Pecuária

Época da Semeadura da Soja

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
Época da Semeadura da Soja
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A delimitação do período para cultivo da soja em cada município brasileiro é definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) por meio de portarias específicas para cada estado brasileiro, disponíveis para acesso no site do Mapa (Brasil, 2018).

A definição da melhor época de semeadura da soja dentro do período indicado deve ser fundamentada nas características de clima e solo da região, nos sistemas de produção utilizados e nos atributos das cultivares. Salienta-se a importância de considerar a interação entre as cultivares e o ambiente de produção. Para uma determinada região, nem sempre as melhores cultivares para semeadura no início do período indicado são as melhores para o final do período. Ou seja, é necessário posicionar as cultivares nas épocas mais favoráveis à expressão do potencial genético, de acordo com as informações das empresas obtentoras das variedades. Adicionalmente, é fundamental considerar que, em geral, a soja está inserida em sistemas de produção que envolvem outras culturas. Desse modo, as culturas anterior e posterior à soja também influenciam na tomada de decisão sobre a época de instalação da cultura. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil é comum o cultivo da soja na safra e, em sucessão, o milho de segunda safra. Nesse caso, a soja não pode ser semeada muito tarde, pois isso pode impossibilitar o cultivo do milho em sucessão. O interesse em semear milho ou algodão na segunda safra é um dos principais fatores que tem estimulado a semeadura da soja no final do mês de setembro e início de outubro, considerada semeadura “no cedo” em muitas regiões.

Resultados de experimentos e de lavouras, obtidos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, têm mostrado maiores produtividades em semeaduras realizadas nos meses de outubro e novembro. Nessa época, geralmente há condições atmosféricas adequadas à emergência, ao crescimento, ao florescimento e ao enchimento de grãos, sobretudo relacionadas à precipitação pluvial, à temperatura do ar e do solo e ao fotoperíodo. Fisiologicamente, é interessante que a soja apresente a máxima área foliar no período do ano que tenha a máxima radiação, no hemisfério Sul na segunda quinzena de dezembro e em janeiro, desde que não haja déficit hídrico nesse período de intenso consumo de água pela cultura.

Em semeaduras realizadas logo no início do período indicado, denominadas de semeaduras “no cedo”, pode haver problemas na emergência, em razão de déficit hídrico e/ou baixa temperatura do solo. Nessa condição as plantas apresentam menor porte, em decorrência da baixa disponibilidade de calor e radiação solar no início do ciclo, a duração do ciclo de desenvolvimento é maior e há maiores chances de perdas quanti e qualitativas na colheita, em razão da elevada precipitação pluvial nessa fase. Se o objetivo da lavoura for a produção de sementes, altos volumes de chuva na colheita podem reduzir drasticamente a qualidade fisiológica do produto. Em semeaduras “no cedo”, o uso de cultivares com tipo de crescimento indeterminado constitui-se em alternativa para que haja adequado crescimento das plantas de soja, permitindo a obtenção de altas produtividades de grãos.

Em semeaduras realizadas no final do período indicado, denominadas de semeaduras “no tarde”, pode haver menor crescimento em altura das plantas e maiores incidência e severidade de doenças na fase reprodutiva, principalmente ferrugem-asiática, e maior incidência de insetos-pragas, como percevejos. Esse agravamento de problemas fitossanitários no final do ciclo pode ocasionar perdas de produtividade, da qualidade dos grãos/sementes e/ou aumento dos custos de produção. Além disso, em semeaduras “no tarde” pode haver maiores perdas por causa do déficit hídrico na fase reprodutiva e, em algumas regiões do Sul do Brasil, em função de baixas temperaturas, inclusive geadas no começo de abril. A semeadura da soja no tarde, principalmente no mês de dezembro, é comum em regiões frias do Sul do Brasil em sucessão ao trigo, que geralmente é colhido no final de novembro e início de dezembro. Nessa circunstância, especial atenção deve ser dispendida na escolha de cultivares adaptadas a esse ambiente de produção. Em geral, cultivares que apresentam menor sensibilidade ao comprimento do dia e/ou que tenham tipo de crescimento indeterminado, são as mais adequadas à semeadura tardia.

Para minimizar os riscos de perdas de produtividade por estresses e escalonar as operações de semeadura, pulverizações e colheita, é indicada a semeadura da soja em diferentes épocas dentro do mesmo empreendimento agrícola. Para tal, é fundamental o posicionamento de cultivares adaptadas em cada época de semeadura. Em empreendimentos pequenos, em que a colheita é terceirizada, essa estratégia é difícil de ser implementada. Nesse caso, é indicada a semeadura na época mais propícia à expressão do potencial genético da cultivar utilizada, reduzindo os riscos de insucesso econômico.

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Fonte

SEIXAS, Claudine Dinali Santos; NEUMAIER, Norman; BALBINOT, Alvadi Antonio Junior; KRZYZANOWSKI, Francisco Carlos; LEITE, Regina Maria Villas Bôas de Campos. Tecnologias de Produção de Soja. 1ª ed. Londrina – PR: EMBRAPA SOJA, 2020.

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