Estratégias Nutricionais para Diminuir a Idade à Primeira Cria
A idade ao primeiro parto e o manejo realizado até então influenciam significativamente a viabilidade econômica da atividade de cria.
Diminuir a idade ao primeiro parto de 42 meses, média brasileira, para 36 meses, já é um grande passo, possível por meio de um bom manejo nutricional.
Porém, outra possibilidade seria diminuir ainda mais a idade ao primeiro parto, de 36 meses para 24 meses, com concepção ao redor dos 15 meses de idade. Em raças taurinas de origem britânica, a concepção em idades menores é observada mais comumente, por se tratar de raças com grande precocidade sexual.
Esta característica deve ser explorada, quando possível, pelo aumento na vida útil da fêmea, ou seja, o número de bezerros produzidos ao longo de sua vida, e pela diminuição no tempo de recria, período considerado improdutivo.
Contudo, é sabido que a pecuária de corte brasileira se concentra principalmente no Brasil Central, sobre influência de clima tropical e solos de Cerrado.
Nesta situação, as raças zebuínas predominam por sua capacidade adaptativa, porém não apresentam a precocidade reprodutiva observada nas raças britânicas e este é um dos motivos da média de idade ao primeiro parto ser alta no Brasil.
Contudo, observa-se que principalmente dentro da raça Nelore, existe um esforço para o melhoramento genético de características reprodutivas, incluindo o parto precoce, que colabora para a diminuição desses índices.
O parto precoce é explorado em propriedades com nível gerencial e de tecnificação mais avançados. O parto aos 24 meses implica na concepção aos 15 meses e um período de recria de aproximadamente 7 meses.

Do ponto de vista de crescimento, a fêmea precoce deve sair de um peso aproximado de 180 kg e atingir 280 kg, o que significa um ganho de peso diário de mais de 0,400 kg/dia. Não seria muito se o período pós-desmame não compreendesse em sua maior parte a estação seca.
Portanto, obrigatoriamente, deve-se lançar mão de estratégias nutricionais mais intensivas para alcançar tal desempenho.
Nas figuras 10.5 e 10.6, é ilustrada a importância do peso de entrada de novilhas Nelore e a importância do ganho de peso durante a Estação de Monta sobre a capacidade de a novilha tornar-se prenha na sua primeira estação de monta.


Uma estratégia proposta e analisada pela Embrapa Gado de Corte foi a de suplementação com concentrado no período seco ao nível de 1% do peso vivo.
Esta estratégia permitiria o ganho de peso desejado e a concepção de uma porcentagem das fêmeas submetidas à monta na estação de primavera/verão.
Entretanto, quando comparado em termos econômicos com o sistema com idade à primeira cria aos 36 meses, se mostrou menos viável e muito sensível a variações em preços do bezerro e da ração.
Uma oportunidade aventada foi a de aumentar o peso à desmama de forma a permitir desempenhos mais discretos ao longo da recria com níveis menores e mais baratos de suplementação.
Esta estratégia reforça a importância do trabalho em melhoramento genético para a característica total maternal e também na nutrição da vaca parida, esperando-se maior produção de leite e maior desenvolvimento da bezerra lactente.

Outra estratégia é a alimentação das fêmeas desmamadas em sistema de confinamento. Neste sistema existe maior facilidade para se alcançar o crescimento desejado devido à qualidade da dieta oferecida.
Em compensação, os custos podem ser maiores, o que exige uma estratégia diferente daquela normalmente adotada para a terminação.
Aparentemente, esta estratégia seria mais facilmente adotada em propriedades que já realizam confinamento para a terminação de animais.
Destaque também deve ser dado para a diminuição na necessidade de áreas de pastagens, inclusive áreas diferidas para a recria das fêmeas.
Tais áreas poderiam ser utilizadas, por exemplo, para a recria visando a terminação ou para a manutenção do rebanho de cria. Entretanto, análises econômicas destas estratégias devem ser realizadas para cada caso.
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Fonte
DE MEDEIROS, Sérgio Raposo; GOMES, Rodrigo da Costa; BUNGENSTAB, Davi José. Nutrição de bovinos de corte: Fundamentos e aplicações. 1ª ed. Brasília – DF: Embrapa, 2015.