Pecuária

Importância do Manejo dos Solos para a Nutrição das Plantas

Daniel Vilar
Especialista
7 min de leitura
Importância do Manejo dos Solos para a Nutrição das Plantas
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Há vários fatores que influenciam a produção agrícola, como a escolha de variedades, espaçamento adotado, forma e época de plantio, condução da planta, tipo e níveis de adubação, métodos de combate às pragas e controle às ervas invasoras. São todos fatores importantes, porém nenhuns deles superam o manejo do solo.

Um plantio pode ser feito com a melhor semente ou variedade, utilizado adubo de qualidade, feito o plantio na época correta, empregado um trato cultural adequado, porém se o solo não for adequadamente trabalhado, não teremos uma planta sadia, produtiva, que remunere o investimento feito.

Para compensar a falha inicial de não ter sido feito um adequado trabalho com o solo, se gasta muito com insumos, principalmente adubos e defensivos, o resultado financeiro será cada vez menor e o ambiente em processo contínuo de degradação.

O manejo adequado de um solo representa dar as condições ideais para a germinação, crescimento e produtividade para uma planta.

O solo é o ambiente onde as plantas nascem e se desenvolvem, por isso vão refletir em crescimento vegetativo, sanidade e produtividade as condições que encontram no ambiente do solo.

Podemos até afirmar que mais de 80% daquilo que as plantas são, é reflexo direto ou indireto das condições do solo.

Desta forma, um solo adequadamente manejado vai permitir a formação de uma planta rústica e sadia, com elevada produção, sem os empregos excessivos de adubos e defensivos, como é a prática da agricultura convencional.

Uma vez que o solo e seu manejo são tão importantes, convém conhecer as suas principais características, para que possamos manejá-lo adequadamente.

Na agricultura o solo pode ser caracterizado como o ambiente, região ou camada de terra que a planta explora ou utiliza para germinar, crescer, produzir e multiplicar-se.

Solo pode ser definido também como o meio onde as plantas desenvolvem as suas raízes para fixarem-se e retirar os materiais necessários à sua nutrição. Antes de trabalhar com o solo devem-se conhecer previamente suas propriedades e características.

O solo possui importância vital para os seres vivos, pois lhes serve de suporte dando abrigo às plantas e aos animais e contribui para a sua alimentação, e conjuntamente com os seres vivos, constitui a biosfera.

O solo é uma camada superficial da crosta terrestre, constituída por matéria mineral não consolidada e pelos organismos vivos bem como os produtos da sua decomposição.

No solo ocorrem constante e simultaneamente complexas reações em que a matéria mineral se transforma em matéria orgânica e vice-versa.

É importante entendermos o solo, como um organismo vivo, constituído de três aspectos: físico, químico e biológico, para que possamos manejá-lo de forma que ele possa oferecer tudo que as plantas necessitam para um bom desenvolvimento - ar, água, nutrientes, nas quantidades e nas épocas certas (Freitas, Escolástica, 1999).

Tipos de Solos

Os solos formados são diferentes. Os solos se formaram a partir de diferentes tipos de rochas que sofreram a ação da temperatura, da chuva, dos ventos, e se dividiram em partes menores, sendo por esta razão, diferentes em sua composição e teores de nutrientes, estrutura, etc., nas diferentes regiões.

Há vários tipos de solos, que se diferem entre si devido à rocha mãe a partir da qual se formaram. As plantas superiores começaram a se instalar assim que se formou uma fina camada de solo, inicialmente as ervas, depois os arbustos, as arvoretas até as árvores de grande porte. Esse processo levou milhares de anos e as transformações continuam acontecendo.

Nas condições tropicais e subtropicais, dependendo também do relevo, as transformações da rocha mãe ocorreram até profundidades superiores a um metro, resultando em solos profundos.

Á medida que a rocha original foi sofrendo processo de desintegração foi constituindo camadas diferenciadas, sendo esta disposição de camadas denominada de perfil. As camadas recebem nomes, que são os horizontes A, B, C, D.

O desenvolvimento de micro-organismos e plantas inferiores - bactérias, fungos, algas, líquens, musgos e samambaias, promoveram outros desdobramentos, tanto em relação ao tamanho como em relação à composição química. Em uma região pode haver um ou mais tipos de solos.

Os solos são identificados pela sua coloração, textura (tamanho das partículas), profundidade, teor de matéria orgânica, pH, relevo, grau de erosão, etc. Isto significa que os solos possuem características físicas, químicas e biológicas diferentes.

Para conhecer e identificar um solo, inicialmente, devemos saber que as características de um solo é o reflexo direto do tipo de rocha que lhe deu origem, das condições climáticas locais (calor, umidade, vento) e do nível de conservação das suas características originais (nível de degradação ambiental).

Os solos são resultados da desintegração de diferentes tipos de rochas (granitos, gnaisses, basaltos, diabásios, etc.), pela ação do calor, do frio, da água, do vento e de outros agentes, que foram lentamente dando origem aos diferentes tipos de solos que temos hoje.

Um solo pode ter uma constituição completamente diferente do outro, em função da sua rocha original. Um solo cuja rocha original é basalto resulta um solo diferente daquele que tem como rocha original um arenito.

O primeiro solo é mais rico em nutrientes e oferece maior retenção de água, porém oferece maior dificuldade para a penetração das raízes, enquanto o segundo é mais pobre em nutrientes e umidade, porém as raízes encontram maior facilidade para penetrarem em profundidade no solo.

Assim, o primeiro solo poderá ter menores condições para a agricultura se suas características originais não forem preservadas, pela ação da erosão das águas e do manejo inadequado no cultivo agrícola.

Há vários tipos de solo: arenoso, argiloso, areno-argiloso, barrento, turfoso etc., com diferentes quantidades de nutrientes, tamanhos de partículas, teores de matéria orgânica, cobertura vegetal etc.

Regionalmente os solos são identificados de acordo com a classificação oficial: Latossóis, Poldzolizados, Terra Roxa etc.

Para a produção agrícola é importante o tipo de solo, pois podem favorecer as plantas, como exemplo pelo maior teor de nutrientes e matéria orgânica, no entanto qualquer outro solo poderá ser utilizado com mesmo sucesso, desde que corrigido suas características físicas, químicas e biológicas.

Aquilo que chamamos por solo, consiste principalmente naquela camada superficial de 8 a 20 cm, rica em matéria orgânica, que é o ambiente onde vivem as raízes das plantas.

Se as condições do solo forem adequadas, podemos ter uma planta saudável, resistente e produtiva, caso contrário será sempre uma planta frágil e dependente de insumos e tratamentos especiais.

Cada tipo de solo deve ser identificado nas suas características físicas, químicas e biológicas, conforme apresentamos abaixo e depois trabalhados e regenerados para que venham a ser produtivo, com baixo emprego de recursos materiais e preservados para as próximas gerações.

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Fonte

PENTEADO, Silvio Roberto. Adubação Na Agricultura Ecológica: Cálculo e Recomendação Numa Abordagem Simplificada. 3ª ed. Valinhos - SP: Via Orgânica, 2019.

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