Degradação de Pastagens: Identificando o Nível de Degradação de Pastagens
Uma causa importante da degradação, é a tradição de desleixo no uso de insumos e de tecnologia que ainda persiste no manejo de muitas áreas de pastagens no Brasil. Essas situações de descaso com o manejo da pastagem geralmente ocorrem onde a pecuária não é conduzida profissionalmente, como uma atividade econômica de caráter empresarial, isto é, onde a atividade, independentemente da grandeza do empreendimento pecuário, não é administrada de forma eficiente, responsável e racional.
1. O que é a degradação da pastagem?
A degradação da pastagem é a queda acentuada e contínua da produtividade da pastagem, no decorrer do tempo.
2. Como saber se a pastagem está degradando?
A forma mais prática de avaliar se a pastagem está degradando é acompanhar a sua “capacidade de suporte” no decorrer do tempo. A capacidade de suporte é o número de animais que é possível manter, em uma determinada área de pasto, sem ocasionar prejuízo (perda de peso ou produção de leite) para o desempenho dos animais e para o desenvolvimento da pastagem (pasto “rapado” ou pasto “passado”).
Assim, se ano a ano o número de animais possível de ser mantido em uma determinada pastagem estiver diminuindo, muito provavelmente essa pastagem está degradando.
Outros indícios da degradação da pastagem são o aumento no percentual de plantas daninhas e de áreas do solo descoberto (sem vegetação) e a consequente diminuição no percentual de capim (ou de leguminosas forrageiras) na área da pastagem.

3. Como identificar o nível de degradação da pastagem
A degradação da pastagem é um processo de declínio de produtividade que avança com o tempo. Isto é, o nível de degradação da pastagem tende a aumentar, caso nenhuma medida de recuperação seja aplicada. Normalmente, quanto mais avançado estiver o nível de degradação da pastagem, mais difícil, cara e demorada será a sua recuperação.
De modo geral, existem dois tipos extremos e principais de degradação da pastagem: a “degradação agrícola” e a “degradação biológica”.
Na degradação agrícola, ocorre um aumento excessivo do percentual de plantas daninhas na pastagem. Nesse tipo de degradação, a capacidade produtiva do pasto fica temporariamente diminuída ou inviabilizada, por causa da competição pelas plantas daninhas no capim e nas leguminosas forrageiras. Essa competição reduz sucessivamente a produção de forragem e a eficiência de uso da pastagem pelo gado. Ou seja, o gado tem dificuldade em selecionar e consumir a forragem, por causa da presença excessiva das plantas daninhas.
Na degradação biológica, a queda de produtividade da pastagem está principalmente associada à deterioração do solo. Nesse caso, há um aumento na proporção de solo descoberto (sem vegetação) na área da pastagem, facilitando a erosão, a perda de matéria orgânica e de nutrientes do solo. A degradação biológica é uma condição mais drástica de degradação da pastagem, pois também indica a degradação do solo.
Para facilitar a compreensão do fenômeno da degradação da pastagem, é possível sugerir uma classificação composta por quatro níveis de degradação (Figura 1). Essa classificação é baseada nas diversas variações de degradação agrícola e biológica possíveis de ocorrer em uma pastagem.

Dentro dos quatro níveis de degradação ilustrados na Figura 1, é possível diferenciar dois grandes grupos de pastagens. O primeiro grupo, denominado de “pastagens em degradação”, é constituído pelos níveis um e dois de degradação. O segundo grupo, formado pelos níveis três e quatro, é o grupo das “pastagens degradadas” propriamente ditas. Pastagens no nível três representam a “degradação agrícola”, enquanto a “degradação biológica” é representada pelas pastagens no nível quatro.
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Fonte
DIAS-FILHO, Moacyr Bernardino. Degradação de Pastagens: O Que é e Como Evitar. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa, 2017.