Doenças no Alface Causados por Bactérias
Mancha-bacteriana (Xanthomonas axonopodis pv. vitians)
Já foi relatada nas principais regiões produtoras do Brasil. Sob condições de umidade relativa elevada (acima de 90%) provocada por neblina, irrigação por aspersão ou chuva, a doença pode disseminar-se rapidamente, causando perdas consideráveis.

A bactéria penetra por aberturas naturais (estômatos e hidatódios) provocando inicialmente pequenas manchas angulares, de aspecto encharcado, que são observadas a partir das folhas baixeiras. Ao se expandirem, escurecem e permanecem delimitadas pelas nervuras.
Quando começam pelas margens, as lesões tomam o formato da letra "V". Eventualmente, a bactéria pode infectar o caule de plantas novas, causando podridão e morte das mesmas. Os sintomas também podem ocorrer nas inflorescências, em campos de produção de sementes.
Sementes são a principal fonte de inóculo primário, bem como o principal meio de disseminação da doença a longas distâncias. A bactéria sobrevive de um ciclo a outro da cultura, associada a restos culturais não totalmente decompostos e a plantas daninhas da família botânica da alface.

Medidas de controle
• Plantar sementes ou mudas de boa qualidade, adquiridas de firmas idôneas;
• Quando houver suspeita de contaminação do lote, tratar as sementes de acordo com instruções de um agrônomo;
• Plantar somente em terrenos bem drenados, principalmente no período chuvoso;
• Plantar em espaçamento que permita boa aeração entre as plantas, principalmente no verão;
• Fungicidas cúpricos registrados para alface, com indicação para controle de doenças fúngicas, são efetivos no controle preventivo;
• Irrigar somente o necessário, evitando encharcamento do solo;
• Eliminar os restos culturais (enterrar, queimar ou retirar da área), principalmente as folhas atacadas pela doença que forem retiradas durante a toalete;
• Fazer rotação de culturas por pelo menos um ano, com espécies de família botânica diferente da família da alface.
Mancha-cerosa (Pseudomonas cichorii)
Pode ocorrer em todas as regiões produtoras de alface, pois a bactéria tem capacidade de crescer em amplo espectro de temperatura (5 °C a 35°C).

Os sintomas da mancha-cerosa geralmente manifestam-se nas folhas internas na forma de pequenas manchas necróticas marrom-escuras brilhantes e firmes, não amolecidas, principalmente ao longo das nervuras.
A doença pode originar-se em restos culturais de plantas infectadas, solo infestado ou a partir de outras hospedeiras presentes na lavoura ou nos arredores. A disseminação e a severidade da doença são favorecidas pela Irrigação por aspersão e adensamento de plantas.
Medidas de controle
• Evitar plantios muito densos, para permitir boa aeração da lavoura;
• Evitar excesso de água na irrigação ou alagamento do solo;
• Pulverizar preventivamente com fungicidas cúpricos;
• Fazer rotação de culturas, de preferência com gramíneas, por pelo menos um ano.

Queima-Iateral-das-folhas (Pseudomonas marginalis pv. marginalis)
Foi relatada na Região Sudeste do Brasil. Os sintomas da doença aparecem como uma murcha mucilaginosa nas margens das folhas. Pequenas lesões avermelhadas aparecem irregularmente distribuídas no limbo foliar e nervuras.

Na medida em que coalescem, a murcha foliar progride para baixo, ao longo das nervuras. Tecidos infectados tomam coloração marrom ou preta e secam. Sob condições de muita umidade, pode ocorrer exsudação bacteriana a partir das nervuras infectadas.
A bactéria diferencia-se de P cichorii por apresentar capacidade de apodrecer os tecidos, por causa da sua maior atividade de enzimas pectolíticas que quebram a parede celular dos tecidos da planta. Com isso, em condições de alta umidade, quando a doença atinge a medula pode produzir podridão da base da planta.
Assim como para P cichorii, as principais fontes de inóculo inicial são: solo infestado, restos culturais infectados e hospedeiras alternativas. Ressalta-se que essas duas fitobactérias podem ocorrer isoladas ou em infecção conjunta, podendo ainda ocorrer juntamente com P viridiflava um patógeno oportunista considerado de menor importância para a cultura da alface, também associado ao solo.
Medidas de controle
• Evitar plantios muito densos, para permitir boa aeração da lavoura;
• Evitar excesso de água na irrigação ou alagamento do solo;
• Pulverizar preventivamente com fungicidas cúpricos;
• Fazer rotação de culturas, de preferência com gramíneas, por pelo menos um ano.
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Fonte
LOPES, Carlos Alberto; QUEZADO-DUVAL, Alice Maria; REIS, Ailton. Doenças da alface. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa Hortaliças, 2010.