Pecuária

Elementos Requeridos na Nutrição do Tomateiro

Daniel Vilar
Especialista
19 min de leitura
Elementos Requeridos na Nutrição do Tomateiro
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Os nutrientes minerais têm, por definição, funções especificas e essenciais no metabolismo da planta, participando como constituintes de estruturas orgânicas, ativadores enzimáticos ou reguladores osmóticos.

Dependendo da exigência de um dado nutriente para o desenvolvimento vegetal, o mesmo pode ser considerado macronutriente ou micronutriente.

Dezessete elementos são considerados essenciais para o desenvolvimento da planta: carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), níquel (Ni) e zinco (Zn).

Há também os elementos classificados como benéficos para algumas plantas como, por exemplo, o sódio (Na), o silício (Si), o selênio (Se) e o cobalto (Co).

Dentre estes, apenas para o Si tem sido relatada ação benéfica para o tomateiro; no entanto, os resultados obtidos não são totalmente conclusivos.

O K e o Cl são os únicos nutrientes que não são componentes de estruturas orgânicas. Suas funções estão associadas à regulação osmótica (dentro do vacúolo, por exemplo), manutenção do equilíbrio eletroquímico no interior das células e seus compartimentos e regulação de atividades enzimáticas.

É necessário que haja disponibilidade e absorção dos nutrientes em proporções adequadas, via solução do solo ou, como suplementação, via foliar. Cada um desses nutrientes tem uma função específica no metabolismo das plantas.

Desequilíbrios em suas proporções podem causar deficiência ou excesso de nutrientes no interior da planta, gerando limitações ao crescimento ou até mesmo a morte da cultura.

Nitrogênio (N)

O N faz parte da molécula de clorofila, estando envolvido diretamente no processo da fotossíntese. A deficiência de N proporciona menor síntese de clorofila, menor desenvolvimento foliar e consequentemente, menor capacidade de realizar fotossíntese.

Esta situação impossibilita a planta de realizar funções essenciais, como, por exemplo, absorver nutrientes, resultando na queda de produtividade.

O N também é um dos componentes das vitaminas, dos aminoácidos que formam as proteínas, das enzimas e dos sistemas energéticos da planta.

Os teores de N no solo na forma mineral são pequenos, variando desde traços até 5g.kg-1 nas camadas superficiais do solo, diminuindo com a profundidade. O teor de N depende também do tipo de solo, da temperatura e da pluviosidade.

O N disponível no solo encontra-se, principalmente, na forma de nitrato (NO3-) com teores variando de 2 a 60 mg.kg-1 na camada arável do solo.

Dependendo da condição climática, em solos de textura arenosa ou média o teor de N se aproxima do limite inferior do intervalo, em razão da alta mobilidade do NO3-, permitindo que o mesmo seja lixiviado facilmente pelas águas das chuvas e de irrigação.

As plantas absorvem a maior parte do N na forma de íons amônio (NH4+) ou nitrato (NO3). Uma pequena porção de ureia também pode ser absorvida diretamente pelas folhas, bem como pequenas quantidades de N podem ser obtidas de materiais como aminoácidos solúveis em água.

Depois de absorvido, o N incorpora-se na planta na forma de aminoácidos e na medida em que aumenta o seu fornecimento, as proteínas sintetizadas a partir dos aminoácidos promovem o crescimento das folhas, aumentando a superfície fotossintética.

Rendimentos mais altos observados em plantas que absorvem parte do N como NH4+ estão associados com a assimilação direta desse cátion para formação de aminoácidos. Já o ânion nitrato deve ser inicialmente reduzido a NH4+ para assimilação do N pela planta.

Esse processo, no entanto, consome energia da planta, que é proporcionada por carboidratos que deveriam ser utilizados para o crescimento ou formação de frutos.

O N é um elemento bastante móvel no interior da planta, por isso os sintomas de deficiência são observados nas folhas mais velhas.

O tomateiro, quando desenvolvido em condições com baixo teor de N, apresenta folhas com coloração verde-clara, caracterizada por clorose generalizada. Pode apresentar também coloração purpúrea do caule e colmo, pecíolo e parte basal das folhas, resultante da concentração de antocianina.

As condições que predispõem o tomateiro à deficiência de N são: suprimento insuficiente de fertilizantes nitrogenados no plantio, baixo teor de matéria orgânica no solo, deficiência de molibdênio, compactação do solo, lixiviação intensa e seca prolongada.

O excesso de N acarreta crescimento excessivo da parte aérea e, em alguns casos, redução na qualidade e maturação tardia dos frutos.

Além disso, a aplicação de NH4+, como única fonte de nitrogênio, em condições de baixa nitrificação, baixa temperatura, solos ácidos ou baixo teor de umidade pode trazer danos severos ao tomate.

Desordens fisiológicas e morfológicas resultando em clorose, necrose, enrolamento das folhas, inibição da síntese do trifosfato de adenosina (ATP) e redução de nocotinamida adenina dinucleótido fosfato (NADP), síntese reduzida de amido, dentre outros aspectos, são exemplos destes danos.

Fósforo (P)

O P participa de processos importantes na planta, como fotossíntese, respiração, armazenamento e transferência de energia, divisão e crescimento celular.

Embora o P seja extraído do solo em menor quantidade pelo tomateiro em relação ao N e K, a correção dos teores de P promove a rápida formação e crescimento das raízes, melhora a qualidade dos frutos, sendo vital à formação de sementes e está envolvido na transferência de características hereditárias (DNA e RNA); além disso, contribui para aumento do peso médio do fruto.

O teor de P no solo, em especial nos solos do cerrado, é muito baixo, variando de 0,2 a 1,0 g.kg-1 de P. As plantas absorvem o P preferencialmente na forma do ânion monovalente H2PO4- e em menor proporção o ânion bivalente HPO42-.

Outras formas de P também são absorvidas pela planta, mas em proporções muito inferiores do que o ortofosfato.

O pH do solo controla a disponibilidade das formas iônicas de fosfato para as plantas. Em valores de pH variando de 5,5 a 7,0 o H2PO4- tem sua disponibilidade aumentada frente ao HPO42-, que passa a predominar em valores de pH acima de 7,0.

Em solos com pH muito ácido e alta atividade de Al e Fe na solução, pode ocorrer a precipitação do P na forma de fosfatos de Al e de Fe, afetando sua disponibilidade para o tomateiro. Em solos alcalinos, o P está na forma de PO43- que não é absorvido pela planta ou está presente na forma de fosfato de cálcio.

Em razão da alta mobilidade na planta, o P se transloca rapidamente dos tecidos mais velhos para os mais jovens, com os sintomas de deficiências aparecendo na parte inferior da planta (folhas velhas).

Redução na taxa de crescimento, logo após a emergência das plantas ou transplantio das mudas, muitas das vezes sem mostrar outros sintomas visíveis, é o primeiro sinal de deficiência de P.

As folhas com sintomas apresentam-se com coloração púrpura ou avermelhada (arroxeamento) relacionada com o acúmulo de antocianina. A deficiência de P reduz a floração e retarda a maturação dos frutos.

Os fatores limitantes para a absorção de P pelo tomateiro estão associados com o nível de P na solução do solo; com a acidez ou a alcalinidade; com a capacidade tampão de P do solo, que está diretamente relacionada com a textura, teor de umidade e modo de aplicação dos fertilizantes: com a compactação do solo e com temperaturas baixas na época da emergência das plantas.

São raros os sintomas de excesso de P; no entanto, a deficiência em Zn, em solos ricos em P, pode provocar a absorção e acúmulo de P em excesso, promovendo sintomas semelhantes aos da deficiência de Zn.

Potássio (K)

O K é o elemento extraído em maior quantidade pelo tomateiro, participando de importantes processos no interior da planta, como ativação de muitas enzimas do metabolismo de carboidratos e proteínas. Dentre as mais importantes, está a piruvato-quinase, principal enzima da glicose e respiração.

O K pode ser encontrado no solo como constituinte de minerais primários e secundários, nas formas trocável, não trocável e solúvel em água.

Em razão do elevado grau de intemperismo da maioria dos solos brasileiros, a reserva de K é muito baixa e sua disponibilidade é dependente da mineralogia do solo.

Solos com argilas de atividade alta, como a ilita e a montmorilonita, requerem maiores doses de potássio, devido à fixação do K nas entre camadas dos minerais de argila 2:1, quando comparados aos solos com predomínio de argilas de atividade baixa, como caulinita, presente em maior proporção na maioria dos solos brasileiros.

Entretanto, a fixação de K é inexistente ou pouco expressiva em decorrência da pequena presença de minerais 2:1 nos nossos solos e da presença de polímeros de Al que limitam a aproximação das entre camadas desses minerais.

O tomateiro absorve o K da solução do solo na forma do íon K+ que, distintamente da maioria dos outros nutrientes essenciais, não faz parte de compostos orgânicos na planta.

O íon K+ parece estar associado a várias funções fisiológicas, tais como transporte no floema, turgescência das células estomáticas e crescimento celular, bem como na síntese de licopeno e outros carotenoides.

O suprimento adequado de K evita também a queda de frutos, devido ao fortalecimento da área de fixação do fruto à planta.

Semelhante ao N e o P, o K também é bastante móvel no interior da planta e sua deficiência se expressa nas folhas mais velhas. A deficiência é caracterizada por amarelecimento internerval e necrose das pontas e margens das folhas.

Plantas deficientes exibem crescimento lento, com sistema radicular mal desenvolvido, e as sementes e os frutos são pequenos e desuniformes.

Além disso, o fornecimento inadequado de K pode inibir a síntese de açucares, ácidos orgânicos e vitamina C, além de reduzir a porcentagem de sólidos solúveis, reduzindo o valor nutricional do fruto.

Solos arenosos passíveis de intensa taxa de lixiviação, calagem excessiva e altos teores de Ca2+ e Mg2+ trocáveis e NH4+, reduzem a disponibilidade de K e interferem negativamente na absorção do íon K+ pelo tomateiro.

Também é muito raro o aparecimento de sintomas causados pelo excesso de K no solo; entretanto, o acúmulo excessivo nas folhas mais velhas pode causar desidratação nas células vizinhas e o rompimento de membrana nas células, provocando o aparecimento de manchas necróticas nas folhas. Doses elevadas de K podem induzir deficiência de Ca.

Cálcio (Ca)

O Ca é constituinte da parede celular e, portanto, tem papel estrutural na célula da planta. Está associado diretamente com o crescimento de meristemas, com o desenvolvimento apropriado dos ápices radiculares e na fosforilação fotossintética.

Há indícios de que o Ca atue como modulador da função de alguns hormônios vegetais, regulando o crescimento e senescência. Além disso, atua também como ativador de algumas enzimas associadas com o metabolismo de P.

O teor trocável de Ca no solo é muito baixo e a planta o absorve na forma de cátion Ca2+. Na planta, é transportado parte no xilema e parte no floema; estando dentro da folha torna-se imóvel, e no tecido vegetal forma compostos insolúveis, como os pectatos de cálcio e sais cálcicos de baixa solubilidade, como carbonatos, sulfatos, silicatos, fosfatos, citrato, malato e oxalato.

Em razão da baixa mobilidade do Ca no floema, sua distribuição na planta é muito limitada e, portanto, os sintomas de sua falta são visíveis nas folhas mais jovens do tomateiro.

Os tecidos novos necessitam do Ca para formação da parede celular; portanto, a deficiência de Ca caracteriza-se em plantas com nervuras das folhas e pontos de crescimento de aspecto gelatinoso.

Efeitos de diluição resultantes do crescimento do fruto e da precipitação do Ca no floema, na forma de oxalato, estão relacionados com o baixo conteúdo deste nutriente no fruto.

Em situações onde ocorre rápido crescimento do fruto, esta diluição pode resultar em concentrações de Ca abaixo do nível crítico necessário, fazendo com que ocorram sintomas de deficiência nos frutos caracterizados pelo aparecimento da podridão apical ou estilar dos frutos (Figura 1).

Além disso, em casos mais severos, pode ocorrer necrose das pontas e margens, crescimento limitado das raízes e morte dos pontos de crescimento.

Os fatores que condicionam o aparecimento dos sintomas de deficiência de Ca são: irregularidade no fornecimento de água, salinidade, uso de cultivares sensíveis, altos teores de N, K, S, Mg, Cl e Na na solução do solo, altas doses de fertilizantes nitrogenados e potássicos, principalmente as formas amoniacais, pH baixo e altas taxas de crescimento e transpiração.

Magnésio (Mg)

O Mg tem papel estrutural como componente da molécula da clorofila, estando relacionado diretamente com a fotossíntese. É requerido para manter a integridade dos ribossomos e contribuir para a manutenção da estabilidade estrutural dos ácidos nucleicos e membranas.

Além disso, atua como ativador enzimático, influencia o movimento de carboidratos das folhas para outras partes das plantas e estimula a absorção e transporte de P na planta.

Semelhante ao Ca, o teor de Mg trocável no solo é muito baixo e a planta o absorve da solução do solo na forma de cátion Mg2+. A absorção de Mg2+ pode ser limitada na presença de altos teores de K+, Ca2+, NH4+ e Mn2+.

O Mg é transportado na planta tanto no xilema quanto no floema; portanto, sua redistribuição ocorre das folhas velhas para as mais jovens.

Assim, os sintomas de deficiência são observados nas folhas mais baixas e caracterizados pela ocorrência de clorose entre as nervuras.

As folhas deficientes apresentam também consistência quebradiça, com tendência de se curvarem para cima. Em estádios mais avançados de deficiência ocorre a senescência das folhas.

Vários aspectos podem contribuir para o aparecimento de deficiência de Mg no solo, como solos ácidos, arenosos e com altos índices de lixiviação.

Enxofre (S)

O S está relacionado com a síntese de proteínas, sendo componente de alguns aminoácidos, vitaminas e hormônios. Auxilia no desenvolvimento de raízes, aumentando vigor e robustez das plantas.

No solo, o S está presente nas formas orgânica e inorgânica. Na solução do solo, apresenta-se como ânion sulfato (SO42-), principal forma absorvida pelas plantas. Depois de absorvido, o SO42- é reduzido e incorporado a compostos orgânicos.

Os sintomas de deficiência de S se confundem com os de N, porém ocorrem nas folhas mais jovens, devido à baixa mobilidade do elemento no interior da planta. Em geral, as lâminas inferiores das folhas apresentam-se uniformemente amareladas ou cloróticas.

As condições que predispõem o tomateiro à deficiência de S estão relacionadas ao uso de formulações concentradas de fertilizantes N, P e K que não contêm S, baixos teores de matéria orgânica no solo e seca prolongada.

Boro (B)

Dentre os micronutrientes, o B talvez seja o elemento mais importante na nutrição do tomate. O B participa ativamente no metabolismo de ácidos nucleicos, desempenha papel importante no florescimento, crescimento do tubo polínico, nos processos de frutificação, no metabolismo de N e na atividade de hormônios.

Além disso, esse micronutriente participa também na absorção e metabolismo do Ca, na formação da pectina das membranas celulares, na absorção de água, no metabolismo de glicídios e transporte de carboidratos.

O teor de B no solo é variável, e sua disponibilidade para as plantas depende da sua interação com os argilominerais, matéria orgânica e óxidos de Fe e Al. A absorção do B pelo tomateiro pode ser tanto como ácido bórico (H3BO3), quanto como ânion borato (B(OH)4-).

A atividade dessas espécies químicas na solução do solo depende do pH e, em condições de pH ácido domina o H3BO3, alterando para o B(OH4)- na medida em que o pH aumenta, até sua precipitação, que ocorre a valores de pH entre 8 e 9.

O B é considerado imóvel na planta e, por esse motivo, os sintomas de deficiência de B se manifestam nos pontos de crescimento, área de diferenciação e órgãos com maior expansão celular.

Caracterizam-se pela redução do crescimento meristemático e deformação nas zonas de crescimento devido à não diferenciação celular, raízes curtas, diminuição da superfície foliar, folhas jovens deformadas, espessas e quebradiças, seguidas de manchas cloróticas ou até mesmo coloração verde mais intensa.

Além disso, pode apresentar também abortamento floral, lóculo aberto e escurecimento no interior dos frutos (Figura 2).

Os fatores que condicionam o aparecimento dos sintomas de deficiência de B são: calagem excessiva, índice de precipitação elevado e irrigação em excesso.

A textura do solo influencia também no comportamento do B, já que, em solos de textura arenosa, o B pode ser facilmente lixiviado, enquanto que para solos de textura argilosa, sua mobilidade é pequena.

Cobre (Cu)

O cobre faz parte de algumas enzimas, incluindo a oxidase do ácido ascórbico (vitamina C), citocromo-oxidase e a plastocianina, que se encontram nos cloroplastos.

Participa também de processos fisiológicos como a fotossíntese, redistribuição de carboidrato na planta e no mecanismo de resistência às doenças fúngicas na planta.

O teor total de cobre no solo varia de 1 a 80 mg.kg-1 e, na solução do solo, o nutriente se encontra na forma iônica Cu2+, formando complexos solúveis com ácidos orgânicos.

As plantas absorvem o Cu2+ na forma iônica e de quelatos orgânicos. A alta afinidade do cobre com os átomos de N do grupo amino parece explicar o transporte de Cu na planta.

Os sintomas de deficiência de Cu aparecem nas folhas mais jovens da planta, manifestando murcha, clorose marginal e internerval e necrose nas nervuras das folhas inferiores, muito semelhante às ocasionadas por virose.

É raro o aparecimento de deficiência de Cu, já que este elemento se encontra disponível em quantidades adequadas na maioria dos solos.

Entretanto, a absorção de Cu é afetada negativamente em solos com altos teores de matéria orgânica, pH elevado e altas concentrações de Zn, Fe e P na solução do solo.

Em geral, para o tomateiro rasteiro, a toxidez por Cu pode ser observada com teores a partir de 300 mg.kg-1 e as alterações se manifestam nas raízes, que perdem seu vigor, adquirem coloração escura, apresentam engrossamento e paralisam seu crescimento.

Sintomas de deficiência de Fe e P podem se manifestar na planta uma vez que o Cu, em excesso, interfere na absorção destes nutrientes.

Ferro (Fe) e Manganês (Mn)

Os teores de Fe e Mn se apresentam disponíveis em quantidades adequadas na maioria dos solos brasileiros.

O Fe participa de reações fundamentais de oxirredução, tanto em hemoproteinas como em proteínas não-hémicas com ligação Fe-S, como ferrodoxina e enzimas redutase, nitrogenase e sulfato redutase.

O Fe também catalisa a biossíntese de clorofila, uma vez que é parte constituinte de enzimas responsáveis pela sua formação.

Já o Mn, além de ser necessário à síntese de clorofila, tem como função principal a ativação de enzimas. Participa no funcionamento do fotossistema II da fotossíntese e é responsável pela fotólise da água.

As plantas absorvem o Fe e o Mn presentes na solução do solo nas formas iônicas Fe2+ e Mn3+, respectivamente. O Fe pode ser absorvido também como Fe-quelato.

Ambos os nutrientes são bastante imóveis na planta, portanto suas deficiências surgem nas partes novas da mesma. Deficiência de Fe caracteriza-se pela clorose internerval ou coloração amarela uniforme na folha e redução do crescimento da planta.

Para o Mn raramente são observados sintomas de deficiência no tomateiro, em razão da aplicação de agroquímicos que contêm esse nutriente. No entanto, os sintomas de deficiência são muito parecidos com os do Fe, podendo ocasionar um diagnóstico equivocado.

Calagem excessiva, solos mal drenados, solos turfosos e presença de outros metais são condições que predispõem ao aparecimento de deficiência de Fe e Mn.

Molibdênio (Mo)

O Mo está intimamente associado com o metabolismo do nitrogênio, em razão da sua presença em grande quantidade na enzima nitrato-redutase, a qual catalisa a reação de redução do NO3- a NO2-.

No solo, o teor de Mo é muito baixo e sua absorção pela planta na forma aniônica MoO42- é estimulada pelo pH e pela presença de P.

A alteração do pH em uma unidade, por exemplo, pode aumentar em até 500% o conteúdo foliar de Mo. Já a absorção radicular do Mo é altamente favorecida a partir da interação do nutriente com o ânion H2PO4-.

A deficiência de Mo ocorre em condições de pH ácido, por ter sua disponibilidade afetada devido à interação do nutriente com as superfícies carregadas positivamente dos colóides do solo, e também na presença do íon SO42-, que limita sua absorção pelas raízes da planta.

Os sintomas de deficiência de Mo, em geral, se assemelham com os de deficiência de N, mostrando clorose nas folhas mais velhas, com possíveis necroses marginais devido ao acúmulo de nitrato.

Zinco (Zn)

Em relação ao Zn, esse nutriente atua ativamente como cofator enzimático de vários processos metabólicos, como a ativação da trifosfato-desidrogenase, enzima essencial para a glicose, e síntese de auxinas, hormônios vegetais relacionados ao crescimento, em razão da sua participação na síntese de triptofano, aminoácido precursor do ácido indol acético.

Nos solos, os teores totais de Zn variam entre 10 e 300 mg.kg-1; entretanto, essa quantidade não está prontamente disponível para as plantas.

Semelhante aos demais micronutrientes, a atividade do Zn na solução do solo é governada pelo pH, sendo maior em condição de pH baixo (solos ácidos). A absorção de Zn pelo tomateiro pode ser via radicular ou foliar, na forma iônica Zn2+.

A redistribuição do Zn na planta é baixa, de forma que se concentra na raiz da planta e o conteúdo no fruto é pequeno.

Em razão da baixa mobilidade e da associação com hormônios de crescimento, a deficiência de Zn se expressa nas folhas jovens. Caracteriza-se pelo encurtamento dos entrenós, deformação e clorose das folhas e, quando é intensa, redução no tamanho das folhas.

Ressalta-se também que plantas com deficiência em Zn apresentam folhas com conteúdo elevados de Fe, Mn, nitrato e fosfato, enquanto os conteúdos de amido são baixos.

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Fonte

CLEMENTE, Flávia Maria Vieira Teixeira; BOITEUX, Leonardo Silva. Produção de Tomate para Processamento Industrial. 1ª ed. Brasília – DF: Embrapa, 2012.

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