Estratégias para Recuperação e Renovação de Pastagens
A recuperação de uma pastagem caracteriza-se pelo restabelecimento da produção de forragem, mantendo-se a mesma espécie ou cultivar.
Já, a renovação consiste no restabelecimento da produção da forragem com a introdução de uma nova espécie ou cultivar, em substituição àquela que está degradada (MACEDO et al., 2000).
Outro termo frequentemente utilizado é reforma da pastagem, que é mais apropriado para designar correções ou reparos após o estabelecimento da pastagem.
Para definir quais opções ou alternativas de recuperação ou renovação de pastagens serão utilizadas em cada propriedade é indispensável que se realize um diagnóstico com informações sobre a região, propriedade e as pastagens a serem trabalhadas.
O diagnóstico engloba os sistemas de produção predominantes na região, mercados a serem atingidos, o sistema de produção da fazenda, entre outros.
São determinados os índices zootécnicos, como lotação animal, natalidade, mortalidade, nas áreas a serem recuperadas ou renovadas e também levantamento detalhado das condições das pastagens, tais como: histórico da área, análise do solo, declividade do terreno, condições de conservação do solo, estádio de vigor e cobertura da pastagem, presença de invasoras.
Em função do diagnóstico decide-se por recuperação ou renovação, bem como que operações mecânicas, quantidades de insumos e manejo será adotado.

Estas ações objetivam o restabelecimento da produção de biomassa das plantas em um período de tempo determinado, com custos viáveis para o produtor, visando uma maior persistência da pastagem. Exemplo e roteiro para o diagnóstico podem ser encontrados em Kichel et al. (2011a,b).
A recuperação ou renovação pode ser efetuada de forma direta ou indireta. Define-se como forma direta quando no processo utilizam-se apenas práticas mecânicas, químicas e agronômicas, sem cultivos com pastagens anuais ou culturas anuais de grãos.
O uso intermediário de lavouras ou de pastagens anuais caracteriza a forma indireta de recuperação ou renovação de pastagens (MACEDO et al., 2000; MACEDO, 2001). Esquema simplificado dessas alternativas é apresentado na Figura 1.

Recuperação direta
Esta prática, na maioria de suas modalidades, apresenta menor risco para o produtor e é aconselhada quando a pastagem degradada está localizada em regiões de clima e solo desfavoráveis para a produção de grãos, com falta ou pouca infraestrutura de máquinas, implementos, estradas e armazenagem, condições de comercialização e aporte de insumos; menor disponibilidade de recursos financeiros; dificuldades de se estabelecer parcerias ou arrendamentos e necessidade de utilização da pastagem em curto prazo.
Dependendo do estádio de degradação da pastagem, pode-se escolher dentre vários métodos de recuperação direta. Quanto mais avançado o processo de degradação, mais drástica será a intervenção, com maior número de operações e custos mais elevados.
Em geral, a recuperação direta pode ser categorizada pela forma como se atua na vegetação da pastagem degradada: sem destruição da vegetação, com destruição parcial da vegetação e com destruição total da vegetação.
Recuperação direta sem destruição da vegetação
Esta alternativa é utilizada quando a pastagem está nos estádios iniciais da degradação e as causas principais são o manejo inadequado e/ou deficiência de nutrientes. A pastagem deve estar bem formada, sem invasoras, sem solo descoberto e compactado e sem erosão.
Deve-se ajustar a lotação animal e o sistema de manejo para a produtividade desejada. Avalia-se a potencialidade de produção pela análise do solo, clima do local e forrageira estabelecida.
A recuperação pode ser feita com aplicação superficial e a lanço de adubos e corretivos, sem preparo do solo, com doses calculadas segundo análise química da fertilidade.
Recuperação direta com destruição parcial da vegetação
Este processo é indicado quando as pastagens estão em estádios intermediários de degradação e as causas normalmente são: manejo inadequado da pastagem, deficiência de nutrientes, compactação do solo, pastagens mal formadas, ou deseja-se introduzir leguminosas. Inicialmente, pode-se aplicar um dessecante na pastagem, em doses que permitam o retorno da vegetação, para facilitar as operações mecânicas e a introdução de consórcios quando for o caso.
Se houver compactação do solo utiliza-se um subsolador ou escarificador, com ou sem dessecação. Não havendo compactação pode-se utilizar o plantio direto com plantadeira apropriada.
Em ambos os casos pode-se efetuar simultaneamente a adubação, ressemeadura de sementes da forrageira, introdução de leguminosas ou de forrageira anual (como o milheto) para pastejo imediato, visando a amortização dos custos até o retorno da pastagem recuperada.
Recuperação direta com destruição total da vegetação
É indicado quando a pastagem está no estádio mais avançado de degradação com baixa produtividade de forragem, solo descoberto, elevada ocorrência de espécies invasoras (anuais ou espécies de retorno da vegetação natural), grande quantidade de cupins e formigas, solo com baixa fertilidade e alta acidez, compactação e/ou erosão do solo e o produtor deseja manter a mesma espécie ou cultivar.
Esta é a opção de recuperação direta cujos custos são os mais elevados, pois exige operações de máquinas para preparo total do solo e de práticas de conservação.
É também indicada quando é necessária a incorporação de corretivos e fertilizantes de forma mais uniforme e profunda no perfil do solo. A mesma espécie forrageira é plantada imediatamente de forma solteira ou em consorciação com leguminosas.

Recuperação indireta com destruição total da vegetação e uso de pastagem anual ou agricultura
Este processo pode ser utilizado quando a pastagem degradada estiver nas mesmas condições que o caso anterior, mas uma pastagem ou cultura anual será plantada como intermediária no processo de recuperação.
Pode-se plantar imediatamente, após o preparo do solo, a mesma espécie forrageira como reforço ao banco de sementes já existente, em plantio simultâneo ou não com pastagens anuais, como o milheto, aveia ou sorgo forrageiro ou, ainda, com culturas anuais de arroz, milho ou sorgo granífero.
Com esse sistema haverá amortização dos custos, valendo-se do pastejo animal temporário ou venda de grãos. O plantio solteiro de culturas anuais de soja, milho e outras também pode ser realizado, com a pastagem sendo plantada ao final do ciclo das mesmas, no ano subsequente ou após dois ou três anos, dependendo da análise econômica da situação específica.
Esse sistema possui muitas vantagens porque permite a elevação da fertilidade do solo com amortização parcial dos custos, quebra de ciclo de pragas, doenças e invasoras, otimização da mão de obra, máquinas, equipamentos e instalações, diversificação do sistema produtivo, maior fluxo de caixa para o produtor e criação de novos empregos.
Exige, no entanto, maior investimento financeiro, infraestrutura e conhecimento tecnológico. Não é necessário que seja estabelecido, após a recuperação, o sistema de integração lavoura-pecuária (SILP), mas as condições já foram iniciadas para tal.
Renovação direta
Esta opção, na maioria dos casos, é de sucesso mais duvidoso, pois tem como objetivo substituir uma espécie ou cultivar por outra forrageira sem utilizar cultura intermediária. Baseia-se, principalmente, em tratos mecânicos e químicos, com o uso de herbicidas, para o controle da espécie que se quer erradicar.
A substituição de espécies do gênero Brachiaria por cultivares de Panicum, uma das mais almejadas, nem sempre é bem sucedida dado o elevado número de sementes existentes no solo.
O gasto de sucessivas aplicações de herbicidas e tratos mecânicos pode encarecer sobremaneira o processo.
A substituição de espécies como Andropogon e Panicum por espécies de Brachiaria, no entanto, oferece melhor possibilidade de êxito. Outra troca potencial é a substituição de espécies de Brachiaria por espécies de Cynodon.
Renovação indireta com uso de pastagem anual ou agricultura
Esta alternativa é recomendada quando o estádio de degradação da pastagem é bem avançado, com baixa produtividade de forragem, solo descoberto, elevada ocorrência de espécies indesejáveis, grande quantidade de cupins e formigas, solo com baixa fertilidade e alta acidez, compactação e/ou erosão do solo e o produtor deseja trocar de espécie ou cultivar.
É de custo mais elevado, exige conhecimento tecnológico, infraestrutura de máquinas, equipamentos, armazenagem, acesso de estradas ou necessidade de parceiros e/ou arrendamento.
As condições de solo e clima também devem ser adequadas para o plantio de lavouras anuais. Pode ser executada com a utilização de pastagem anual de milheto, aveia, sorgo e outras, ou culturas anuais de soja, milho, arroz, entre outras, no verão e pastagens anuais no outono/inverno, por tempo (anos ou ciclos) a ser determinado pelas circunstâncias econômicas locais e desejo do produtor.
Após o cultivo sucessivo de pastagens anuais e lavouras e controle da forrageira a ser substituída, implanta-se a nova espécie ou cultivar. Também não precisa ser necessariamente estabelecido SILP, se o produtor não o desejar.

Sistemas de integração lavoura-pecuária (SILPs)
Estes sistemas podem ser estabelecidos nos casos em que lavouras e pastagens anuais são utilizadas como intermediárias na recuperação ou renovação de pastagens.
Os SILPs têm-se mostrado eficientes na melhoria da qualidade do solo: propriedades químicas, físicas e biológicas; na quebra do ciclo de pragas e doenças; no controle de invasoras; no aproveitamento de subprodutos; no pastejo de outono em pastagens anuais, melhorando e mantendo a produção animal e de grãos, com fluxo de caixa mais frequente ao produtor, criando novos empregos e dando maior sustentabilidade a produção agropecuária.
Associado ao uso dos SILPs, recomenda-se que o sistema de plantio direto (SPD) seja utilizado no plantio das pastagens anuais ou das lavouras tanto na recuperação, como na renovação de pastagens.
Os efeitos desses sistemas são pertinentes quando estabelecidos em uma mesma área em esquemas de rotação.
Esta prática é recomendada, principalmente, para a manutenção da produção das pastagens, quando estas têm apenas perda de vigor ou ligeira queda na produtividade ou em estádios bem iniciais de degradação, quando a fertilidade do solo, as propriedades físicas, a conservação do solo, a ocorrência de invasoras ou pragas não forem limitantes ao plantio de lavouras ou pastagens anuais em plantio direto.
Para adoção dos SILPs são necessárias diversas condições, que são determinadas pelo diagnóstico realizado na região e na propriedade, de acordo com os objetivos do proprietário, da disponibilidade e qualificação da mão de obra e do nível gerencial e operacional da propriedade.
O tempo de exploração da lavoura ou da pecuária vai depender do SILP a ser adotado, podendo-se utilizar a pecuária por um período curto de meses ou até vários anos e retornar novamente com a lavoura e assim em ciclos sucessivos.
Em regiões com clima e solo favoráveis para lavouras de grãos, a pastagem permanece por períodos mais curtos de meses ou de anos. Se o objetivo maior for a produção de grãos, os ciclos de pastagem serão mais curtos, se for a pecuária, serão mais longos.
A presença da pastagem nestes sistemas objetiva adequar a rotação de culturas, aumentando a produção de palha para o plantio direto, contribuindo para redução de pragas e doenças e de plantas invasoras.
Nestes casos, a presença da pastagem por mais de 2 ou 3 anos tem sido mais eficiente. As lavouras nos SILPs têm um importante papel na elevação da fertilidade do solo, com amortização dos custos, e as pastagens na melhoria da qualidade do solo e quebra de ciclos de patógenos e de plantas invasoras.
É importante salientar que algumas culturas como milho e sorgo possibilitam sua semeadura simultaneamente com forrageiras no plantio, tanto no verão, como na safrinha e, após a colheita da cultura, a pastagem estará em condições de ser utilizada (ZIMMER et al., 2007).
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Fonte
ZIMMER, Ademir Hugo; MACEDO, Manuel Claudio Motta; KICHEL, Armindo Neivo; DE ALMEIDA, Roberto Giolo. Degradação, recuperação e renovação de pastagens. 1ª ed. Brasília – DF: Embrapa, 2012.