Pecuária

Distúrbios Fisiológicos na Cultura do Alface

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
Distúrbios Fisiológicos na Cultura do Alface
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Distúrbios fisiológicos são alterações no metabolismo normal da planta causadas por fatores abióticos, tais como: temperaturas extremas, desbalanço nutricional, elementos químicos não nutrientes que provocam fitotoxicidade e excesso ou falta de luminosidade e de água.

Não há envolvimento de qualquer fitopatógeno no surgimento de distúrbio fisiológico. Desse modo, sintomas de distúrbios fisiológicos podem manifestar-se em qualquer estádio da planta.

As medidas de controle devem ser principalmente preventivas. Porém, constatada a ocorrência, a recomendação é procurar interromper ou controlar o fenômeno causador.

Queima-de-bordas ("Tipburn")

Ocorre com muita frequência em todo o Brasil, principalmente em cultivos de verão sujeitos a chuvas constantes. É causada principalmente pela deficiência de cálcio, que é o elemento responsável pela manutenção da rigidez e integridade das células das plantas.

Entretanto, outros fatores contribuem para a severidade deste distúrbio por dificultar a translocação do cálcio. Dentre esses estão a alta temperatura, a alta luminosidade, a suscetibilidade da cultivar, a concentração salina desbalanceada, o excesso de umidade e as podridões de raízes.

Os sintomas são mais evidentes em plantas adultas e consistem de necrose nas bordas das folhas mais novas que se encontram em rápida expansão e muitas vezes ainda não completamente visíveis. Folhas afetadas não se expandem normalmente, ficam deformadas e podem apodrecer pelo ataque de organismos secundários.

Medidas de controle

• Plantar cultivares menos sensíveis a este distúrbio, principalmente no verão (Tabela 3);

• Preparar bem o solo e controlar doenças e pragas radiculares, para que ocorra adequada absorção dos nutrientes;

• Em cultivos protegidos, durante o verão, reduzir a temperatura (de preferência abaixo de 30°C) e a luminosidade por meio de sistemas de refrigeração ou de nebulização, aberturas laterais e/ou colocação de telas como sombrites ou aluminetes;

• Adubar com base em análise de solo, mantendo o balanço adequado dos nutrientes, principalmente de cálcio;

• Evitar excesso de água na irrigação e longos períodos de estresse hídrico.

Queima-das-raízes

É um distúrbio muito comum em plantas cultivadas em sistemas hidropônicos, em consequência de desbalanço iônico da solução nutritiva. Caracteriza-se pelo escurecimento e morte das raízes, que resultam em murcha e morte das plantas.

Ocorre principalmente no verão, quando há elevação de temperatura e substancial aumento do metabolismo da planta, com maior absorção de nutrientes. Esse distúrbio pode ser confundido com a podridão-de-raízes provocada por Pythium spp.

Medidas de controle

• Manter o balanço iônico correto da solução nutritiva;

• Ajustar as quantidades dos nutrientes em função de variações acentuadas de temperatura.

Mancha-ferruginosa

É basicamente um problema pós-colheita, mais comum em alface do tipo americana, que, por ter cabeça compacta, tem maior duração pós-colheita do que a alface do tipo lisa ou crespa. Ao permanecer muito tempo em condições de armazenamento a frio, fica sujeita a superexposição ao etileno, hormônio vegetal produzido por outras hortaliças e frutas armazenadas no mesmo local.

Esta superexposição provoca manchas deprimidas, de coloração marrom-claro, inicialmente pequenas e irregulares, a partir da nervura central da base das folhas, que é de cor bem mais clara que o restante da folha.

A condição para que este distúrbio ocorra é temperatura em torno de 5°C por um período de no mínimo três dias. Aparentemente esse problema não ocorre em temperaturas abaixo de 2°C ou acima de 8ºC.

Medidas de controle

• Reduzir ao máximo os danos mecânicos na colheita e no transporte;

• Não transportar ou armazenar alface americana junto com outros produtos hortícolas que produzem quantidades significativas de etileno, como maracujá, tomate e banana.

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Fonte

LOPES, Carlos Alberto; QUEZADO-DUVAL, Alice Maria; REIS, Ailton. Doenças da alface. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa Hortaliças, 2010.

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