Custos de Produção Agrícola
O custo de produção agrícola é uma excepcional ferramenta de controle e gerenciamento das atividades produtivas e de geração de importantes informações para subsidiar as tomadas de decisões pelos produtores rurais.
Para administrar com eficiência e eficácia uma unidade produtiva agrícola, é imprescindível, dentre outras variáveis, o domínio da tecnologia e do conhecimento dos resultados dos gastos com os insumos e serviços em cada fase produtiva da lavoura, que tem no custo um indicador importante das escolhas do produtor.
São os gastos realizados com o objetivo de pôr o produto pronto para ser comercializado. Representa a soma dos valores em insumo serviços, consumidos e aplicados para obter um novo bem ou serviço.
Uma diferença básica para a despesa é que "custo" traz um retorno financeiro e pertence à atividade-fim, pela qual a entidade foi criada (determinada no seu Contrato Social, na cláusula do objeto). Já despesa é um gasto com a atividade-meio e não gera retorno financeiro, apenas propicia certo "conforto" ou funcionalidade ao ambiente empresarial.
Na agricultura, os custos são todos aqueles gastos relacionados direta ou indiretamente com a cultura (ou produto), tais como sementes, adubos, defensivos, combustíveis, mão-de-obra, etc. Pode ser definido como sendo a soma global de todos os encargos suportados pelo agricultor para se obter o produto.
O conhecimento do custo operacional e o seu reflexo em todo produto ou serviço são condições preponderantes de sobrevivência em qualquer negócio com ou sem fins lucrativos. A contabilidade de custos leva em consideração os tipos de custos e requer a existência de métodos de custeio para que, ao final do processo, seja possível obter-se o valor a ser atribuído ao que foi produzido.
O custo de produção é a soma dos valores de todos os recursos (insumos e serviços) utilizados no processo produtivo de uma atividade agrícola, em certo período de tempo e que podem ser classificados em curto e longo prazo.
A estimativa dos custos está ligada à gestão da tecnologia, ou seja, à alocação eficiente dos recursos produtivos e ao conhecimento dos preços destes recursos. Em termos econômicos, a questão relativa ao curto ou longo prazo refere-se à possibilidade de variação dos fatores de produção.
Considera-se curto prazo se pelo menos um dos fatores de produção não puder variar no período considerado, quando no longo prazo, todos os fatores podem variar (CASTRO et al., 2009).
Tipos de Custos de Produção
Os custos são subdivididos em dois grandes grupos: custos fixos e custos variáveis.
Custos fixos
São aqueles de natureza constante, que não variam de acordo com a quantidade produzida. São os custos necessários para o funcionamento normal da empresa independente de estar ou não produzindo.
Geralmente, os custos fixos são compostos pela mão-de-obra permanente; materiais de limpeza e conservação; depreciação de máquinas e benfeitorias; parcelas de financiamentos e impostos.
Custos variáveis
São aqueles que mantêm relação com a quantidade produzida, variam em função do aumento ou diminuição da produção.
Estão relacionados com a produção e a venda. Exemplos: mão-de- obra temporária, sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis, lubrificantes, transportes, encargos, manutenção e reparos.
Se a fábrica está trabalhando mais, produz mais, consome mais matéria-prima. Se está com a produção ociosa, consequentemente a matéria-prima gasta vai ser menor. São custos que têm seu total definido dependendo da quantidade de produtos fabricados.
Tanto os custos fixos como variáveis podem ser diretos e indiretos.
Custos diretos
São aqueles que pela sua natureza e características, é possível determinar com exatidão os valores e aonde foram aplicadas. São contabilizadas diretamente como custo da cultura especifica e normalmente compreende as despesas com sementes, fertilizantes, defensivos, mão de obra e encargos diretos.
São os identificados com precisão no produto acabado, através de um sistema e um método de medição, e cujo valor é relevante, como horas de mão-de-obra, quilos de sementes ou rações; gastos com funcionamento e manutenção de tratores.
Custos indiretos
São aqueles que não permitem identificar com exatidão os valores que devam recair sobre cada cultura ou atividade. Representa custos comum às diversas culturas e deverão ser rateadas entre elas, por estimativas e outros meios.
São geralmente custos administrativos. Exemplo salários dos técnicos e das chefias, materiais e produtos de alimentação, higiene e limpeza (pessoal e instalações).
Critérios de rateio ou distribuição dos custos indiretos
Para se determinar o critério de rateio dos custos indiretos, deverá ser levada em conta a natureza da operação e as características das despesas. Na atividade agrícola as operações e custos são de natureza e características semelhantes, portanto, os custos com mão de obra e encargos, combustíveis e lubrificantes, manutenção e conservação de máquinas e implementos agrícolas, depreciação e outras despesas com gradação, aplicação de fertilizantes e defensivos e outras operações, poderão ter como base para rateio a relação quantidade de hectares de cada cultura.
O rateio dos custos indiretos constitui um dos sérios problemas da contabilidade e o critério utilizado deverá ser aquele que resultar da observação do encarregado da produção, podendo ser utilizado a proporção área ocupada para cada cultura, proporcional a mão de obra direta já apropriada (contabilizada) a cada cultura, proporcional aos materiais já apropriados e ainda, proporcional à produção.
Alguns conceitos importantes no estudo da Administração e Economia Rural
Custo total
É a soma dos custos fixos totais e variáveis totais.
Depreciação
É a diminuição do valor por desgaste, perda de utilidade por uso, ações da natureza ou obsolência (condição que ocorre a um produto ou serviço que deixa de ser útil, mesmo estando em perfeito estado de funcionamento, devido ao surgimento de um produto tecnologicamente mais avançado).
Refere-se ao dinheiro que o produtor deveria guardar todo ano para substituir seus bens quando tornarem impróprios para a utilização, depois de vencida sua vida útil. Poucos produtores fazem essa reserva de capital, e com isso tem dificuldades na hora de renovar suas máquinas.
É o encargo com a desvalorização dos bens em consequência do desgaste que sofrem com sua utilização.
Renda bruta
É determinada pelo preço do produto multiplicado pela respectiva quantidade vendida, consumida ou estocada.
A análise da renda bruta, isoladamente, é pouco conclusiva, pois nem sempre as linhas de exploração que apresentam maior renda bruta são as melhores do ponto de vista econômico. Torna-se importante comparar os custos associados, ou seja, o que foi investido na produção.
Lucro
Corresponde à renda bruta menos o custo total. Quando o lucro é positivo, pode-se concluir que a atividade é estável e com possibilidade de expansão.
Em caso de lucro negativo, mas em condições de suportar o custo operacional efetivo (ou seja, com margem bruta positiva), pode-se concluir que o produtor poderá continuar produzindo por determinado período, embora com um problema crescente de descapitalização.
A perpetuação do lucro negativo torna a atividade não atrativa. Lucro nulo significa que a empresa está no ponto de equilíbrio e em condições de refazer, no longo prazo, seu capital fixo.
Ponto de equilíbrio
Evidencia, em termos quantitativos, qual é o volume que precisa produzir ou vender, para que consiga pagar todos os custos, fixos e variáveis. No ponto de equilíbrio não há lucro ou prejuízo.
A partir de volumes adicionais de produção ou venda, a empresa passa a ter lucros. O ponto de equilíbrio determina a quantidade mínima a ser produzida ou vendida para cobrir todos os custos das atividades da organização.
Orçamento
É uma ferramenta de aperfeiçoamento da administração na atividade rural, que permite trabalhar planejando o que vai acontecer.
Custo de Oportunidade
Quanto a empresa sacrificou em termos de remuneração por ter aplicado seus recursos numa alternativa ao invés de em outra.
Receita
A receita de uma empresa é igual ao produto entre a quantidade produzida e o seu preço de venda ou igual ao produto entre a quantidade de produtos (um ou vários tipos de produtos, que uma empresa pode comercializar) vendida e o seu preço de venda.
A receita pode ser receita parcial quando soma-se um conjunto de produtos fabricado e vendido ou comprado e revendido, sendo esta empresa, tem um universo de produtos, que engloba o conjunto já mencionado e soma-se a esta, outros conjuntos de produtos fabricados e vendidos ou comprados e revendidos pela mesma empresa.
Quando somamos as receitas do universo de produtos que uma empresa comercializa (produtos fabricados e vendidos ou comprados e revendidos), esta receita é chamada de receita total. Maior receita ou menor custo? Este é um dos principais questionamentos dentro do gerenciamento de propriedades rurais.
Existem duas formas de aumentar a lucratividade da cultura: aumentando a receita ou diminuindo os custos. Podemos dizer que o crescimento das receitas está mais complicado nos dias de hoje, mas pode ser conquistado com o aumento da produtividade ou através do aumento do preço de venda.
Os produtores tecnificados conseguem alterar suas produtividades sem ter aumentos elevados nos custos. Outra condição importante diz respeito à negociação da produção, mas como é negociado commodities, os produtores são considerados tomadores de preços junto ao mercado.
A redução dos custos pode ser atingida através do aumento de escala, para diluir os custos fixos e maximizar estruturas e máquinas, tomando cuidado para que o aumento de escala também não resulte em um aumento maior dos custos.
Outra forma de reduzir custos é através da alteração do mix de produtos, ou seja, a combinação de diferentes explorações, sendo esta última uma das condições importantes para agregação de valor nas propriedades.
Fatores que afetam os custos da produção agrícola
O desenvolvimento tecnológico das máquinas e implementos agrícolas, as alterações nas relações trabalhistas no meio rural, a intensidade e os resultados de pesquisas no ramo agropecuário e as modificações nos marcos regulatórios de mudas e sementes, do uso de recursos hídricos, do seguro rural e dos fertilizantes e agrotóxicos são fatos que impactam nos custos de produção agrícola.
A maximização dos resultados de uma empresa ocorre na realização de sua atividade produtiva, pois ela procurará sempre obter a máxima produção possível em face da utilização de certa combinação de fatores.
Os resultados ótimos poderão ser conseguidos quando houver a maximização da produção para um dado custo total ou minimizar o custo total para um dado nível de produção.
Os custos de produção podem variar por diversos motivos. Pode-se destacar:
• A utilização intensiva ou não de tecnologia;
• O uso dos fatores, com maior ou menor eficiência, intensidade ou produtividade;
• O volume de produção e
• O preço dos fatores.
Outros fatores importantes que impactam os custos de produção são os encargos de depreciação, de amortização e de exaustão dos recursos utilizados na produção.
Mesmo sendo classificados como custos fixos, são componentes do custo total que influenciam tomadas de decisão das empresas.
Fatores que afetam os resultados econômicos
Os fatores que afetam os resultados econômicos da empresa agrícola podem ser de natureza externa ou interna.
Os fatores externos como os preços dos produtos, o clima, as políticas agrícolas etc., apresentam caráter incontrolável por parte do administrador. Mesmo assim, é preciso conhecê-los para que se possa tomar decisões ajustadas as condições favoráveis ou desfavoráveis.
Os fatores internos, como aqueles ligados aos recursos humanos, ao planejamento da produção, aos recursos financeiros e ao planejamento de marketing, são diretamente controlados pelo administrador por meio de procedimentos gerenciais.
Quanto maior o conhecimento sobre a estrutura e o funcionamento da unidade e os fatores de produção, maiores serão as chances de melhorar os resultados econômicos.
A análise financeira de uma agroindústria inicia pela definição do volume de produção que a empresa pretende fabricar.
Depois, calcula-se o investimento físico, definem-se e calculam-se os custos fixos, estimam-se os custos variáveis, projetam-se os custos totais, identificam-se os custos de comercialização e a margem de lucro, calcula-se o preço de venda, apuram-se as receitas e os resultados operacionais, projeta-se o investimento inicial, para finalmente, analisar a viabilidade financeira do empreendimento.
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Fonte
NOVAIS, Dirlene. Administração e Economia Rural. 1ª ed. Barra da Estiva - BA: Instituto Formação, 2014.