Pecuária

Escassez de gado nos EUA leva maior empresa americana de carne fechar fabricas

A empresa informou que a produção dessas instalações será absorvida por outras fábricas.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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A Tyson Foods, maior processadora de carne dos Estados Unidos, anunciou o fechamento de várias fábricas de carne bovina em meio à pior escassez de gado que o país já enfrentou. A decisão afeta uma unidade em Illinois, outra em Utah (produtos prontos) e uma terceira no estado de Washington, que está sendo colocada à venda.

A empresa informou que a produção dessas instalações será absorvida por outras fábricas. O objetivo, segundo comunicado divulgado na quinta-feira (13), é “criar uma presença mais competitiva” diante do encolhimento do rebanho doméstico, que está no menor nível em cerca de cinco décadas.

O cenário nos EUA

O rebanho bovino americano permanece próximo ao menor patamar das últimas cinco décadas. A última contagem do USDA, referente a 1º de julho, mostrou que os pecuaristas estão retendo alguns animais para reconstruir seus rebanhos, mas um crescimento significativo ainda levará tempo.

Isso significa que os frigoríficos seguem pagando preços elevados pelo gado escasso, comprimindo as margens. Na semana passada, a Tyson já havia reduzido sua previsão de lucro anual e projetado perdas operacionais ajustadas ainda maiores no segmento de carne bovina.

A estratégia da Tyson

Apesar dos fechamentos, a empresa planeja concentrar suas operações em apenas três fábricas: Nebraska, Kansas e Texas. A unidade de Amarillo (TX), que operava em turno único, voltará a dois turnos “à medida que o gado estiver disponível”.

No início do ano, a Tyson já havia fechado outra fábrica no Nebraska.

Impacto no setor

A crise atinge todo o setor de processamento dos EUA. A concorrente JBS converteu sua fábrica fechada na Pensilvânia para produtos de valor agregado, e a Cargill também fechou uma unidade em Milwaukee. O novo CEO da JBS, Wesley Batista Filho, admitiu que os negócios de carne bovina nos EUA ainda não se beneficiaram da reestruturação.

Para aliviar a pressão, o USDA anunciou a retomada gradual das importações de gado vivo do México, suspensas por mais de um ano para conter a mosca-da-carne do Novo Mundo. As remessas devem começar no final de agosto em um porto do Arizona, com benefícios a longo prazo para as empresas de abate.

Apesar das perdas na carne bovina, as empresas têm recorrido aos negócios de frango para se manterem lucrativas — assim como a própria Tyson, que segue forte nesse segmento.

Esse movimento nos EUA é um sinal importante para o Brasil. A escassez de gado americano mantém os preços internacionais da carne bovina elevados, abrindo espaço para as exportações brasileiras — especialmente para a China, que busca fontes alternativas de suprimento.

No entanto, também reforça a necessidade de planejamento no campo brasileiro:

🔧 Orientações:

  1. Acompanhe as exportações: com a oferta dos EUA reduzida, a demanda por carne brasileira tende a crescer. Fique atento aos preços pagos pelos frigoríficos.

  2. Monitore o rebanho: a escassez nos EUA é um alerta. Planeje a reposição do seu rebanho com cuidado, considerando ciclos de seca e custos de insumos.

  3. Invista em eficiência: com margens apertadas no setor global, produtores que conseguem reduzir custo por arroba saem na frente. Genética, nutrição e manejo são diferenciais.

  4. Diversifique mercados: enquanto os EUA sofrem com escassez, aproveite para ampliar a presença em mercados pagadores como China, União Europeia e Oriente Médio.

  5. Fique de olho no México: a retomada das exportações de gado mexicano para os EUA pode aliviar a pressão lá fora no médio prazo, afetando os preços. Acompanhe a evolução.

Fonte: Bloomberg.

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