui a única fonte de alimento e principalmente de defesa contra doenças em virtude da presença de imunoglobulinas (lg), ou anticorpos, das quais a IgG é a predominante. AS doenças do recém-nascido podem ser provocadas por bactérias ou vírus que penetram na circulação logo após o nascimento, proliferando rapidamente, uma vez que na fase fetal (fase intrauterinal do equino, em razão do tipo de placenta epitélio-corial, não ocorre a passagem de imunoglobulinas. A quantidade de IgG varia em função da raça do animal e tempo de secreção do colostro pós-parto (Tabela 16).

O recém-nascido deve mamar o colostro, de preferência, nas primeiras três horas pós-parto, ou seja, logo após levantar. Após mamarem o colostro, os recém-nascidos serão capazes de reagir às doenças, dada a imunidade passiva adquirida pela transferência de anticorpos. portanto, quanto mais rápido o animai tiver acesso ao colostro, mais rapidamente será garantida sua sobrevivência. A demora para ocorrer a primeira mamada leva à baixa resistência, sendo essa uma das causas da morte perinatal.

A absorção de imunoglobulinas do colostro ocorre logo após a primeira mamada. Ao nascer, o Intestino delgado das crias possui células epiteliais especiais que permitem a passagem de imunoglobulinas. Esta característica de permeabilidade Intestinal é própria dos recém-nascidos, e restrita às primeiras 24 horas pós-parto, após as quais começa diminuir. A diminuição na absorção de imunoglobulinas deve-se à substituição das células epiteliais. Esta mudança do epitélio Intestinal deve estar concluída até cerca de cinco dias pós-parto.

A ocorrência de absorção, ao longo deste período, pode ser diagnosticada no sangue dos recém-nascidos medindo-se a concentração de imunoglobulina, normalmente a IgG, ou de proteína total. O aumento da concentração destes elementos mostra se houve absorção (Tabela 17).

Deve-se observar, ainda, se a mãe tem colostro e, posteriormente, leite suficiente, pois, em caso contrário, a cria terá seu desenvolvimento prejudicado. Nesta situação, deverão ser tomadas, não ultrapassando as 12 horas pós-nascimento para não prejudicar a absorção de anticorpos e nutrientes, as seguintes providências, de acordo com as possibilidades de cada criação:

  • Colocar a cria para mamar em outra égua;
  • Colocar a cria para mamar em jumenta recém parida;
  • Oferecer à cria, quando possível, leite de cabra (o leite se assemelha ao da égua);
  • Oferecer colostro fresco, ordenhado de uma outra égua recém parida; e/ou
  • Oferecer colostro estocado por congelação.

O colostro pode ser conservado por congelação, por um período de um ano, sem perder as suas propriedades Imunológicas, isto é, a quantidade de anticorpos (Tabela 18).

Na ausência do colostro pode se fazer uso de leite artificial (Figura 24), soros, vitaminas e, quando necessário, antibióticos.

O leite artificial deve, na medida do possível, se aproximar inicialmente do colostro e posteriormente do leite materno. O colostro, e mesmo o leite de égua, é rico em lactose (açúcar) e proteína, sendo a quantidade de gordura normalmente baixa (Tabelas 19 e 20).

Ao optar por leite de vaca para amamentar as crias, é preciso lembrar que o leite de vaca contém mais gordura do que o leite de égua, o que pode provocar distúrbios digestivos (diarreias, cólicas). Assim, o leite da vaca deve ser diluído em água.

Convém lembrar que o colostro e o leite de égua contêm mais açúcar do que o leite de vaca. Por Isso, na necessidade deste último, deve-se adicionar açúcar.

Em se tratando do açúcar do leite (Iactose), este é diferente do açúcar consumido comumente (sacarose), portanto, aconselha-se usar a lactose, pois os outros açúcares favorecem o aparecimento de diarreias.

A fórmula do leite artificial é:

O leite artificial não deve ser guardado de uma mamada a outra, pais pode azedar e provocar diarreia.

O recém-nascido mama com muita frequência (Figura 25), ingerindo, de cada vez, pequenas quantidades de leite. Por isso, ao ser amamentado artificialmente, o leite deve ser oferecido o mais próximo da forma de amamentação natural (Tabela 21). Assim, a mamadeira deve estar à sua disposição a cada duas horas, no máximo.

A quantidade do leite artificial que a cria deve mamar é muito importante; ela não deve ser excessiva, pois pode provocar distensão do estômago. Nos primeiros três dias uma mamadeira de cada vez deve ser suficiente, se oferecida num intervalo de uma a duas horas. Decorrido este tempo, aumentar gradativamente esta quantidade. Para aumentar a quantidade do leite artificial, é válido lembrar que uma égua Puro Sangue Árabe, em função da alimentação, pode produzir, em média, 5 kg de leite/dia já na primeira semana de lactação. A produção aumenta até atingir 10 kg de leite/dia no terceiro mês, que corresponde ao pico da lactação.

A produção de leite de égua é influenciada pela sua constituição genética e por fatores ambientais, que determinam a sua habilidade materna. Também é influenciada pelo consumo de alimentos durante o período final de prenhez e de lactação, e pela disponibilidade de água.

No caso de crias que requeiram aleitamento artificial, convém, após os primeiros dez dias, acrescentar na mamadeira compostos à base de soja, como fonte de aminoácidos, principalmente de lisina, considerado o aminoácido mais importante para o crescimento de equinos. A necessidade diária de lisina depende da taxa de crescimento desejada, moderada ou rápida, e do peso adulto de cada raça. Desta forma as exigências diárias de Iisina para crias de raças que alcancem quando adultos 400 a 500 kg de peso vivo, como no caso os animais da raça Árabe, será de 28 a 30 g de Iisina/animal/dia. Entre os produtos à base de soja, indicam-se as farinhas encontradas comercialmente.

Aos 30 dias de idade, o intestino delgado da cria aproxima-se da forma adulta. Uma vez alcançada esta fase, além do leite artificial, deve-se oferecer às crias capim verde picado e ração peletizada própria à idade. No Início ocorre apreensão e ingestão fraca destes alimentos. Esta situação tende a mudar gradativamente.

Desde o primeiro mês de vida até a maturidade (fase adulta), ocorre o desenvolvimento rápido dos ossos, músculos e por último do tecido adiposo, portanto, as crias necessitam de dietas ricas em minerais, proteínas e vitaminas. A proteína deve entrar em cerca de 16% a 18% da dieta até os três meses de Idade e de 13% a 15% dos três aos seis meses de Idade.

Numa criação em que as éguas têm boa produção de leite, após 30 dias de vida, o peso ao nascer das crias pode dobrar. Além dos cuidados com a alimentação, é necessário lembrar dos cuidados com os aprumos e cascos, que nos equinos devem ser iniciados aos dois meses de idade.

A comunicação dos dados às Associações de Criadores, tais como, data do nascimento, filiação, peso da mãe e do produto, e a resenha da cria, é feita ao setor de Registro Genealógico.

Desmama

A desmama ocorre de cinco a seis meses de idade, sendo possível ser antecipada, requerendo manejo e ração especial. Os animais são colocados em cocheiras, de dois em dois, ou soltos em piquetes com égua "madrinha", por um período de 20 a 30 dias. Neste período, as crias consomem alimentos numa Quantidade equivalente a 2% a 3,5% do seu peso vivo, de matéria seca, sendo 70% de ração concentrada e 30% de volumoso, que deve ser feno ou capim picado de alta qualidade para o desenvolvimento adequado dos animais, a dieta deve conter de 16% a 18% de proteína bruta na matéria seca. Esta proteína deve ter lisina em quantidade suficiente, pois a sua falta constitui fator limitante para o crescimento de equinos. A Quantidade necessária de lisina na dieta, nesta fase, é de 0,61%, o Que representa cerca de 30 a 3S g/dia/animal dependendo do tamanho e velocidade de crescimento.

Após a desmama, as crias são soltas em piquetes onde permanecem até um ano de idade. Dependendo da condição da pastagem e física do animal podem receber ração concentrada na proporção de 60% da dieta, o restante de 40% sendo constituído de volumoso (pastagem). Se, ainda, a pastagem não fornecer esta quantidade (40%), a dieta deve ser complementada com feno ou capim picado.

Além da alimentação acima descrita, os animais devem receber sal mineralizado à vontade.

No período da desmama, os animais são marcados (por exemplo, sistema a frio com nitrogênio líquido) e amansados. Entretanto, é preciso salientar que esta última prática deve ter Início nos primeiros dias de vida com manejo, e contato constante com pessoas e o ambiente da criação.

As mães devem ser mantidas em pasto distante. Se receberem ração, esta deve ser retirada da dieta para se evitar a produção de leite. Quando a égua ainda estiver produzindo leite, pode ser necessária a ordenha. No entanto, esta prática deve ser utilizada o mínimo possível, pois a manipulação do úbere, além de provocar a secreção de leite, pode causar traumatismos e Inflamações.

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Fonte

SILVA, Antonio Emídio Dias Feliciano; UNANIAN, Maria Marina; ESTEVES, Sérgio Novita. Criação de Equinos: Manejo Reprodutivo e da Alimentação. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa, 1998.

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