Frequência do Uso do Garanhão na Equinocultura
O objetivo principal do equinocultor é a racionalização do manejo, para permitir a máxima utilização da capacidade reprodutiva do garanhão. Para tanto, o reprodutor deve ter produção de espermatozoides em número e Qualidade (porcentagem de motilidade progressiva e de espermatozoides morfologicamente normais) suficientes para emprenhar o maior número de fêmeas/dia, durante o período reprodutivo. O número de espermatozoides no ejaculado depende da reserva de sêmen no epidídimo e no trato reprodutivo, e esta reserva depende da frequência da utilização do garanhão, além da idade e tamanho testicular.
Frequência de ejaculações no mês
Durante o período reprodutivo, o garanhão muitas vezes é exigido diariamente, e suas características espermáticas e de comportamento devem corresponder à taxa de fertilidade.
Na Tabela 14 é mostrado o efeito da frequência de uma única ejaculação diária, durante Quatro semanas sucessivas, sobre as características relacionadas à taxa de fertilidade.

Nos garanhões jovens, observou-se que o volume de sêmen foi menor durante as quatro semanas, caindo cerca de 33% do volume inicial.
O volume e a concentração no ejaculado dos garanhões, tanto jovens como adultos, estão diretamente relacionados ao tamanho testicular, que reflete a dimensão e o comprimento dos túbulos, representados pela massa testicular e consequente eficiência de produção espermática.
Alguns estudos já demonstraram que a reserva espermática aumenta com a idade, e cerca de 62% encontram-se na cauda do epidídimo. No entanto, a reserva espermática, tanto nos jovens como nos adultos, diminui após a terceira semana de coletas diárias.
O total de espermatozoides no ejaculado, durante o período, também foi menor nos Jovens, e ainda na quarta semana 37% menor do que na primeira semana. Entretanto, no garanhão adulto houve um declínio de 29% em relação à 1ª semana (Figura 19) provavelmente, o nível mais alto de espermatozoides mantido durante o período foi em virtude do maior volume do ejaculado dos animais adultos.

A motilidade foi maior nos jovens do que nos adultos (Tabela 14). No entanto, ela permaneceu inalterada durante as quatro semanas tanto nos jovens como nos adultos. Isto evidencia que os garanhões jovens não apresentam motilidade progressiva, bem como concentração, em níveis muito diferentes dos adultos. Este resultado pode ser um indicativo de que se podem utilizar garanhões jovens desde que se observem as características espermáticas.
A frequência de utilização do garanhão sendo diária, observou-se que ocorre queda acima de 60% do volume e concentração total de células espermáticas, tanto nos jovens como nos adultos, após a segunda semana.
As éguas com manejo de origem desconhecida, ou sem controle reprodutivo eficiente, poderiam ser inseminadas, potencialmente, com o mínimo de 500 x 106 espermatozoides viáveis/IA. No entanto, pelos resultados obtidos na Tabela 14, se usada esta dose inseminante, o potencial do garanhão jovem diminui em 46% por não possuir suficiente número de células espermáticas. Isto significa que durante a primeira semana poderiam ser inseminadas 15 éguas com um único ejaculado, ao passo que, na quarta semana, um ejaculado estaria em quantidade apenas para sete éguas.
Nos garanhões adultos, há ejaculação de sêmen suficiente para inseminar a média prevista de 16 fêmeas na primeira semana, caindo para cinco na quarta semana quando observada a fertilidade acima de 60%. Entretanto, apesar da qualidade e da quantidade espermáticas que conduzem a uma satisfatória taxa de fertilidade, esta pode estar comprometida pelo comportamento do garanhão submetido a ejaculações frequentes.
O tempo de reação para os garanhões jovens foi, em média, acima de dez minutos a partir da terceira semana de exigência e, em média, 70% acima do tempo inicial, às vezes até inexistente para certos indivíduos. Nos adultos houve pouca variação (Figura 20), o tempo aumentando em 13% em relação à semana inicial. A utilização de garanhões submetidos a regime intensivo de ejaculação exige maior controle quanto a sua capacidade reprodutiva.

Os garanhões jovens sofreram mais estresse das ejaculações diárias sucessivas após a segunda semana. Foi observado que não houve reação, isto é, interesse pela fêmea, ereção, monta e ejaculação em certos dias, e que para alguns machos o tempo de reação foi muito prolongado. Neste caso, o número de fêmeas que poderiam ser inseminadas, ou cobertas em monta controlada, poderá cair até 70%.
No entanto, deve-se considerar que mesmo os garanhões adultos sofrem estresse após a segunda semana de ejaculações diárias sucessivas.
O manejo ineficiente a que estão submetidas as éguas pode ser um complicador da taxa de fertilidade, especialmente quando se utiliza o garanhão, seja jovem ou adulto, com muita frequência.
Por isso, é importante conhecer, antecipadamente, não só a capacidade reprodutiva do garanhão ao iniciar o período reprodutivo, como também a atividade sexual da fêmea. o conhecimento prévio do desenvolvimento folicular e momento da ovulação da fêmea permite o uso mais eficiente do garanhão.
Os garanhões jovens não devem ser utilizados em dias sucessivos, apesar de terem apresentado tempo de reação semelhante por duas semanas de coletas sucessivas. No entanto, sugere-se que num eventual uso do garanhão jovem, as montas devem ser alternadas com períodos de descanso, que, segundo alguns estudos, devem ser de até duas semanas.
O garanhão, quando na pastagem, mostra interesse natural de cobrir as éguas em cio, porém sem comprometer a sua performance. No entanto, quando é necessário realizar montas sucessivas, deve ser conduzido sempre pelo mesmo manejador, para maior sucesso.
Frequência de ejaculações no dia
O método mais seguro para predizer o potencial do garanhão é pela frequência das ejaculações, que pode ser avaliada por melo de coletas de sêmen, de duas até cinco vezes ao dia, ou usando o garanhão em várias fêmeas durante um dia.
Para a utilização do garanhão em monta controlada em várias fêmeas/dia e obter alta taxa de fertilidade, alguns critérios devem se observados:
• O sêmen deve manter as características de qualidade e concentração em níveis suficientes para se alcançar a fecundação; e
• O garanhão deve manter a libido, isto é, o desejo além da ereção para cobrir o máximo de fêmeas/dia.
Na Tabela 15 são mostradas as características espermáticas e de comportamento, quando o garanhão é exigido para cobrir até cinco vezes ao dia.

Observou-se que após a segunda ejaculação, num intervalo mínimo de uma hora, a concentração total de espermatozoides no ejaculado cai em 43% já no terceiro ejaculado.
Este resultado pode mostrar o número de fêmeas passíveis de serem inseminadas, com 500 x 106 spz/ml nos dois primeiros ejaculados, caindo de cinco para uma fêmea na quinta ejaculação.
No entanto, a motilidade progressiva dos espermatozoides permaneceu estável no regime de várias ejaculações/dia; porém, a concentração total de células caiu significativamente (P < 0,05), o que poderia comprometer a fertilidade.
Foi observado um declínio no total das anormalidades morfológicas dos espermatozoides em coletas diárias entre as horas do dia (P < 0,05) Apesar das variações individuais observadas entre as coletas, os níveis de anormalidades não devem prejudicar a fecundação (Figura 21). Alguns estudos já estabeleceram que a taxa de anormalidades morfológicas acima de 20% para defeitos maiores e 20% para os menores, num total acima de 40%, pode comprometer a taxa de fertilidade. Entretanto, esta taxa está na dependência do tipo de anormalidade individual, podendo ser compensada por uma maior concentração.

Além do mais, as ejaculações sucessivas durante o dia também são afetadas pelo tempo de reação após o segundo ejaculado. O garanhão exige acima de 60% do tempo inicial para reagir com ereção, monta e ejaculação, quando em presença da fêmea, às vezes estando desinteressado (Figura 22).

Das observações realizadas podemos considerar que:
• Alguns dos fatores que podem interferir no comportamento de monta são o local de cobertura e o manejador, que não devem ser alterados; e
• Não se deve utilizar o garanhão mais de duas vezes seguidas. Se houver a necessidade de cobertura mais vezes ao dia, deve-se alternar com maior tempo de descanso do que o utilizado neste estudo, que foi de uma hora.
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Fonte
SILVA, Antonio Emídio Dias Feliciano; UNANIAN, Maria Marina; ESTEVES, Sérgio Novita. Criação de Equinos: Manejo Reprodutivo e da Alimentação. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa, 1998.