Pecuária

Manejo Alimentar na Engorda de Pirarucu

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
Manejo Alimentar na Engorda de Pirarucu
Compartilhar 𝕏 f WA in

Assim como na fase de recria, também na fase de engorda, a maioria dos produtores informou utilizar ração com percentual de proteína de 40% (Tabela 33).

Três produtores informaram utilizar ração com teor de proteína bastante abaixo do informado pelos demais produtores, 28% de proteína, sendo que dois destes produtores relataram problemas de mortalidade após a adoção da ração com baixo teor proteico.

Todos os demais produtores utilizam rações com teores de proteína entre 40% e 45%, cujos níveis são mais indicados para peixes carnívoros.

Além do nível de proteína mais adequado, a maioria das rações para peixes carnívoros apresenta uma quantidade relativamente maior de ingredientes de origem animal como farinha de resíduo de peixe e de vísceras de frango, por exemplo, que conferem maior palatabilidade às rações, estimulando sua ingestão e crescimento pelo peixe.

Em relação ao tamanho dos péletes de ração, a maioria dos produtores que forneceram estas informações informaram utilizar péletes de 6 mm ou 8 mm.

Alguns produtores utilizam tamanhos diferentes de péletes de acordo com o tamanho/peso dos peixes, o que é o correto, sendo que apenas um dos produtores forneceu informações mais detalhadas, informando utilizar rações de 2 mm para peixes até 500 g, ração de 4 mm para peixes entre 0,5 kg e 1 kg, ração de 6 mm para peixes entre 1 kg e 1,5 kg e, para os peixes com mais de 1,5 kg, ração com pélete de 10 mm, valores próximos ao sugerido pelo Sebrae (2013b).

Já em relação à taxa de alimentação, a maioria dos produtores fornece alimentos na proporção de 2% do peso vivo dos peixes por dia, ou fornece alimentos à vontade (Tabela 33).

O fornecimento da ração utilizando-se taxas de alimentação é o mais indicado na produção de peixes, uma vez que permite um melhor aproveitamento e conversão dos nutrientes da dieta, minimizando os gastos com ração e o impacto ambiental, além de evitar um produto final com alto teor lipídico.

No entanto, poucos produtores fazem biometrias periódicas para ajustes da taxa de alimentação ou sabem como regular o trato alimentar de acordo com a porcentagem da biomassa de peixes.

Já quando perguntados sobre o número de tratos ofertados na fase de engorda, a maioria dos produtores informou que fornece alimentos uma ou duas vezes por dia.

Considerando o hábito alimentar da espécie e que o metabolismo do peixe é menor na fase de engorda quando comparado à fase de recria, a frequência de dois tratos ao dia seria a mais indicada, podendo-se reduzir para um trato por dia na fase de terminação (final da engorda).

Mesmo na fase de engorda, a maioria dos produtores (69% daqueles que responderam a esta questão) informou não ofertar alimentos complementares aos pirarucus.

Fato diferente do relatado pelos produtores que realizam a reprodução de pirarucu, onde a maioria informou ofertar alimentos complementares para os reprodutores.

Se considerarmos que o manejo alimentar de peixes durante a engorda é mais intenso do que o empregado para reprodutores (volume de alimento, frequência alimentar, taxa de alimentação, número e biomassa de peixes), o uso exclusivo de rações na engorda é uma opção mais prática e segura para os produtores.

Entre os produtores que ofertam alimentos complementares aos pirarucus na fase de engorda, dois produtores informaram haver peixes forrageiros nas barragens.

Outro produtor também informou ofertar peixes forrageiros nativos como alimento complementar, porém sem relatar se estes já estão presentes ou se são invasores dos tanques, ou se oferta peixes que não se encontram na mesma estrutura que os pirarucus (por exemplo, refugo de pesca). Um produtor informou ofertar camarão aos pirarucus como alimento complementar.

Os produtores fizeram considerações sobre o comportamento alimentar do pirarucu e diferenças de crescimento entre machos e fêmeas.

A maioria dos produtores relatou que os peixes maiores exercem dominância territorial, se alimentando primeiro que os peixes menores, inclusive quando há outras espécies sendo produzidas em Policultivo com o pirarucu.

Esta linha de observações foi relatada por oito produtores. Isso é comum para outras espécies de peixe e enfatiza a importância de se realizar classificações periódicas, garantindo maior homogeneidade de tamanho do lote e possibilitando o crescimento dos peixes menores ao serem separados dos maiores.

Esse tipo de dominância foi observado tanto na recria quanto na engorda por diferentes produtores. A seguir são apresentadas as observações feitas pelos produtores:

  • Peixes maiores se alimentam melhor e outras espécies em policultivo (tambaqui, principalmente) só se alimentam após os pirarucus terminarem de se alimentar;
  • Os pirarucus se alimentam primeiro, junto com os tambaquis, só depois os pintados chegam para se alimentar;
  • Peixes maiores comem mais e “batem” mais quando chegam para comer, com isso os peixes menores param de comer;
  • Foi observado que quando os peixes maiores chegam para se alimentar, os peixes menores se afastam;
  • Dominância dos peixes maiores;
  • Durante a alimentação os peixes se batem muito. É necessário espalhar a alimentação na maior área possível, sendo que os peixes pequenos não comem próximo aos grandes;
  • Quando os peixes estavam pequenos, todos comiam uniformemente, quando ficaram maiores, um grupo comia (peixes maiores) e o outro grupo se afastava;
  • Peixes dominantes se alimentam mais, mas só se observa esse comportamento na fase de recria, na engorda não se observa mais isso;
  • Maior vivacidade pela manhã;
  • Alimentam-se melhor no período da tarde;
  • Não se observaram diferenças comportamentais no momento da alimentação, todos comem da mesma forma;
  • Alimentação dos peixes em pontos específicos (próximo à entrada da água).

Houveram relatos divergentes entre os produtores para algumas observações, por exemplo, um produtor relatou que os pirarucus apresentam maior vivacidade pela manhã, enquanto outro informou que os pirarucus se alimentam melhor à tarde.

Essas variações no apetite dos animais podem estar relacionadas a diferenças na qualidade da água ao longo do dia, que causam estresse e consequente, diminuição do apetite.

As informações mencionadas são bastante pontuais e, por divergirem entre si, podem demonstrar certo desconhecimento ou pouca observação dos produtores no tocante ao comportamento alimentar da espécie, tornando difícil a consideração de algumas dessas informações para fins práticos e conclusivos.

FAÇA A SUA ASSINATURA

Ou clique no link:

https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal

Fonte

Embrapa. Reprodução e engorda do pirarucu: Levantamento de processos produtivos e tecnologias. 1ª ed. Brasília – DF: Embrapa, 2015.

Mais de Pecuária

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.